Ministério Público pede retirada de vídeos de YouTubers mirins da internet

Segundo a promotoria, as crianças estariam sendo usadas por empresas para fazer propaganda infantil abusiva.

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 (Gif/CAPRICHO)

Recentemente, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para pedir à Justiça que o Google, dono do YouTube, retire do ar dezenas de vídeos de youtubers mirins. O processo foi aberto após uma série de denúncias afirmando que empresas enviavam seus produtos para que as crianças gravassem vídeos e divulgassem, como se fossem promotores de venda. Nos vídeos publicados nos canais, os youtubers mirins mostram os produtos (que vão de brinquedos a materiais escolares) em uma categoria conhecida como unboxing.

 (Reprodução/YouTube)

No inquérito, o promotor do Ministério, Eduardo Dias, pede que os vídeos listados fiquem indisponíveis na plataforma e solicita adoção de meios para impedir a monetização de conteúdo que contenha propaganda infantil.

Uma das influenciadoras mirins envolvida no processo é a estudante Julia Silva, de 13 anos, que possui mais de 4 milhões de seguidores no YouTube. Em seu canal, ela compartilha vídeos abrindo embalagens de bonecas novas e outros brinquedos. No caso dela, a promotoria questionou uma série de 12 vídeos contratados pela Mattel, fabricante de brinquedos (como a boneca Barbie). Além dela, outros seis youtubers mirins tiveram seus conteúdos notificados como propaganda infantil abusiva.

A ação cita mais de 15 empresas envolvidas no caso, denunciadas pelo Instituto Alana, ONG de defesa dos direitos das crianças. De acordo com as denúncias, a franquia McDonald’s enviou brindes do McLanche Feliz para youtubers mirins divulgarem antes do lançamento do lanche, em 2015. Já em 2016, o Ministério Público investigou 15 empresas por vídeos em que as crianças mostram brinquedos, roupas e mochilas no unboxing. Em 2017, o Instituto denunciou uma promoção criada pela Mattel com a youtuber Julia Silva, na qual os seguidores dela participavam de um desafio e ganhavam produtos da franquia Monster High.

Em nota, o Instituto Alana declarou que a propaganda se torna abusiva ao aproveitar-se da ingenuidade das crianças. “Pelo fato de a maioria das crianças acreditar no que ouve e vê, ela também acredita que o serviço anunciado vai realmente proporcionar-lhe os benefícios e os prazeres que a publicidade promete, mesmo que se trate de algo absolutamente irreal e impossível”, diz um trecho.

Em resposta, o McDonald’s afirmou que “não trabalha com youtubers mirins”. O Google e a Mattel disseram, em nota, que não iriam se pronunciar sobre o caso.

Em 2014, a publicidade infantil no Brasil foi tema de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O assunto foi resultado da aprovação de uma resolução que considera abusiva toda propaganda dirigida à criança que tem “a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”, seja por meio de bonecos, trilhas sonoras, desenhos animados, oferta de prêmios, brindes ou artigos colecionáveis, linguagem infantil, entre outros métodos.

Qual sua opinião sobre o caso?

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