Prevenção contra câncer de mama: o que é importante uma adolescente saber

Com quantos anos uma garota deve começar a prevenção contra o câncer de mama? Quais exames devem ser feitos? Existe diferença entre cisto e tumor?

Por Isabella Otto - 26 out 2019, 10h01

Outubro é um mês rosa, não apenas por causa da Primavera (pelo menos, no hemisfério sul), mas também por causa da luta contra o câncer de mama, o segundo que mais acomete mulheres no mundo, de acordo com dados da OMS. O primeiro deles, é o câncer de pele. Apesar de a doença estar mais presente em rodas de conversa de mulheres mais velhas, geralmente acima dos 30 anos, a prevenção pode e deve começar cedo – e isso muita gente não sabe!

AtnoYdur/Getty Images

Pensando em nossas leitoras adolescentes, conversamos com a ginecologista Beatrice Nuto Nóbrega para entender quais dúvidas são importantes esclarecer para jovens mulheres e de que forma elas já podem começar a prevenção.

A Dra. Bia conta que, apesar de a mamografia só precisar de fato fazer parte da rotina feminina a partir dos 40 anos (às vezes, um pouquinho antes, caso a pessoa tenha histórico da doença na família), o autoexame pode começar na adolescência. “Nessa fase, a mulher já deve iniciar seus cuidados, realizando inclusive exame clínico dos seios com médico ginecologista pelo menos uma vez por ano”, explica a doutora. O que acontece, na maioria dos casos, é que a menina só procura um ginecologista depois que faz sexo pela primeira vez. Algo totalmente natural e, é claro, extremamente indicado, mesmo que seja ainda melhor que a menina marque uma consulta assim que decidir iniciar a vida sexual, para tirar todas as suas dúvidas. A questão é que a garota acaba focando muito “na parte de baixo”, nos órgão reprodutores femininos, e se esquecendo “da parte de cima”, que já pode, aos poucos, começar a ganhar atenção redobrada com o exame de toque.

Barbara Marcantonio/Reprodução

Sabe aquela hora do dia em que você passa creme no corpo? Ou que está tomando banho? São em momentos rotineiros como esses que autoexame pode ser feito. O importante é começar a fazê-lo quando perceber que a mama já está formada, caso contrário, não há necessidade. É essencial também que o exame de toque não seja feito muito próximo ao período menstrual, seja antes ou depois dele. “Inicie a apalpação fazendo movimentos circulares em todo o seio, de dentro para fora, a partir do mamilo. Você pode utilizar todos os dedos, se preferir. Depois, no sentido dos ponteiros do relógio, vá sentindo toda a mama, de dentro para fora novamente (como mostra a imagem acima). Para finalizar, é importante que você sinta também a região da axila”, esclareceu a Dra. Giselle Mello, radiologista e coordenadora do serviço de mama do Fleury Medicina e Saúde, para a CH anteriormente. Mas não precisa repetir esse processo todo dia, não, viu? Uma vez por mês está mais do que bom! A Dra. Bia, contudo, gosta de deixar claro que o autoexame não substitui a ida ao ginecologista, pelo menos, uma vez ao ano, já que o médico sempre tem mãos mais treinadas para realizar o procedimento.

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Mas todo carocinho que eventualmente a mulher pode sentir na região das mamas é necessariamente câncer? Não. Na verdade , a maioria dos carocinhos que sentimos, principalmente na adolescência, é benigna. “Os principais tipos são os cistos e os fibroadenomas, que são tumores sólidos benignos. Estes, inclusive, são os mais comuns entre mulheres jovens, de 15 a 35 anos, devido aos estímulos hormonais que o corpo recebe nesse espaço de tempo. Já os cistos são nódulos que possuem um conteúdo líquido envolto em uma capsula. Normalmente, eles são mais amolecidos, com bordas mais lisas e definidas. A maioria deles é do tipo simples, ou seja, totalmente preenchido por líquido fluido no interior, e não merecem maior investigação. Outros, contudo, são formados por conteúdo espesso ou até por vários microcistos agrupados, podendo combinar conteúdo líquido e sólido. Estes mais complexos são um pouco mais preocupantes e, muitas vezes, é necessário fazer biópsia”, esclarece Beatrice. Além disso, vale destacar que a ultrassonografia mamária é o principal exame para diferenciar nódulos císticos de sólidos.

Muitas adolescentes ficam apreensivas quanto descobrem um caso de câncer de mama próximo a ela, da mãe ou da avó, por exemplo. A Dra. Bia, entretanto, garante que a maioria dos tumores não é do tipo hereditário. Ufa?! Nananinanão! É justamente por isso que todas as mulheres devem se cuidar. E esse cuidado, reforçamos, pode começar cedo! Há muitos fatores externos que são associados com um maior risco da doença que podem ser evitados ou reduzidos, como o uso de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a obesidade. Praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação balanceada e, mais tarde, se a mulher escolher engravidar, praticar a amamentação, são outras coisas que atuam ativamente no combate ao câncer de mama. “Estima-se que hábitos de vida mais saudáveis podem reduzir em até 28% o risco de a brasileira desenvolver a doença”, conta a ginecologista, que aproveita para ressaltar mais uma vez a importância das visitas regulares ao médico desde a primeira menstruação (não somente após a primeira transa): “agendar visitas rotineiras ao especialista, uma vez por ano, pelo menos, e levar uma vida mais saudável desde a adolescência são fatores de proteção contra o câncer de mama. Por isso, é essencial fazer os exames de rotina (toque e ultrassonografia e, mais tarde, mamografia) e agendar novas consultas assim que sentir alguma diferença nos seios, pois a detecção precoce é um dos fatores que mais ajuda a reduzir a mortalidade”.

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