Fui aprovada na faculdade, mas em outra cidade. E agora?

Morar sozinha, dividir apartamento ou pegar estrada todos os dias? Qual a melhor opção pra você?

Passar no vestibular e garantir uma vaga na faculdade já é uma tarefa bastante complicada. Mas, para alguns estudantes, essa missão não termina na aprovação: quando a universidade não é muito perto, ainda é preciso planejar a melhor forma de ir até lá. Sair da casa dos pais e morar sozinha? Dividir um apartamento com alguém? Passar algumas horas no transporte público?

São muitas opções para quem pretende estudar longe de onde mora, mas é preciso levar em conta questões como custo financeiro, tempo de locomoção, distância familiar, entre outras. Por isso, a CAPRICHO conversou com três estudantes que deixaram suas cidades para fazer faculdade sobre as experiências que cada uma teve.

Geralmente, a opção mais escolhida para quem decide estudar longe de casa é dividir um apartamento ou uma república com outros estudantes. Foi o que a Stephanie Ferreira Magalhães, de 19 anos, fez quando recebeu a aprovação no curso de Nutrição, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). “Quando eu descobri que tinha passado em uma universidade em outra cidade, a minha mãe disse que eu não iria. Mas, quando meu padrasto chegou em casa e viu minha tristeza, já que eu tinha chorado a tarde inteira, disse que iria conversar com ela”, conta. Os dois concluíram que Stephanie merecia estudar fora e, a partir disso, apoiaram a filha em tudo.

Stephanie saiu da casa dos pais em Diadema para ir morar em Santos, no litoral paulista. “Eu divido um apartamento com mais 5 garotas e a gente tem uma convivência muito boa. Cada moradora tem o seu horário de aula e isso ajuda bastante na hora de estudar, já que a casa fica em silêncio. Apesar disso, o que eu mais gosto é quando estão todas na república, porque nós costumamos fazer um café quando chegamos da faculdade e ficamos conversando por bastante tempo. Isso é muito divertido”, diz.

As cinco meninas dividem as despesas do apartamento, como aluguel, conta de luz, água, etc. No caso de Stephanie, os pais dela bancam tudo porque a faculdade é em período integral, impedindo que ela trabalhe. Mesmo assim, a experiência de morar sozinha fez com que ela aprendesse a economizar. “Eu aprendi a aproveitar as ofertas dos supermercados e a pensar mais antes de comprar algo que eu não preciso. Às vezes, eu até vendo umas roupas que eu não uso no brechó da faculdade para conseguir um dinheiro a mais”, comenta.

 (GIPHY/Reprodução)

Para quem tem condições de se manter, morar sozinha também é uma boa opção, embora seja uma mudança mais impactante. No caso da estudante Barbara Cavalcanti, que nasceu em Vitória, no Espírito Santo, e também morou grande parte da sua vida no Rio de Janeiro, a experiência foi ainda mais radical: ela não mudou apenas de cidade, mas também de estado. Apesar de ter prestado vestibular para Medicina, seu grande sonho sempre foi Jornalismo. “Mas fazer jornalismo em Vitória, que era uma cidade do tamanho de um bairro de São Paulo? Conversei com meus pais e falei que queria fazer jornalismo na melhor faculdade do país: a USP”, conta.

Aos 18 anos, Barbara, se mudou sozinha, sem conhecer ninguém. “No começo, achei São Paulo um pouco bruta. Eu diria que cinzenta. Muito concreto. Bem diferente do que eu estava acostumada no Rio ou em Vitória”, diz. Ela conta que se sentia muito sozinha e chorava em casa, mas depois foi se adaptando aos poucos. “Sempre me apeguei muito ao meu sonho e foquei 100% do meu tempo nisso”, afirma.

Barbara contou com a ajuda do pai para administrar os gastos de morar sozinha, mas também começou a trabalhar no segundo ano de faculdade. “Se organizar, pagar conta de luz, água, gasolina… É muito mais complicado do que parece. Coisas bobas como manutenção das coisas de casa se tornam monstros“, comenta. Mas, apesar de todas as dificuldades, Barbara afirma que amadureceu muito com a experiência. “Mudar de cidade para fazer faculdade acumula todas as coisas que você aprenderia em anos, mas tudo de uma vez. Você passa a prestar atenção em pequenos detalhes e a viver de uma forma muito diferente, porque você vive a faculdade, a sua casa e passa a ser dona da sua vida. É um passo muito grande”, conclui.

 (iStock/Reprodução)

Mas, dependendo da distância, mudar-se para outra cidade nem sempre é a única opção para quem quer estudar longe de casa. A estudante de jornalismo Isabella Bastos, de 21 anos, sai de Atibaia todos os dias para ir para a Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), na Vila Mariana, em São Paulo. “Saio do trabalho às 16h30 e vou pegar o ônibus na rodoviária, sempre às 17h. Chego em São Paulo, no Tietê, por volta de 18h20, pego o metrô e chego na faculdade às 18h50. Ao todo, levo duas horas e vinte minutos, mais ou menos”, conta.

No começo, a correria era mais difícil. Hoje, Isabella está mais acostumada. “No meu primeiro dia de aula, perdi o último ônibus que tinha de São Paulo para Atibaia porque saí da faculdade às 22h40 e o metrô parou por 45 minutos”, diz. Como a mãe não dirige e o padrasto havia quebrado o braço no mesmo dia, não havia ninguém para buscá-la e Isabella teve que passar a noite no terminal Tietê. “Passei a noite inteira acordada, peguei o primeiro ônibus no outro dia, às 6h da manhã, e tive que faltar no trabalho porque estava muito cansada”, relata.

Cada passagem de Atibaia para São Paulo e vice-versa custa R$ 12,20 (meia). “Antes, meu gasto mensal era de mais ou menos R$ 500,00, mas hoje volto para casa de carona, então os gastos caíram pela metade. Não pago metrô porque tenho passe livre”, explica. Apesar do cansaço e da correria, Isabella não pretende se mudar para São Paulo. “Meu emprego e minha vida toda está em Atibaia, que eu amo e não trocaria por questões de segurança e gastos”, conta. Ela chegou a estudar durante um ano na única faculdade da cidade, mas não gostou.

“Eu amo essa minha rotina e não trocaria a qualidade de ensino que tenho pela facilidade de morar e estudar na mesma cidade, do mesmo modo que não deixaria de lado a qualidade de vida que tenho morando em Atibaia para viver no caos de São Paulo. Acho que aproveito o melhor das duas cidades“, Isabella finaliza.

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