Carol Barcellos: o lugar das garotas no jornalismo esportivo

No papo, a jornalista abre o jogo sobre como se envolveu na profissão e os caminhos para quem quer seguir seus passos.

Lugar de mulher é onde ela quer. E cada vez mais temos jornalistas mulheres na área esportiva. Legal, né? Mais uma conquista! E pra falar disso e da carreira jornalística na televisão conversamos com a Carol Barcellos, repórter a apresentadora da TV Globo, direto da Feira Guia do Estudante.

 

Você sempre quis fazer jornalismo?

Na verdade, não! Eu tinha muita dúvida entre jornalismo, economia e direito. No fim eu escolhi o jornalismo para trabalhar na área de econômico, que era uma coisa de que eu gostava. Eu cheguei até a fazer alguns cursos relacionados, mas, no fim, acabei não seguindo, né?

Como você foi parar no jornalismo esportivo?

Foi meio por acaso. Estava concorrendo a uma vaga de estágio na Globo para jornalismo econômico, que era o que eu queria mesmo, mas a vaga que tinha disponível era no esporte e os recrutadores acharam que era mais meu perfil. Pelo jeito eles acertaram! Aquela era a chance que eu tinha na época, precisava trabalhar, queria trabalhar e resolvi tentar e as coisas foram acontecendo.

Você sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher e trabalhar com jornalismo esportivo, que é uma área ainda muito masculina?

Eu não sei se eu sempre me protegi, mas eu não senti muita resistência nisso, para falar bem a verdade. Ainda é uma área muito masculina, apesar de ter várias mulheres no esporte, principalmente na Globo, que é onde eu convivo. Nunca achei que isso me atrapalhou em nada, não. Acho que de uma forma geral isso atrapalha a gente, mas é na sociedade inteira. O que é mais importante é que eu não tento fazer a cobertura como um homem, porque não acho que precise disso para ter credibilidade, faço do meu jeito, uma mulher que fala e entende de esporte.

Você teve alguma inspiração para fazer jornalismo?

Eu sempre tive uma relação com o trabalho que tem pessoas que eu admiro, mas eu nunca quis ser igual a ninguém. Acho importante que a gente deixe nossa marca com o nosso jeito natural de ser, sem tentar copiar o de ninguém. Lógico que eu tenho pessoas que eu admiro, como o Caco Barcellos – que não é meu pai e muita gente tem certeza disso –, a Glenda Kozlowski, Pedro Bial, que é um baita jornalista e ninguém lembra dele assim, só como apresentador do Big Brother Brasil.

Você tem alguma dica para quem quer fazer jornalismo?

A dica que vale para qualquer carreira, que é correr atrás. Acho que toda conquista vem de muito estudo, batalha, tem que abrir mão de muita coisa, mas que, no final, quando você chega onde quer, todo o esforço vale a pena. Não acredito nessa coisa de talento inato, tudo vem pelo trabalho.

O que você diria para aqueles que querem a mesma área que você?

Para seguir na TV, você precisa amar todo o universo dela, esquecer um pouco da parte do glamour que é estar em frente ás câmeras e lembrar que, por trás de tudo aquilo, existem horas de gravação, estudo e preparação. Lógico que a parte final que vai ao ar é bem importante porque é aquilo que você mostra para o público, mas não pode se esquecer do resto. Acho importante também buscar a naturalidade, tentar falar com o público da mesma maneira que você fala normalmente e ser você mesmo em frente à câmera.

Qual foi sua maior realização na área?

Eu ainda quero muita coisa, mas o Planeta Extremo e a Olimpíada foram duas coisas que me deram muito prazer em fazer. Acho que, quando você une a necessidade de trabalhar com a paixão por aquilo que você faz, muitas coisas ganham um valor especial.

De onde surgiu a ideia do programa Planeta Extremo?

Não teve muito uma ideia, aconteceu. Eles me chamaram e, na época, minha filha não tinha nem um ano. Me chamaram para fazer um quadro no Esporte Espetacular chamado Folego Máximo, que tinha algumas semelhanças com o Planeta Extremo. A partir daí, as coisas foram acontecendo, fiz umas três reportagens para eles, o resultado foi legal e eles resolveram que o quadro viraria um programa.

Qual a situação mais difícil que você já passou com o programa?

O terremoto no Nepal é incomparável. Com certeza é marcante por ter sido a mais triste, mas em relação a maior dificuldade de resistência física, foi a ultramaratona do deserto do Atacama, foram 256 km que nós corremos lá e foi muito difícil. Eu não tinha conseguido treinar tanto quanto eu gostaria, mas fui na raça, com o treinamento que tinha dado para fazer.

E aí, se animou pra ser jornalista esportiva? Conta pra gente nos comentários!

 

A Feira do Guia do Estudante acontece nos dias 26, 27 e 28 de agosto, no Expo Center Norte.

Texto: Júlia Mello

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