Mãe ‘fantasia’ filho de 9 anos como escravo torturado para o Halloween

'Vamos abrasileirar esse negócio', disse a mulher ao publicar a foto nas redes sociais. Comentários aprovando e ironizando a 'fantasia' são de assustar.

Por Amanda Oliveira - 30 out 2018, 13h26

Em época de Halloween e durante o Carnaval, muitas pessoas cometem um brusco erro: usar fantasias que, na verdade, não são fantasias. Alguns dos exemplos mais comuns são pessoas vestidas de índio, fazendo black face e com roupas que remetem a pessoas que representam um período obscuro da História, como Adolf Hitler e o Nazismo. Não é divertido nem de longe uma “homenagem” aos sobreviventes, como muitos costumam defender. É o caso dessa mãe que decidiu “fantasiar” o filho de 9 anos como um escravo açoitado para uma festa de Halloween da escola, que ocorreu na última segunda-feira, 29, no Rio Grande do Norte.

Reprodução/Reprodução

Além de pintar o garoto branco como se ele fosse negro, a mulher também usou maquiagem para simular marcas e feridas causadas por chicotadas. A mãe, claramente orgulhosa da ideia, publicou as fotos do filho no Instagram com a seguinte legenda: “quando seu filho absorve o personagem! Vamos abrasileirar esse negócio! #Escravo“.

Os primeiros comentários foram de pessoas que aplaudiram a ideia e deram risadas, elogiando a “produção do personagem”. Teve até quem disse que ficou com pena de tão real que a “fantasia” ficou! A imagens repercutiram de tal forma que a mulher decidiu apagar a publicação e deixar o perfil privado, mas os prints ainda servem como prova. Olha só:

Reprodução/Reprodução

A escola em que o menino estuda publicou um comunicado sobre o caso, repudiando o racismo e qualquer forma de preconceito. “Lamentavelmente, a escolha do traje para a participação do Halloween, feita pela família do aluno, tocou numa ferida histórica do nosso país. Amargamos as sequelas desse triste período até os dias de hoje. Não incentivamos nem compactuamos com qualquer tipo de expressão de racismo ou preconceito, tendo os princípios da inclusão e convivência com a diversidade como norte da nossa prática pedagógica”, diz a nota. Já o Conselho Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (CONSEPPIR) vinculado a Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (SEJUC) garantiu que tomará todas as medidas cabíveis junto aos órgãos competentes do estado.

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Através do Twitter, a mulher rebateu as acusações de racismo ao afirmar que nunca existiu escravidão no Brasil. “Não leiam livros de História do Brasil. Eles dizem que existiu escravidão de negros no país, mas isso é mentira. Não discuta com essa afirmação, pois você estará sendo racista, A pior pessoa, um lixo. Só não entendi ainda se o problema foi a fantasia ou o ’17’ na foto“, escreveu.

Então é isso. A mulher não só não consegue entender como a “fantasia” é de mau gosto, ofensiva e racista, como usou como justificativa o argumento de que não existiu escravidão no Brasil. Talvez a jornalista não saiba (será mesmo?), mas com essa fala ela desqualifica todo o ensino brasileiro e o trabalho de milhares e milhares de historiadores pelo mundo.

Racismo é crime! É 2019 e ainda temos que reafirmar isso…

 

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