Thalita Rebouças conta que ser menina é “simplesmente tudo de bom”

Autora, que já vendeu mais de 1,5 milhão de seus livros, fala como se descobriu garota

Sou menina na essência desde quando descobri que representantes do sexo feminino podiam usar saias e vestidos rodados todos os dias. Sim, por este motivo (que sei que muitos podem achar bobo, idiota, ridículo, nada a ver), eu me peguei apaixonada e agradecida pelo simples fato de ter nascido mulher. Não entrava na minha cabeça botar uma bermuda ou uma calça para sair.

Apesar de feminina, o meu lado moleca era fortíssimo, que fique claro. Subi em árvores, comi goiaba no pé, soltei pipa, andei de bicicleta e brinquei com os meninos, tive incontáveis tombos e cicatrizes e perdi a conta de quantas vezes engessei a perna. Sim, sou do tempo do gesso.

Quando me tornei escritora soube que os meninos tinham vergonha de ler meus títulos. O motivo? Eram considerados “livros de mulherzinha”! Até hoje, quando se permitem ultrapassar a barreira da capa, muitos garotos me escrevem para elogiar e pedir um livro “menos rosinha”. Não é estranho em pleno século XXI existir este tipo de preconceito? Ou seria melhor “pré-conceito”?

Nessas horas eu adoro lembrar da minha infância e da minha pré-adolescência, em que nunca me questionei por vibrar com as aventuras de Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, e jamais tive vergonha de me imaginar no lugar do Menino Maluquinho, do Ziraldo. Lia sem culpa e sem medo histórias protagonizadas por garotos.

Fico feliz ao constatar que, ao longo dos anos, nada mudou para as meninas – afinal, quantas você conhece que amam a saga Harry Potter, mesmo com um menino estampando a capa? Por acaso alguma amiga sua deixou de ler algum livro por conta da capa, ou do personagem que está nela? Meninas não são assim. Meninas gostam de conteúdo, não de julgar pela aparência (algumas até julgam, mas quero acreditar que elas representam a minoria).

Ser menina é uma delícia. Somos ricas em emoção. Exageradas, dramáticas, loucas. E chatas, e santas, e impacientes. E intensas. Ô, bota intensas nisso! Não somos 100% boas ou 100% más todo o tempo. Somos humanas, e temos uns hormônios que deixam a gente muito doida, maluco! TPM, chocolate, cólica, chocolate, menstruação, chocolate, choro, chocolate, risos intermináveis, choro, chocolate, culpa, muita culpa. E aí vem uma “depressão profunda”, acompanhada por Netflix, cama e whatsapp com as BFFs. Corta para a paixão impossível, o crush que não te nota, a festa sensacional que você não vai e todo o drama que isso representa. A nota baixa, a dúvida do que fazer no futuro, o namoro que vai de mal a pior e você não sabe como agir…

Ufa!

Como é pleno o nosso mundo! Somos mais, somos fortes. E cada vez mais poderosas e bem-resolvidas. E quem não é assim quer ficar assim. Cada vez com mais iniciativa e menos resignação. Mais atitude e menos preconceito. Mais autenticidade e menos máscaras. Cada vez melhor.

Vamos aproveitar nossa meninice em cada segundo da vida. Ser menina é simplesmente tudo de bom. Parabéns pra nós!

Thalita Rebouças é autora de livros para adolescentes, já publicou 20 títulos que já venderam mais de 1,5 milhão de exemplares.
 

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