Lover, o sétimo álbum de Taylor Swift, é sincero como viver um romance

Estilos musicais: Pop
CAPRICHO
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Sincera, vulnerável, mais madura e muito apaixonada. É assim que vemos Taylor Swift em seu sétimo álbum de estúdio que, pela primeira vez, pertence a ela. As 18 músicas do Lover passeiam tanto pelo pop quanto pelo country, relembrando as eras e as raízes de Taylor. 

Paper Rings, por exemplo, poderia facilmente pertencer ao Speak Now, com a vibe country que conhecemos e amamos. As batidas são animadas, com o violão mais aparente, e a composição é mega romântica. “Eu gosto de coisas brilhantes, mas casaria contigo com anéis de papel, eu odeio acidentes, exceto o que nos trouxe de amigos para isso”. Será que vem casamento por aí? Se depender de Lover, a faixa 2, já temos até os votos da cerimônia! A balada romântica nos faz pensar em como é bom se apaixonar pela pessoa certa. 

The Archer, a famosa faixa 5, soa como um dream pop. A música é quase uma autocrítica, mostrando o lado mais vulnerável de Taylor, em que ela reflete sobre a sua própria personalidade e o efeito que tem nas pessoas ao seu redor, “procurei pelo seu lado sombrio, mas e se eu estou bem aqui?”. A batida vai crescendo com o som do sintetizador e um nunca, de fato, explode. Pelo contrário, ela acaba repentinamente.

I Forgot That You Existed é uma boa abertura já que fala sobre deixar problemas e dramas para trás, assim como You Need To Calm Down manda uma mensagem sobre a rivalidade e o ódio que são espalhados na internet. London Boy também conta com uma vibe mais leve e tem um interlude de Idris Elba no início da música. Essas faixas têm batidas alegres e são divertidas. Assim como ME! tentou ser. 

É estranho olhar para ME! como parte do álbum, já que essa destoa das outras músicas. A parceria com Brendon Urie tem uma vibe diferente e não se encaixa no conjunto da tracklist. Cruel Summer poderia ter sido o primeiro single de divulgação do Lover. Produzida e escrita por Taylor, Jack Antonoff e Annie Clark (St. Vincent), a faixa dois tem todos os elementos necessários para ser o próximo hit de Tay. Nos diários, que estão sendo vendidos com o álbum, ela relata a felicidade de ninguém ter descoberto sobre seu relacionamento quando ele tinha apenas 3 meses e como a mídia pode ser prejudicial. “Eu não quero guardar segredos para manter você”, diz a música.

Foi aqui que pediram uma compositora? Impecável, Cornelia Street é uma música linda, da produção até a composição. Taylor revela mais detalhes sobre o início seu relacionamento secreto com Joe Alwyn, contando a história de quando alugou um apartamento em Nova York, para que os dois pudessem se encontrar, e como ficaria devastada se terminassem. “Eu espero nunca te perder, espero que isso nunca acabe, esse é o tipo de coração partido que o tempo nunca seria capaz de curar“.

Em The Man, Swift reflete sobre como seria sua carreira se ela fosse um homem. A letra toca em pontos como a desigualdade gênero na indústria, “eles não balançariam a cabeça se perguntando quanto disso eu mereço, não questionariam o que uso e se fui rude”. Ela ainda faz uma referência à Leonardo DiCaprio, dizendo que se fosse um homem, ela “seria como Leo em St. Tropez”.

É fácil identificar a mão de Jack Antonoff nas produções de Taylor e I Think He Knows é a prova disso! A música tem uma boa construção e explode no refrão, que mostra o lado confiante de Tay e Joe no relacionamento, a própria definiu como uma confiança sossegada, sem ser arrogante. Death By A Thousand Cuts também tem a marca Antonoff. A faixa é baseada no filme Someone Great com Gina Rodriguez e fala sobre a dor e a dificuldade de lidar com o fim de um relacionamento, “se nossa história acabou, por que eu ainda estou escrevendo páginas?”.

Soon You’ll Get Better é um dos pontos mais emocionantes do álbum, em que Tay desabafa sobre o câncer de sua mãe. A faixa é um country comovente, em parceria com o grupo Dixie Chicks. False God vem em seguida e, sonoramente, é uma das melhores faixas. Taylor fala sobre adoração de um amor, de forma religiosa, mesmo com os erros. Enquanto isso, Afterglow é sobre assumir esses erros, mostra a maturidade em aceitar a culpa para manter a relação quando você percebe que suas ações estão afetando outra pessoa. “Eu vivi como uma ilha e te castiguei com o silêncio“.

Desde 2017 as famosas festas de Tay para celebrar o feriado de 4 de julho acabaram. Por muito tempo, a cantora não manifestou sua posição política mas Miss Americana & The Heartbreak Prince chegou para mudar isso. Usando metáforas de ensino médio, a música é uma crítica ao atual governo dos EUA. Swift fala sobre a desilusão e a perda da glória americana com a vitória de Trump. A faixa é sobre encontrar aquela pessoa especial que, no meio do caos, está disposta a entrar na briga com você. Em questões de produção, o toque de Antonoff está presente mais uma vez e soa como algo que poderia pertencer à Lorde ou Lana Del Rey.

It’s Nice To Have A Friend conta com uma sample das crianças do The Regent Park School of Music e o dinheiro arrecadado com a música vai servir para financiar o programa da escola de Toronto. Daylight, a princípio, daria nome ao álbum e dá para entender a razão. É uma linda composição sobre se libertar e entender a essência do amor verdadeiro. Nos levando de volta ao Red, Taylor percebe que “o amor não é vermelho vibrante, ele é dourado, como a luz do dia“. A última frase do Lover define muito bem o álbum, em uma gravação de voz, Taylor revela que não quer ser definida pelas coisas que ela odeia ou as coisas das quais tem medo, porque “você é o que você ama”.

Lover trouxe de volta uma Taylor apaixonada, porém mais esperta e madura. O álbum é uma declaração de amor e não poderia ser mais puro e honesto. Ouvir Swift tão sincera em um projeto que finalmente lhe pertence é como uma brisa de ar fresco.

(Instagram/Reprodução)

    info
  • Direção: Taylor Swift, Jack Antonoff, Louis Bell, Frank Dukes e Joel Little
  • Duração: 62 minutos
  • Ano: 2019