SeaWorld da Califórnia anuncia fim de espetáculos com Orcas

'Os animais do SeaWorld trabalham diariamente e só param quando morrem'

O filme Blackfish: Fúria Animal , de 2013, talvez seja a primeira coisa que apareça na sua cabeça quando falamos sobre os espetáculos com baleias promovidos pelos parques SeaWorld . Apesar do treinador Craig Thommas afirmar que o documentário é desonesto, porque “as pessoas deveriam fazer suas próprias pesquisas e olhar os dois lados. Acho que vão descobrir que o que fazemos é bom para os animais”, o que acontece na prática é bem diferente .

Em 2014, foi liberado uma carta aberta escrita pelos defensores dos shows com orcas no SeaWorld. Dentre os argumentos a favor, três chamam a atenção :

– o SeaWorld não captura orcas no ambiente selvagem;

– a expectativa de vida das baleias orcas do SeaWorld é equivalente à expectativa na vida selvagem;

– apenas duas baleias foram capturados pelo SeaWorld e esses animais estão sob nosso cuidado até os dias atuais. (WHAAAAT?)

Não há como tais afirmações serem verdadeiras, pelo simples fato de que animais em cativeiros, por inúmeras razões, como o estresse, vivem menos . Sem contar que acabam tendo complicações que afetam também o ciclo reprodutivo, que já é bastante lento (o ciclo varia de espécie para espécie, mas, no geral, baleias têm apenas uma gestação por ano). O argumento de que, em toda a história, apenas duas baleias foram retiradas de seu habitat natural parece bastante frio- e fictício, como você descobrirá logo abaixo. Será que essas duas vidas justificam todo o projeto cruel de treinamento com Orcas?

Recentemente, a organização PETA ( People for the Ethical Treatment of Animals ) publicou um estudo com dados bastante relevantes. No ambiente selvagem, as Orcas tendem a viver de 30 a 50 anos. Em cativeiro, como no SeaWorld, a expectativa cai para 13 anos . Logo, tal pesquisa invalida o argumento de que as duas primeiras baleias capturadas pelo SeaWorld ainda estariam sob cuidado do parque.

Os argumentos pró-espetáculos com Orcas chegam a ser até irônicos. Mas basta lembrar que o SeaWorld é uma corporação gigantesca, que promove entretenimento para pessoas. Sem público, sem lucro . Veja bem, não estamos dizendo que os funcionários maltratam os animais por prazer ou porque só pensam em dinheiro. Por mais que haja carinho, temos que entender que as condições as quais as baleias são submetidas já são por si só cruéis.

Em julho, por exemplo, Harry Styles chegou a pedir em uma das apresentações do One Direction que seus fãs deixassem de comprar ingressos para qualquer uma das unidades do parque (em Orlando, em San Diego ou em San Antonio). Por enquanto, apenas o SeaWorld da Califórnia parece ter cedido aos inúmeros apelos, cancelado o projeto de $ 100 milhões que ampliaria a área de cativeiro para as baleias e divulgado que, no próximo ano, os shows com Orcas não acontecerão mais .

Sem dúvida, é uma vitória a ser comemorada! Mas vale lembrar que tanto o SeaWorld de Orlando quanto o de San Antonio continuam com as apresentações. O mesmo ocorre em dezenas de outros parques ao redor do mundo, que não pertencem à franquia, mas criam animais em cativeiro e os treinam para o entretenimento de humanos.

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