Crítica: live-action de Aladdin é empoderado, moderno e ainda mais mágico

Gêneros dramáticos: Aventura, Família, Fantasia, Live-Action
CAPRICHO
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Confesso que quando a Disney confirmou o live-action de Aladdin fiquei superempolgada, afinal a animação é uma das minhas preferidas desde a infância. Mas então vieram os trailers e os clipes promocionais, que me deixaram com um pé atrás: eles não pareciam entregar a magia que o desenho transmitia, o Gênio de Will Smith aparentava ter sido feito com efeitos especiais dos anos 90 e os novatos Mena Massoud e Naomi Scott (que a gente já conhecia de Power Rangers) também não convenciam muito como o casal Aladdin e Jasmine.

Mas que surpresa boa foi quando assisti ao filme completo na semana passada, em uma cabine para imprensa! Ao contrário do que vem acontecendo no mundo do cinema, o trailer de Aladdin entrega poucos detalhes, permitindo que o público se emocione e se surpreenda em diversos momentos do longa.

Assim como aconteceu com Mogli, A Bela e a Fera e Cinderela, o roteiro de Aladdin segue a história de sua versão original: um jovem que vive de pequenos roubos encontra uma lâmpada mágica de onde sai um Gênio que lhe concede três desejos. Muitas cenas icônicas da animação são reproduzidas fielmente com os atores de carne e osso –, mas o live-action também traz novidades e elementos mais modernos à trama. A maior diferença vem por conta de Jasmine, uma princesa empoderadíssima que não entende por que a lei proíbe que mulheres possam se tornar sultanas e governantes de seus próprios reinos.

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Dalia (Nasim Pedrad) e Jasmine (Naomi Scott) trazem muito girlpower para o live-action de Aladdin (Daniel Smith/Disney)

A personagem de Naomi Scott ganha até uma nova música bem girlpower. Em Speechless, ela canta: “Não posso chorar e não posso me dobrar sempre que eles quiserem me calar ou me cortar. Não posso ficar em silêncio, embora eles queiram que eu fique quieta”. A gente avisa: a performance é de arrepiar! A escolha da atriz foi um pouco criticada, já que ela não é de origem árabe, mas britânica, apesar da descendência indiana. E, sim, teria sido muito legal ver uma Jasmine trazendo maior representatividade, mas também dá para entender a escolha dos produtores por Naomi: ela é talentosa, cheia de personalidade e linda.

Outra novidade que o live-action apresenta é a personagem Dalia. Interpretada por Nasim Pedrad, a ama de companhia de Jasmine é responsável, junto com o Gênio, pelos maiores toques de humor da história. A cena em que elas falam sobre casamento é impagável!

Por falar no Gênio, pode ficar tranquila porque os efeitos especiais funcionam – e muito bem! Assim como na animação, o personagem assume diversas personalidades, formas e tamanhos. Embora seja difícil superar a versão de Robin Williams do original (o ator deu voz e até inspirou algumas das feições do icônico ser azul no desenho), Will Smith adiciona pitadas interessantes, divertidas e irônicas ao seu Gênio.

E já que estamos falando sobre os atores, precisamos elogiar a atuação de Mena Massoud, o protagonista do longa. Se no trailer o Aladdin dele parecia um pouco bobo, no longa ele vem como deve ser: um malandro com bom coração, sagaz e um olhar hipnotizante. E tem mais: ele também canta e dança muito! Já somos fãs e você vai virar também. ❤

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Mena Massoud e Will Smith são um ótimo par como Aladdin e Gênio (Daniel Smith/Disney)

A música, claro, é uma parte importantíssima de Aladdin, e a trilha sonora de Alan Menken, ganhador de oito estatuetas do Oscar, sendo uma delas pela icônica A Whole New World, continua mágica. Ela, assim como a trama, ganha traços de modernidade, como batidas pop em Prince Ali e até um pouco de rap e beatbox em A Friend Like Me. Já Guy Ritchie, o diretor, parece ter optado por inspirações bollywoodianas para o visual do longa. Tudo bem que a história não é indiana, e sim árabe, mas as coreografias e as cores fortes dos figurinos e dos cenários são mesmo fantásticas e nos transportam direto para Agrabah.

Se o filme tem um ponto fraco, eu diria que é o Jafar. O vilão é o mais diferente dos personagens originais e de cara não dá muito medo. Na animação, o conselheiro do sultão é expressivo e tem uma voz um tanto quanto assustadora, enquanto no live-action ele aparenta calma, é dissimulado e fala baixinho. Não que o ator Marwan Kenzari seja ruim, mas ele entrega uma visão bastante diferente do vilão caricato, que pode desagradar alguns dos fãs mais fiéis.

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Marwan Kenzari traz um Jafar mais quieto e dissimulado para o live-action de Aladdin (Daniel Smith/Disney)

De qualquer forma, o live-action de Aladdin vem para incluir mais cor, alegria e sonho tanto para os imaginários dos adultos, cuja animação marcou uma fase de suas vidas, quanto para as crianças, que talvez tenham seu primeiro contato com a lenda agora. E, ao contrário do que pode ter acontecido com algumas versões com atores~de carne e osso~, a temática empoderada justifica a necessidade de uma trama mais atualizada – e ainda mais fabulosa.

Por Gabriela Zocchi

    info
  • Direção: Guy Ritchie
  • Duração: 129 minutos
  • Recomendação: Livre
  • País: EUA
  • Ano: 2019