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É ato político, paixão, respeito… É tudo, mas nunca é ‘só’ um beijo

Essas 7 histórias de amor provam que, definitivamente, um beijo não é só um beijo.

Por Isabella Otto, Amanda Oliveira Atualizado em 14 abr 2018, 13h03 - Publicado em 13 abr 2018, 16h34

Segundo definição do dicionário Michaelis, o Verbo Transitivo Direto “beijar” tem vários significados, mas vamos nos atentar a três deles: (1) trocar beijos, (2) roçar os lábios sobre e (3) tocar levemente. Independentemente da definição teórica, na prática, um beijo pode significar uma infinidade de coisas.

Agathe Sorlet/Reprodução

Quando você está na balada e beija uma pessoa sem saber sequer o nome dela, pode ser só um beijo. Mas pode não ser. Quando você é gay, está no metrô, beija seu namorado e precisa lidar com olhares homofóbicos, pode ser só um beijo. Mas pode não ser. Quando você beija seu namorado depois de uma longa briga, pode ser só um beijo. Mas pode não ser. A verdade é que é difícil acreditar que é “só” um beijo quando você beija alguém que ama. Isso inclui beijos carinhosos entre amigos, beijos de respeito entre pais e filhos, beijos que são dados na bochecha, na testa, no topo da cabeça.

Mas e os beijos de língua? Engana-se quem pensa que eles são apenas emoção. De acordo com a pesquisadora Sheril Kirshenbaum, autora do livro A Ciência do Beijo, o ato de beijar envolve também razão. “O beijo ativa todos os nossos sentidos (como o olfato, o paladar e o tato) para que forneçam pistas sobre a compatibilidade e o potencial de um parceiro a longo prazo. Nosso corpo e cérebro nos ajudam a decidir se devemos investir no relacionamento”, garante a especialista. É, fica cada vez mais difícil acreditar que é “só” um beijo mesmo…

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1. Bê Sodré e Fernando Maldonado
O Nando tem 23 anos e a Bê, 22.O Nando estuda psicologia e a Bê é pedagoga formada. O Nando é um homens trans. Bê é uma mulher cis. “A Bê faz parte de uma banda de samba-reggae só de mulheres aqui de Florianópolis, chamada Cores de Aidê. Antes de me reconhecer quanto homem trans, eu fazia parte desse bloco e nos conhecemos lá”, conta Nando, que hoje namora a Beatriz há um ano e dois meses. A relação nunca foi um obstáculo, apesar de até hoje Nando não conhecer os sogros. “Não aceitam e nunca nem tiveram vontade”, afirma. Para o casal, um beijo nunca é simplesmente um beijo. “Ele é, sim, um ato político. Ainda mais nos tempos de hoje, em que encontramos tanto preconceito, discurso de ódio e tanta intolerância com quem não está dentro da cis-heteronormatividade. O beijo é símbolo de (r)existência, de luta, de que somos livres para beijar quem quisermos”, garante Nando. Bê ainda completa a fala do namorado: “Poder beijar quem eu quiser, aonde e quando quiser é para mim uma atitude que quebra os padrões cis-heteronormativos da sociedade. Eu acho que o beijo sempre tem alguma coisa a dizer”.

Bê e Nando. Reprodução/Reprodução

2. Bia de Cicco
Um dos momentos mais especiais e significativos na vida é o primeiro beijo. É aquele instante único que, às vezes, demora para acontecer e deixa a gente criando mil cenas diferentes sobre ele – e que depois fica marcado para sempre na nossa memória. A Bia de Cicco, de 13 anos, é integrante da Galera CAPRICHO e ainda não beijou. “Minha maior expectativa é que eu não faça nada errado e quero que seja com um cara legal”, ela conta. As amigas da Bia já beijaram e sempre costumam falar coisas do tipo: “Beijar é muito bom, não sei como você não beijou ainda”. Entretanto, a adolescente prefere ter calma, apesar da forte curiosidade de saber como é. “Quero que seja bacana e que signifique algo para mim”, diz. Nunca é só um beijo, mesmo ainda nem sendo…

Bia de Cicco. Arquivo Pessoal/Reprodução

3. Nathalya Ferraz e Igor Henrique
“Só nos beijamos quando assumimos um compromisso sério de namoro no altar, um compromisso um com o outro e com Deus também”, conta Nathy, de 18 anos. A ex-integrante da Galera CAPRICHO está namorando o Igor, de 20, há dois meses. Eles se conheceram na igreja e passaram por um período de quatro meses de oração para se conhecerem e terem certeza de que queriam engatar um relacionamento sério.  Por serem cristãos, o beijo tem para eles um significado ainda maior e até diferente, caso você não seja uma pessoa religiosa: “O beijo é sinônimo de respeito e simboliza uma aliança em nós. Um beijo na presença de Deus faz com que nos tornemos apenas um”, explica Igor. Para a Nathy, o beijo também é uma questão de química: “Ele pode acender uma chama, mas também pode apagá-la. Imagina que ruim se vocês se dão muito bem, mas o beijo dos dois não se encaixa? O beijo conecta um ao outro”. O namorado concorda e vai além: “O beijo edifica o relacionamento, sendo genuíno, ele nos dá uma razão pra sermos apaixonados a cada instante, de tal maneira como se cada beijo fosse o primeiro”.

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Nathy e Igor. Reprodução/Reprodução

4. Samanta Quadrado e Breno Viola
Breno é ator e um dos protagonistas do filme Colegas, dirigido por Marcelo Galvão. Ele conta a história de jovens com Síndrome de Down que decidem fugir de casa e se aventurar pelo mundo. Foi nos bastidores das gravações que Samanta conheceu seu futuro noivo. Depois da pré-estreia do filme, aconteceu um jantar com o pessoal do elenco e foi aí que rolou. “A Samanta foi atrás de mim”, conta Breno. E, na mesma noite, rolou também o primeiro beijo: “Joguei meu blazer nas costas dela e foi quando aconteceu”. O casal já precisou enfrentar situações bastante preconceituosas que Samanta prefere nem lembrar: “Não quero dar detalhes, porque fiquei muito incomodada”, lamenta. Breno, o noivo, dá apoio a sua companheira de vida, batalhas e ativismo: “A sociedade não está preparada para receber pessoas com deficiência. Nós somos seres humanos e todo ser humano tem direito de beijar. Eu posso beijar a Samanta em qualquer lugar”, garante. Não é só um  beijo, mas um mundo de novas descobertas, sensações e quebras de antigos tabus.

Sá e Breno. Reprodução/Reprodução

5. Ana Laura Lucchesi e Angelo Giacomini
Ana Laura e Angelo conversaram durante muito tempo pela internet, mas foi somente em uma festa à fantasia da cidade deles que o primeiro beijo aconteceu. Eles falavam sobre o efeito que as gotinhas de chuva faziam nos jogos de luz da balada e o quanto isso era bonito. Nesse momento, Angelo perguntou se podia beijá-la. “O beijo envolve muito mais que o toque dos lábios, sabe? É quando nossos olhares se encontram e nos sentimos totalmente presentes ali, com outra pessoa”, ele diz. Para Ana Laura, qualquer beijo representa afeto, até aqueles mais simples, no rosto de um familiar ou amigo. “Mas, em um namoro, vai muito além do físico. Acho importante entender que o beijo não representa só o contato entre duas pessoas, mas o sentimento de respeito e amor”, opina. Os dois estão juntos há seis meses. “Ela me lembra que não há conforto melhor que o beijo dela, mesmo que outras mil coisas estejam rolando ao nosso redor”, Angelo conclui.

Ana Laura Lucchesi e Angelo Giacomini. Arquivo Pessoal/Reprodução

6. Júlia Bortoleto e Ana Giullia Cecotte
Júlia é estudante de Jornalismo e Ana Giullia cursa Relações Públicas. As duas estudam na mesma faculdade, mas foi em um campeonato de futebol organizado pelos alunos que a história delas surgiu. Mas, ao contrário da maioria das histórias de casais, a delas começou exatamente no primeiro beijo. Sem conversa nem nada; o beijo iniciou tudo. “Primeiro beijo, primeira ligação, primeira conexão, primeira conversa. Várias primeiras vezes juntas em uma só”, Júlia conta. Ela, que sempre amou as sensações únicas e novas das “primeiras vezes”, já tinha certeza de que queria ter a segunda vez antes mesmo de ir para casa e mandar a primeira mensagem para Ana Giullia. “Até hoje eu não entendo como, em cada beijo, eu sinto essa sensação de novo. Mas, com ela, sempre vem uma nova, como se toda vez fosse uma primeira vez diferente. Talvez nosso beijo seja uma das nossas maiores conversas, onde nos conectamos de verdade”, diz. Para Ana Giullia, o beijo é uma representação cotidiana de tudo que ela sente pela Júlia e vice-versa. “O beijo é início e fim. É acalanto. É paz. É carinho. É respeito. É símbolo. É resistência. Minha namorada me ensinou que o beijo pode ser muita coisa. Me ensinou que não há nada tão ruim que o beijo dela não resolva. Nem nada tão bom que o beijo dela não melhore”, diz. Elas já estão juntas há oito meses. “O beijo foi o começo de tudo que criamos. Por isso, eu sempre sinto vontade de entregar para ela todos os beijos que eu ainda não dei”, Júlia completa.

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Ana Giullia Cecotte e Júlia Bortoleto. Arquivo Pessoal/Reprodução

7. Cibel e Alberto Santini
Foi em um baile na Casa Portugal, em 1959, que Cibel e Alberto se conheceram. A primeira dança do casal foi Moonlight Serenade, do Glen Miller. Faz 55 anos que isso aconteceu. O casal já comemorou as Bodas de Ouro e agora segue rumo às Bodas de Diamante. Mas será que depois de tantos anos juntos, o beijo continua sendo algo importante? Para Cibel, de 73 anos, e Alberto, de 75, sim. Mas eles garantem que ele muda com o tempo: “É igual e diferente, porque, depois de tantos anos, tudo fica mais terno e carinhoso. Quando se é jovem, se tem muita inquietude. Já na velhice, os instintos são outros, muito mais carinhosos”. O beijo no parâmetro social também mudou com o tempo. Se hoje é comum ver pessoas se beijando em lugares públicos, antigamente não era bem assim… “Os tempos eram outros, havia muito mais discrição, as pessoas eram mais reservadas. Tudo era muito regrado e não existia isso de ficar se beijando em locais públicos, na frente de todo mundo. Nunca fizemos isso”, conta Cibel. Um beijo pode transmitir muitos sentimentos, mas talvez esses sentimentos e a forma como eles são transmitidos sejam diferentes para um casal de idosos, que está junto há mais de 50 anos, e para um casal de adolescentes, que está namorando há poucos meses. “Não sei se é como a primeira vez, mas temos que aproveitar, pois não sabemos quando será a última”, garantem os eternos apaixonados.

Cibel e Alberto. Reprodução/Reprodução

E então, será que é “só” um beijo mesmo? <3

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