15 provas de que essa foi a edição mais marcante da Copa do Mundo Feminina

O Brasil não foi campeão, mas a história do futebol feminino ganhou muito nesse mundial!

Por Amanda Oliveira - 6 jul 2019, 10h02

No final de maio, antes mesmo do mundial começar, a CAPRICHO publicou um texto listando as razões que faziam a Copa do Mundo da França ser tão importante para a história do futebol feminino, principalmente para o brasileiro. Infelizmente, a Seleção Canarinho foi eliminada nas oitavas de final, mas isso não apaga a extrema relevância que esse torneio teve para as mulheres. Aliás, não só para as brasileiras! Você sabia que essa Copa do Mundo foi repleta de conquistas históricas, de recordes e até mesmo de protestos? 

Marta quebrou o recorde de artilharia nessa Copa do Mundo. NurPhoto/Getty Images

1. Primeira vez que a Copa do Mundo Feminina foi transmitida pela TV Globo
Para o Brasil, ter a Copa do Mundo Feminina transmitida pela primeira vez na história pela maior emissora de rede aberta do país foi um marco importante, mesmo que o mundial já tenha sido transmitido em outros canais abertos antes. Com a visibilidade das partidas e das atualizações nos programas diários esportivos, muita gente que assiste apenas à Rede Globo passou a olhar para o futebol feminino com mais atenção. Antes tarde do que nunca, né?

2. As marcas decidiram fazer propagandas sobre o futebol feminino
Depois de uma propaganda do Guaraná Antarctica, que criticou a falta de patrocínio da equipe feminina em comparação ao time masculino, mais marcas decidiram fazer publicidade com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo Feminina. “No ano passado, teve um monte de comerciais com jogadores e, neste ano, quase nenhum com as jogadoras. Uma vergonha, não?”, diz um trecho do comercial. Foi preciso criticar o que já era óbvio, mas, ao menos, funcionou; nesse ano, teve até mesmo empresas que liberaram seus funcionários para assistir aos jogos da Seleção Brasileira Feminina, como tantas sempre fazem quando é a masculina em campo.

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Marque seu amigo(a) e compartilhe pra todo mundo ver que o futebol feminino merece mais propaganda. Afinal, se é #CoisaNossa ter orgulho da seleção, isso tem que valer pra todas, né? #PraCegoVer O filme mostra as jogadoras da seleção fazendo clichês da propaganda para depois questionar por que elas não fazem mais propaganda, inclusive de outras marcas.

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3. Seleção da Jamaica disputou sua primeira Copa do Mundo com ajuda da filha do Bob Marley
África do Sul, Escócia, Chile e Jamaica disputaram a Copa do Mundo Feminina pela primeira vez, mas o país caribenho tem uma grande história por trás dessa estreia. Isso porque a conquista só se tornou possível quando Cedella Marley, filha do Bob Marley, se propôs a ajudar. Chamadas de “Reggae Girlz”, as jogadoras da equipe chegaram a ficar três anos sem jogar e buscando patrocínio para manter o time em atividade. Cedella, então, abraçou a causa esportiva e colocou a Fundação Bob Marley como patrocinadora oficial da equipe, tornando-se também a embaixadora global do futebol feminino na Jamaica.

4. O canto e a alegria da Seleção da África do Sul ao chegar na primeira Copa
Nada é mais emocionante para uma equipe de futebol do que chegar ao estádio para jogar a primeira partida em uma Copa do Mundo – e a Seleção da África do Sul soube exatamente como transmitir esse sentimento! Tente assistir o vídeo abaixo e não se arrepiar:

5. O canto de Cristiane depois de fazer 3 gols na estreia do Brasil
E por falar em música… No primeiro jogo do Brasil, Cristiane deu um show tanto dentro quanto fora de campo. Após fazer três gols, a atleta não só pediu música no programa Fantástico, como também cantou um trecho ao vivo! E a letra não poderia ser melhor: “qual é, qual é, futebol não é pra mulher? Eu vou mostrar pra você, mané, joga a bola no meu pé”. Confira:

6. O silêncio e o protesto de Megan Rapinoe contra o presidente Trump
Megan Rapinoe foi uma das atletas que mais se destacaram durante a Copa do Mundo Feminina – e não apenas pelo seu talento indiscutível e seus gols incríveis pela Seleção dos Estados Unidos. A jogadora, que também é ativista da causa LGBT, se tornou uma das personagens centrais do torneio ao realizar protestos silenciosos e declarar rejeição ao governo Trump, atual presidente dos EUA. Durante todo início de partida, Megan é a única jogadora da equipe que fica em silêncio e não coloca a mão no peito quando o hino nacional do país começa a tocar.

Em entrevista, Megan revelou que seu protesto em campo vem de uma luta pessoal e que o atual governo dos Estados Unidos não representa seus valores. “Como uma homossexual americana, sei o que significa olhar para a bandeira e não sentir que ela protege as suas liberdades”, disse à AP. Ela também disse que se a equipe for a vencedora da Copa do Mundo, não visitará a Casa Branca e aconselhará as colegas a fazer a mesma coisa. No Twitter, Trump decidiu respondê-la, dizendo a seleção deve ganhar o título antes de falar isso. Como resposta ou não, logo após a fala do presidente, Megan Rapinoe fez os dois gols na partida das quartas de final que eliminou a anfitriã, França, do mundial.

Megan Rapinoe protesta em silêncio durante o hino nacional nas partidas. Richard Heathcote/Equipa/Getty Images

7. Chuteira sem patrocínio e o protesto de Marta contra a desigualdade de gênero
A Megan Rapinoe não foi a única jogadora a fazer protestos durante a Copa do Mundo Feminina! Marta, nossa melhor do mundo, também trouxe à tona uma causa muito importante nesse mundial: a desigualdade de gênero no mundo esportivo. Em todas as partidas, a jogadora usou uma chuteira toda preta com um único símbolo matemático de igualdade nas cores rosa e azul. Após fazer gols, a comemoração da atacante era olhar para as câmeras e apontar para a chuteira, que carregava o desenho da campanha Go Equal. O protesto aconteceu porque Marta, artilheira eleita seis vezes a melhor do mundo, está sem patrocínio esportivo desde julho de 2018, porque o valor oferecido a ela era sempre muito abaixo do que os homens recebiam.

8. O maior número de gols em Copas do Mundo é de Marta
Sim, ninguém fez tantos gols em Copas do Mundo quanto uma mulher. E que mulher! De batom e com chuteira sem patrocínio esportivo, Marta quebrou mais um recorde e ultrapassou o jogador alemão Klose na artilharia dos mundiais. Além de ser a maior artilheira em Copas do Mundo, com 17 gols, a jogadora também é recordista em prêmios de melhor do mundo, com 6 troféus – mais do que Lionel Messi e Cristiano Ronaldo já receberam.

9. Após sete Copas do Mundo, veio a despedida de Formiga
Aos 41 anos, Formiga quebrou dois recordes: se tornou a jogadora mais velha a participar do torneio e a pessoa com mais participações em Copas do Mundo, entre homens e mulheres, somando sete edições. Na próxima Copa do Mundo, Formiga terá 45 anos e provavelmente não deve entrar em campo. É claro que sentiremos muita saudade de vê-la jogar, mas é inegável que a jogadora merece um descanso depois de tantos anos defendendo a nossa camisa. Você é uma lenda, Formiga!

10. Rolou a maior goleada da história de todas as Copas do Mundo
No dia 11 de junho, Estados Unidos e Tailândia entraram para a história com a maior goleada das Copas do Mundo, tanto entre as femininas quanto masculinas. Com um placar de 13×0, a seleção dos EUA começou a primeira rodada da fase de grupos do torneio deixando a Tailândia, que estava apenas em sua segunda participação no mundial, muito desesperançosa. Somente da Alex Morgan, uma das jogadoras com mais destaque no time, foram cinco gols.

11. Mas também teve o choro da diretora da seleção tailandesa após o 1º gol da equipe
Apesar de ter sofrido 13 gols logo na estreia do torneio, a Tailândia protagonizou um dos momentos mais emocionantes de todas as Copas do Mundo. No segundo jogo da fase de grupos, a seleção tailandesa estava levando mais 4 gols da Suécia quando conseguiu fazer o primeiro gol – e, mesmo com as goleadas, esse único gol foi capaz de fazer a diretora da seleção se emocionar. Olha só esse momento incrível:

12. Pela primeira vez, duas equipes africanas se classificaram para as oitavas de final
Outro momento histórico foi a classificação, pela primeira vez em uma Copa do Mundo Feminina, de duas equipes africanas para as oitavas de final do torneio: Camarões e Nigéria. Nenhuma das duas conseguiu chegar às semifinais, mas a conquista ficou na história! <3

13. Das 8 seleções que chegaram nas quartas de final, 5 eram treinadas por mulheres
Das 24 seleções que começaram nessa edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, apenas 9 eram treinadas por mulheres. Como sempre, elas eram minoria. Mas, à medida que o torneio foi tendo eliminações, o cenário se tornou outro: das 8 seleções que conseguiram se classificar para as quartas de final, 5 tinham treinadoras mulheres. Aliás, as duas seleções que chegaram à final do torneio, Estados Unidos e Holanda, também são treinadas por mulheres!

14. Recorde na venda de ingressos
Na verdade, a edição da Copa do Mundo Feminina já bateu o recorde antes mesmo do torneio começar. Em abril, já eram mais de 720 mil bilhetes comercializados – mais do que qualquer outra edição. Não demorou muito para a venda alcançar 1 milhão de ingressos vendidos! Que sucesso O/

15. E recorde de audiência – no mundo todo!
No Brasil, o recorde foi um marco importante na história do futebol feminino, que já chegou a ser proibido por lei no país. Na decisão contra a França, foram 35.2 milhões de pessoas sintonizadas em algum canal, pago ou não, para assistir ao confronto. E essa audiência é no mundo inteiro, viu? Países como Estados Unidos, Itália, Holanda, Argentina e Espanha também bateram recordes – o que só prova que futebol feminino é, sim, interessante e atrativo!

Já podemos começar a contagem para a próxima Copa? O/

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