Saiba quais foram as principais pandemias já enfrentadas pela humanidade

O cenário da gripe espanhola, de 1918, é o que mais se assemelha ao atual cenário de quarentena global que vivemos hoje

Por Gabriela Junqueira - Atualizado em 27 abr 2020, 18h34 - Publicado em 7 abr 2020, 11h17

No dia 11 de março, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou pandemia do novo coronavírus, que, diferentemente de um surto, é quando várias regiões de uma cidade, um estado ou um país são atingidas. A pandemia é o pior dos cenários globais que uma doença pode atingir. Antes da COVID-19, contudo, o mundo já precisou ficar em alerta por causa de outros vírus e bactérias. A seguir, você encontra algumas das principais pandemias que já assolaram a humanidade:

1. Varíola
A varíola é uma doença que assola a humanidade há mais de 3 mil anos. O vírus, que é transmitido por via respiratória, matou mais de 300 milhões de pessoa entre 1896 até os anos 80, quando ocorreu uma vacinação em massa que erradicou a doença.

Representação de Ramsés II, Faraó do Egito. Alguns dizem que ele foi a primeira vítima da varíola, outros que teve sarampo Roger Wood / Colaborador/Getty Images

2. Peste bubônica
A peste bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis, matou entre 75 e 200 milhões de pessoas na Eurásia durante o século XIV e ficou conhecida como uma das pandemias mais devastadoras da história. A propagação da doença para os seres humanos se dava através de ratos e, sobretudo, pulgas. Os principais sintomas causados pela peste bubônica eram calafrios, fadiga, tosse com sangue, inchaço dos gânglios, febre e mal-estar.

3. Cólera
O primeiro registro de uma epidemia de cólera, que matou milhares de pessoas, data de 1817. A doença é causada pela bactéria Vibroe cholerae e sua transmissão acontece a partir do consumo de água e alimentos contaminados. Ela causa diarreia, desidratação e enjoo. Apesar de existir vacina para a doença, ela não é 100% eficaz. As medidas preventivas incluem lavar as mãos, cozinhar os alimentos antes de comer e tomar água filtrada. Por ocorrer com frequência ainda hoje, a cólera é considerada uma pandemia. Segundo o Portal da Saúde de São Paulo, “a pandemia segue em desenvolvimento em países da Ásia, África e América Latina já há quatro décadas”. A doença afeta principalmente áreas com más condições sanitárias, que costumam ser mais pobres, que estão enfrentando guerras ou desastres naturais.

4. Poliomielite
Também conhecida como paralisia infantil, a poliomielite é causada por um vírus e transmitida por água e alimentos contaminados anteriormente por uma pessoa infectada. Apesar de ser considerada rara e, no Brasil, acometer menos de 15 mil pessoas por ano, em 2014, a OMS declarou pandemia de poliomielite em países como Afeganistão, Nigéria e Paquistão. “A poliomielite continua a se espalhar internacionalmente a partir de países endêmicos e dos países reinfectados”, alerta a organização. O grande problema é que a doença é altamente contagiosa, afetando principalmente crianças com menos de 5 anos. Felizmente, já existe uma vacina contra ela, mas nem todos têm acesso.

5. Gripe espanhola
Há 102 anos, em 1918, o mundo enfrentou a gripe espanhola, doença causada por um vírus influenza. Acredita-se que a pandemia atingiu mais de um quarto da população e matou cerca de 50 milhões de pessoas, incluindo o Presidente do Brasil na época, Rodrigues Alves. Apesar do nome, a doença não surgiu no país europeu. A gripe recebeu esse apelido pelo país ter sido o primeiro a notícia-lá, mas ela surgiu nos Estados Unidos. No Brasil, a população tentou criar muitos remédios caseiros. Acredita-se que um deles, usado em São Paulo, que combinava mel, cachaça e limão, originou a caipirinha. A eficácia, como é possível desconfiar, não foi nem de longe comprovada. 

Clube Paulistano, em São Paulo, adaptado em 1918 para receber os infectados pela gripe espanhola Unicamp/Divulgação

6. Aids
Em 1982, o primeiro caso diagnosticado de Aids foi registrado no Brasil. A doença é causada pelo vírus HIV, que ataca o sistema imunológico da pessoa, principalmente os linfócitos LT CD4+. O vírus pode ser transmitido pelo contato com sêmen, fluidos vaginais ou sangue contaminados. Até 2016, o HIV matou 25 milhões de pessoas e estava presente em outras 40 milhões. A doença ainda não tem cura, mas o tratamento evolui com o passar dos anos e hoje existem mais de 22 antirretrovirais, que são distribuídos gratuitamente e “ajudam a aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV”, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, 900 mil pessoas são soropositivo e é possível observar uma epidemia acontecendo em jovens, na faixa etária de 25 a 39 anos, segundo a OMS.

7. Tuberculose
A tuberculose afeta o sistema respiratório e é causada pela Mycobacterium tuberculosis, bactéria que surgiu há mais de 70 mil anos e acomete a humanidade com epidemias há aproximadamente 4 mil. Em 2015, a doença infecciosa foi considerada como a mais mortal, chegando a fazer mais de 1,7 milhões de vítimas. A tuberculose é transmitida através de gotículas de saliva pelo ar, liberadas pela fala, tosse e pelo espirro.

 

8. H1N1
Há 11 anos, o mundo enfrentava uma pandemia de H1N1, uma variação do vírus influenza, o mesmo que causou a gripe espanhola e causa outros tipos de gripe. Os primeiros casos da foram registrados no México, em março de 2009, quando porcos transmitiram a nova mutação da carga viral para humanos. Rapidamente, a doença se espalhou pelo globo, atingindo 120 países, sendo classificada em junho do mesmo ano como uma pandemia. Segundo matéria da BBC, estudos recentes estimam que entre 700 milhões a 1,7 bilhão de pessoas contraíram a doença na época. A transmissão acontece por via respiratória, através do contato com gotículas contaminadas no ar e/ou em superfícies. Os sintomas incluem febre, dor de garganta, calafrios, tosse e dor no corpo. A gripe H1N1 pode ser evitada com vacina.

Pessoas andando na rua com máscaras para se prevenir do vírus H1N1, em maio de 2009, no México Joe Raedle / Equipe/Getty Images

Vale destacar que, na história, a única pandemia que colocou países em situação de quarentena por tanto tempo, como estamos vivendo hoje em razão da COVID-19, foi a da gripe espanhola, em 1918. 

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