Diariamente, quase 90 mulheres são agredidas pelos maridos em São Paulo

Levantamento mostra que, em média, são 3,6 casos por hora; taxa de feminicídio também aumentou em 76%.

Por Amanda Oliveira - 25 Maio 2019, 10h00

Lá na primeira semana de 2019, a CAPRICHO fez uma matéria com dados de um levantamento que mostravam que o Brasil já registrava mais de 10 casos de feminicídio com apenas 7 dias do ano. O crime, que só foi considerado hediondo por lei em 2015, cresceu cada vez mais nos últimos anos. Com as estatísticas da primeira semana, por exemplo, a triste previsão era de que o ano de 2019 seria palco para um aumento ainda maior das taxas de feminicídio e violência doméstica no Brasil. E essa previsão, de fato, se concretizou.

Por dia, 88 mulheres são agredidas por seus maridos e ex-companheiros em São Paulo. markgoddard/Getty Images

Um novo levantamento, realizado pelo G1, aponta que, em 2019, os números de crimes de lesão corporal por violência doméstica contra mulheres já são 14% maiores do que nos últimos três anos em São Paulo. E ainda nem chegamos na metade do ano. Os dados foram obtidos com base nas informações da Secretaria de Segurança Pública via Lei de Acesso à Informação.

Nos três primeiros meses de 2019, foram registradas 7.907 ocorrências de lesão corporal no âmbito de violência doméstica. Em contrapartida, durante o mesmo período de tempo, foram 4.000 casos no primeiro trimestre de 2016. De acordo com o levantamento, 88 mulheres foram agredidas por dia por seus maridos, namorados ou ex-companheiros de janeiro até agora. Isso significa, em média, 3,6 casos por hora.

Além disso, as taxas de feminicídio tiveram um aumento considerado grave. Somente nos três primeiros meses de 2019, foram 37 casos de feminicídio. O mesmo período em 2018 registrou 21. Na legislação, o homicídio é classificado como feminicídio quando envolve “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição da mulher”. No ano passado, a Câmara aprovou o aumento de pena de reclusão para o crime, sendo agora de 12 a 30 anos.

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Todos esses números são apenas dos casos que são registrados – o número real deve ser, infelizmente, ainda maior.

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