Marca de moda se pronuncia após ser denunciada por racismo e assédio moral

Funcionários também relataram casos de gordofobia, irregularidades trabalhistas e abuso de poder

Por Sofia Duarte 21 Maio 2019, 15h36

A empresa de moda carioca Loja Três (que possui pontos de venda no Rio de Janeiro e em São Paulo) foi acusada de racismo, gordofobia, assédio moral, abuso de poder e violação dos direitos trabalhistas por meio de relatos de seus funcionários, em reportagem do Universa divulgada na última segunda-feira (20/5).

Segundo o site da UOL, denúncias anônimas já tinham sido feitas ao Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro, o que resultou na abertura de dois inquéritos civis para investigar a Loja Três, que foi notificada, mas “não se mostrou disposta a conversar sobre o assunto”.

Um relato da matéria, por exemplo, afirma que a empresa teria orientado uma atendente a tirar suas tranças do cabelo: “Dizem que são uma marca que abraça a diversidade, que respeita os outros, mas isso não acontece lá dentro”, contou a ex-vendedora. Outra denúncia sugere posicionamentos gordofóbicos da dona da loja:Eu sabia que se eu selecionasse uma menina acima do peso ela ia recusar. Ela dizia que não contrata quem não entra na roupa dela”, explicou uma ex-funcionária.

https://www.instagram.com/p/BxstVxHh5de/

Contatada pelo Universa, a empresa negou as acusações e disse que preza pela diversidade. Mas a repercussão do caso foi tanta que muita gente começou a cobrar um posicionamento público. Comentários como “lamentável”, “tristeza”, “vergonha” e “decepção” apareceram no Instagram da loja, e o silêncio praticamente já não era uma escolha.

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Foi então que veio o pronunciamento. Entre outras coisas, a marca disse: “A maior parte das denúncias que lemos na matéria são anônimas e dizem respeito a fatos que desconhecemos, o que dificulta a sua necessária apuração e o importante diálogo com as pessoas envolvidas. Nosso apreço pela diversidade nunca foi de fachada, como agora nos acusam. Vale esclarecer que as alegações não foram oficializadas pelo Ministério Público e tampouco recebemos qualquer prova dos graves fatos veiculados.”

No entanto, a maior parte do público continuou contrariada. “Coragem”, “tá feio demais”, comentaram as pessoas. Até ex-funcionários da loja responderam. “Não participei da matéria, mas sou prova viva de tudo o que vocês me fizeram passar dentro dessa loja”, afirmou um deles.

  • A cantora Mahmundi, que já havia trabalhado com a marca, também falou sobre o assunto em seu Instagram: “O racismo nesse país é estrutural, bem articulado, cheio de nuances. Me sinto feliz e orgulhosa de ver mulheres denunciando maus tratos, tendo voz para expor violências verbais diárias“, escreveu.

    https://www.instagram.com/p/BxsPsUunaCN/

    Que situação triste, né?!

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