Poluição mata prematuramente cerca de 20 mil pessoas por ano no Brasil

Estima-se que, até 2030, doenças pulmonares, transmitidas por mosquitos e até mesmo AVC devem aumentar em decorrência das mudanças climáticas.

Você tem alguma “ite”? Se mora em uma cidade grande, definitivamente, deve ter várias. Bronquite, rinite, sinusite… É praticamente uma unanimidade dentro da medicina que doenças do tipo estejam proporcionalmente aumentando e se agravando com o crescimento da poluição do ar. Em São Paulo, por exemplo, ficar exposto a uma hora de trânsito equivale a fumar cinco cigarros, conforme levanta relatório do Instituto de Estudos Avançados da USP. A situação é grave, e a tendência é piorar.

Protesto realizado no centro de Londres, no último dia 9, contra as mudanças climáticas. Estima-se que 25 londoners morram por dia por causa da poluição do ar.

Protesto realizado no centro de Londres, no último dia 9, contra as mudanças climáticas. Estima-se que 25 londoners morram por dia por causa da poluição do ar. (NurPhoto/Getty Images)

Segundo o estudo realizado pelo The Lancet Countdown, chamado “Tracking Progress on Health and Climate Change”, que analisa e acompanha os progressos relacionados à saúde e às mudanças climáticas, as crianças e os jovens de hoje serão ainda mais afetados pelo ar que inalam no futuro – vale ressaltar que, em 2016, 24 mil pessoas morreram prematuramente no Brasil vítimas de má qualidade do ar.

 

Partículas provenientes da queima de carvão para a produção de energia e liberada por veículos já faz, contudo, vítimas agora, no presente. Nunca antes tantos recém-nascidos nasceram com problemas pulmonares, de acordo com o levantamento. As alterações climáticas, que são negativamente estimuladas por esse queima, trazem outra preocupação que afetará diretamente os jovens de hoje: o aumento de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue.

Infelizmente, não para por aí. As mudanças climáticas, se nada for feito, até 2030, vão aumentar também as ocorrências de Acidente Vascular Cerebral. Como assim? Em São Paulo, por exemplo, em dias com picos de calor e frio, os casos de AVC aumentam em até 50%. A variação de temperatura tende a ficar mais intensa e drástica com o efeito estufa, o que consequentemente tende a aumentar as taxas de incidência da doença. É importante deixar claro que, até o momento, apenas a poluição do ar foi levada em conta. A pesquisa ainda mostra que a poluição no geral, como a da água, deve elevar também as mortes prematuras em decorrência de diarreias.

Em novembro deste ano, a atriz Prianka Chopra postou uma foto em seu Instagram usando máscara durante um dia de trabalho em Dheli, na Índia. Ela escreveu que estava fazendo alguns ensaios fotográficos e sofrendo com a poluição do ar. “É tão difícil fotografar aqui, que nem posso imaginar como é viver nessas condições”, lamentou. O nível de partículas tóxicas à saúde no ar da capital indiana é 25 vezes maior que o limite considerado seguro, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. Além disso, 7 das 10 cidades com ar mais poluído se encontram no país asiático. Estima-se que, anualmente, aproximadamente um milhão de pessoas morra na Índia vítimas da poluição do ar. O Brasil e tantos outros países do mundo seguem essa “tendência”.

É preciso que as mudanças climáticas parem de ser tratadas como lendas urbanas ou algo distante, pois já fazem vitimas hoje. É indefensável também que critiquemos os ativistas ambientais e/ou menosprezemos o trabalho deles, como aconteceu recentemente em Alter do Chão, no Pará, em que quatro brigadistas foram presos injustamente após serem acusados de colocar fogo na Floresta Amazônica. Após a análise de provas antigas e novas, chegou-se a conclusão de que, na verdade, os voluntários da Brigada de Alter arriscavam suas vidas para conter queimadas supostamente ligadas a grileiros (pessoas ligadas ao uso indevido da terra que, muitas vezes, é pública e não autorizada para determinados fins).

Você, jovem de hoje, é o adulto de amanhã. 

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