De Maju a Marcela: como a representatividade faz diferença na infância

As jornalistas Maju Coutinho e Marcela Souza provam como se enxergar no outro, e este ter papel de destaque, é tão importante na vida de meninas negras.

Por Isabella Otto - Atualizado em 29 jun 2020, 18h06 - Publicado em 4 dez 2019, 15h00

Após viralizar em um vídeo em que “se via” em Maju Coutinho, âncora do Jornal Hoje, da Rede Globo, a pequena Maria Alice, de 2 anos, do Piauí, finalmente encontrou a jornalista com quem tanto se identifica. O encontro repercutiu na internet, que se derreteu toda pela sinceridade e fofura da bebê.

TV Globo/Reprodução

Fátima Bernardes foi quem proporcionou o encontro e o transmitiu em seu programa matinal. “Eu cresci sem ver meu cabelo na televisão, era muito raro a gente se ver. Hoje em dia, quando eu vejo uma Maria Alice com o cabelo crespo, cacheado, e assumindo numa boa, já valeu“, disse Maju, que, durante a infância, intercalava entre fazer tranças e alisar o cabelo: “não tenho nada contra o cabelo liso, mas conseguir me ver numa revista [Raça Brasil] foi fundamental”.

Um caso parecido aconteceu no Paraná, com a âncora do jornal Meio-Dia PR Noroeste. No último Dia das Crianças, em outubro, rolou o encontro entre a Marcela Victoria, de 9 anos, e a jornalista Marcela Souza. Além de se sentir representada fisicamente pela profissional, Marcela conta que se inspira nela para se tornar jornalista no futuro. Ela até já fez uma participação do noticiário! Legal demais, né?

RPC/Reprodução

Casos como o da Maju e Marcela, ou da Maria Alice e Marcela Victoria, mostram o quão importante é a criança se sentir representada já na infância, não só dentro de casa, mas na sociedade como um todo. Para meninas negras, isso faz ainda mais diferença, já que o racismo no Brasil é estrutural e um problema, além de social, econômico. Segundo um levantamento realizado neste ano pelo Instituto Ethos, apenas 6,3% dos negros do país ocupam cargos de gerência ou destaque em empresas, mesmo que eles representem mais da metade da população brasileira. Nesse número, a minoria nos altos cargos é do sexo feminino. “Isso é um somatório de fatores que estão na raiz das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho em que as mulheres negras acumulam os piores indicadores”, justifica Ana Carolina Querino, representante da ONU Mulheres.

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Faz toda a diferença, sim. É representatividade, empoderamento e recuperação da autoestima.

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