Bolsonaro mata gays, negros e feministas em jogo chamado Bolsomito 2k18

Depois de mortos, 'os mais diferentes tipos de inimigos', conforme diz sinopse do game, viram fezes. Isso mesmo, cocôs.

Na última sexta-feira, 5, o game Bolsomito 2K18 foi lançado por uma desenvolvedora chamada BS Studios. No último domingo, 7, data que marcou o primeiro turno das eleições, ele foi atualizado. “Tentaremos implementar assim que possível novos golpes e especiais para o personagem principal”, diz informativo publicado na plataforma Steam, onde o jogo está disponível para download.

 (Reprodução/Reprodução)

O personagem principal é Jair Messias Bolsonaro, candidato à Presidência da República. No game, ele soca negros, gays, feministas e integrantes do MST até a morte. Uma vez mortos, “os mais diferentes tipos de inimigos”, como diz sinopse do jogo, viram cocôs. “Muita porrada e boas risadas”, diz frase final do resumo.

O gráfico do lançamento é inspirado nos tradicionais fliperamas 2D. Na página dentro do Steam, um tal de Xahdy responde como o desenvolvedor – ou, talvez, um eles. O usuário também tem outros nomes cadastrados no sistema, como Edmundo. O perfil é privado, como é possível ver abaixo:

 (Reprodução/Reprodução)

Até o momento em que esta matéria foi publicada, o jogo estava com 82% de aprovação. Os comentários, bastante exaltados, por sinal, enaltecem a ideia do game, apesar de criticarem a jogabilidade. Para muitos, Bolsonaro deveria ser mais forte para “conseguir dar ainda mais porrada em quem merece”.

Abaixo, selecionados alguns comentários que foram feitos na página de avaliação do jogo. Por enquanto, não vamos propor nenhuma reflexão. Apenas leia o que foi dito:

 (Reprodução/Reprodução)

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Não há como negar que o Bolsonaro é um candidato polêmico, que já deu declarações racistas, homofóbicas e machistas que foram apuradas e comprovadas. Sem entrar em questões partidárias, muitos tentam justificar tais declarações ou minimizar o peso delas mostrando outras menos ofensivas ditas pelo político. Alguns eleitores de Bolsonaro, inclusive, dizem que, muitas das pessoas que se opõem a ele, estão exagerando. Esse jogo prova, contudo, que o discurso dele está dando espaço para pessoas tratarem questões como homofobia, racismo e machismo como casuais, coisinhas que podem ser exploradas em games violentos e de mau gosto. Quer dizer, será que alguém acha que sair espancando grupos específicos de pessoas em cenários criados para serem ofensivos é de bom gosto? Será que alguém acha que é uma simples zoeirinha? Os comentários destacados nesta matéria provam justamente o contrário: as pessoas sabem o que estão jogando e concordam com o que o jogo promove.

Diversos veículos de comunicação, como o jornal Correio Brasiliense e o site UNIVERSA, entraram em contato com a BS Studios. A desenvolvedora, contudo, disse que não está interessada em dar entrevistas. A CAPRICHO procurou uma advogada para entender se a desenvolvedora poderia ser processada e se o jogo poderia ser retirado do ar.

Andressa Oliveira explicou que, caso uma pessoa se sinta diretamente ofendida pelas imagens do jogo e/ou considere que aquela imagem se refere a ela especificamente, um processo pode ser iniciado. “Ou, por exemplo, se um grupo de negros se juntar e processar coletivamente, entrando com uma ação coletiva por racismo. Racismo é crime! Comentários racistas e preconceituosos também podem e devem ser denunciados. A justiça precisa de tumulto para funcionar”, disse.

Vale lembrar que o Marco Civil da Internet é bastante vago, por isso crimes online são tão mais complicados de serem denunciados e processados. “Se fosse na Arábia ou em qualquer outro país, até teria uma lei específica, mas aqui no Brasil é muito difícil fiscalizar e regular essas coisas virtuais“, explicou a advogada.

Confira abaixo alguns dos principais cenários do game:

 (Reprodução/Reprodução)

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É interessante destacar que o jogo nem de muito longe funciona como uma homenagem, além de ferrar com a imagem dos gamers. A pergunta que não quer calar é: como defender o indefensável?

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