Tão perto, tão longe

E se a paquera virtual deixar de ser um meio para um encontro real e permanecer online? E se a menina tiver um namorado de verdade e outro na internet?

Diana Abreu, 19 anos, de Vitória (ES), é a Diiii, o nick que usa em seus bate-papos. Durante dois anos, ela curtiu Alx, seu namorado virtual, e Pedro, o de verdade, que conheceu no cursinho. “O Alx sabia do Pedro, mas Pedro não sabia do Alx”, conta. Como ela, a Emanuelle Ribeiro, 15, de Londrina (PR), também tem relações reais e virtuais. Para Diiii, esse “é um jeito novo de manter a individualidade e os amigos longe do mundo do namorado”. Diana Baul, 17, que mora nos EUA, namora apenas virtualmente (você vai conhecer a história delas já, já).

As três fazem parte do universo de 17,4 milhões de internautas do Brasil, grupo que cresce 20% a cada ano, segundo pesquisa da empresa E-Consulting, especializada no segmento. Com o universo online em expansão, não é de se estranhar que esse tipo de situação seja cada vez mais comum, assim como suas variantes. A novidade entre as garotas que mantêm um namorado real e outro na rede é que boa parte delas não pretende conhecer o webcaso comportamento bem diferente do que alavancou os chats da internet, em que o objetivo era transformar namorados virtuais em realidade. Hoje, a história é outra: há rolos de carne e osso e rolos em bits.

Namorado.com

Um namoro online tem tudo: beijos, abraços, elogios, fofices e conversas corriqueiras. Também rola ciúme e brigas, igualzinho na vida real. Com programas como o Messenger (www. msn.com), sistema de mensagem instantânea, que tem foto e webcam, os namorados podem até conversar se olhando. Isso não significa que o namoro não possa rolar também pelo ICQ ou e-mail, mais populares. As mensagens são cheias de emoticons, do tipo 😉 [piscando o olho], 😦 [triste] ou 🙂 [alegre].

O primeiro encontro virtual

conversou com o namorado virtual pela primeira vez quando fazia intercâmbio na Austrália, em 2001. “A gente se encontrou por acaso pelo ICQ. Eu teclava com ele todas as tardes sobre música, hobbies, vestibular, viagens”, conta. “Um dia, Alx perguntou se eu queria ser a namorada dele. Nunca tínhamos nem trocado fotos. Achei engraçado, mas topei.” Diiii fala que é um tipo diferente de sentimento. “É como se apaixonar pelo escritor de um livro que você lê, de que gosta, mas nunca viu.”

Quando voltou para sua cidade, Vitória (ES), em 2002, Diiii conheceu o Pedro e se apaixonou, mas só contou para o Alx que estava namorando de verdade depois de um tempo. “Ele não gostou, mas não podia fazer nada.” Pedro também só ficou sabendo de Alx passado um bom tempo, depois de uma briga. “Esperei pelo pior, mas Pedro nem deu bola. Disse que eu é quem era a namorada dele e ponto final.” O namoro acabou esfriando e os dois terminaram por outros motivos. Diana continuou a conversar com o Alx. “Ele ficou feliz que o Pedro tinha dançado!” O problema é que aí foi a vez de Alx arrumar uma namorada real e Diana não gostar. “Nossa história esfriou, hoje somos mais amigos que namorados.”

É traição ou não é?

Ter um namorado real e outro virtual divide as opiniões quando o papo é traição. “Na minha cabeça, em um namoro virtual existe fidelidade virtual. Namorando online, eu não posso me enrolar com outro carinha na internet”, diz Diiii. Emanuelle é da mesma opinião. Ela namora o Luís* há quase dois anos. Na internet, está enrolada há nove meses com Thil, nick de seu namorado virtual. “Nós trocamos fotos por e-mail. Thil disse que me achou bonita e me pediu em namoro”, conta Manu. Ela aceitou. Segundo Manu, Luís, que não quis falar com a gente, sabe de Thil e acha normal. “Ele também tem uma namorada virtual, da Bahia.” Para ela, a traição só acontece quando há toque físico. “É como olhar as pessoas na rua e achá-las bonitas ou sentir desejo por elas. Isso não é traição.” E tem mais. Manu confessa que se sente mais à vontade nas conversas online do que ao vivo. Com Thil troca angústias e segredos. “Sou mais espontânea, não tenho medo de falar nada. É uma coisa meio Matrix”, avalia. “Engraçado é que ele não tem ciúme do meu namorado, mas já disse que não aceita se eu quiser ficar com outras pessoas virtualmente!”

S, 14 anos, de São Paulo, também namora e tem um ficante virtual. Seu namorado não sabe. Para ele, diferentemente de Luís*, isso é traição sim. “A gente troca e-mail sempre, mas meu namorado não pode nem sonhar. Ele é ciumento, não gosta que eu saia sozinha e vai ficar louco se souber.” S. prefere a personalidade do namorado virtual. “Ele é mais romântico, me escuta mais. Para ele conto minhas dúvidas em relação ao meu namoro. O real é mais machão, mais imaturo”, diz.

Fiéis até o último emoticon

Das 150 meninas que participaram da enquete sobre o assunto em nosso site, apenas 15% consideram traição histórias como essa. É a opinião de Diana Baul, 17, e Anderson Ribeiro, 15. Conversamos com o casal pelo Messenger. Diana mora nos Estados Unidos e ele em Vitória, onde vive a família dela por coincidência, Diana já havia namorado um amigo dele. Os dois se apaixonaram em bate-papos pelo msn. A coisa ficou séria quando Anderson contou de uma ficada numa boate. “Diana morreu de ciúme. Desde então, não fiquei com mais ninguém”, conta ele.

Em junho deste ano, Diana veio passar as férias em Vitória e eles finalmente se conheceram. “No dia 12, ele me pediu em namoro. Em agosto, voltei para os Estados Unidos e continuamos o namoro online até hoje.” Diana não pretende voltar tão cedo para o Brasil e Anderson não tem planos de se mudar para lá. E aí, como fica? “Vou esperar o tempo que for preciso. É ridículo uma pessoa namorar, seja por internet ou na vida real, e ficar com outra pessoa, seja de que jeito for. Para namorar, é preciso se dedicar física e mentalmente. Não existe amar duas pessoas ao mesmo tempo”, diz ele. “Eu também não aceito traição, mesmo que seja virtualmente”, diz ela.

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