Governo libera 31 novos agrotóxicos, sendo 3 potencialmente cancerígenos

Além de todos serem nocivos ao meio ambiente, 26% deles não foram aprovados na União Europeia.

Desde o começo do ano, o governo liberou 197 novos registros de agrotóxicos, sendo que os últimos 31 foram feitos na última terça-feira, 21. O número nos leva a bater um recorde. Afinal, nunca antes tantas concessões foram dadas tão depressa no Brasil.

 (NurPhoto/Getty Images)

A medida faz parte de um dos planos de governo de Jair Bolsonaro, que pretende agilizar o processo de liberação de produtos. Anteriormente, as indústrias reclamavam que, em algumas situações, a aprovação demorava até oito anos para sair.

A grande preocupação dos ambientalistas é que essa aceleração no processo faça com que o Ibama e a Anvisa, que precisam analisar as substâncias, façam vista grossa nas análises. “As fórmulas combinam produtos químicos cujo risco e periculosidade toxicológica não foram devidamente avaliados. Portanto, não se sabe o impacto da liberação dessas centenas de produtos ao meio ambiente e à saúde da população”, explica Guilherme Franco Netto, especialista de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade da Fiocruz, em entrevista ao O GLOBO.

 

Dos 31 novos agrotóxicos liberados, três são potencialmente cancerígenos. Eles usam base de Glifosato, substância classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como altamente perigosa. Dos 131, 26% deles não foram liberados na União Européia, pelos riscos confirmados à saúde humana e ao meio ambiente e pelo fato de ainda não terem análises precisas realizadas. Na dúvida, é melhor pecar pelo excesso de cuidado, né? Não em algumas partes do mundo, inclusive no Brasil.

O jornal O GLOBO procurou as empresas responsáveis pelos três agrotóxicos mais perigosos que foram aprovados, mas, é claro, elas disseram que estão seguindo as normas da Anvisa e que não é preciso se preocupar. Uma delas não respondeu.

Além de fazer mal para as pessoas que consomem os alimentos que foram expostos aos agrotóxicos, a toxidade das substâncias também é prejudicial à saúde dos trabalhadores que manuseiam os produtos. Ou seja, talvez as empresas sejam as únicas que saiam lucrando com essa história…

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