DZ6 sobre musical do Charlie Brown Jr.: “Representar o Chorão é um peso grande”

Chorão completaria 45 anos nesta quinta (9/4) e sua obra é lembrada no espetáculo Dias de luta, Dias de Glória - Charlie Brown Jr., o Musical

Desde o dia 13 de março, o teatro Gamaro, em São Paulo, abriga o espetáculo Dias de Glória – Charlie Brown Jr., o Musical , que homenageia a obra da banda liderada por Chorão, que estaria completando 45 anos nesta quinta-feira (9/4). O vocalista morreu no dia 6 de março de 2013, vítima de uma overdose.

No papel principal está o rapper DZ6, de Blumenau (SC), que além de cantar os muitos hits da carreira do vocalista, ainda teve que mostrar seu lado de ator no palco, emocionando os fãs do Charlie Brown Jr..

“O musical é uma homenagem de fã pra fã, eles fazem parte do musical tanto quanto a gente que está apresentando”, revela DZ6 em entrevista à CAPRICHO . “Os fãs que gostavam muito do Chorão e têm esse afeto, sentem essa saudade, com certeza vão se emocionar demais, pois se nós, que estamos protagonizando nos emocionamos, imagina quem está na plateia.”

Realizado pela S3 Produções, escrito por Well Rianc e dirigido por Bruno e Luiz Sorrentino, o espetáculo tem ainda Carolina Oliveira (no papel de Thaís, primeira mulher de Chorão) e Patricia Coelho (Gabriela, representando os “amores de Chorão pós-fama”). Ele fica em cartaz no Teatro Gamaro (Rua Dr. Almeida Lima, 1176 – Mooca, São Paulo) até o dia 12 de julho. Saiba um pouco mais sobre o musical no papo que tivemos com DZ6:

CAPRICHO – Aceitar o papel de Chorão no musical pode ser considerado o maior desafio da sua carreira?

DZ6 – Com certeza encarar o papel do Chorão foi o maior desafio da minha carreira. Devido ao peso do personagem e todo peso que os fãs têm, pois são fãs fervorosos, tem toda essa questão que a gente precisa manter pelo menos um nível e um coração na coisa, pra que ele ande de forma verdadeira. Fã do Charlie Brown Jr. é muito de cobrar verdade, sinceridade. Pra mim, é igual ao pessoal do rap, já estou acostumado a lidar, mas com certeza representar o Chorão para o Brasil todo é um peso gigantesco, um peso que eu estou encarando com o maior orgulho e a maior responsabilidade do mundo.

Como você se preparou para viver o Chorão em Dias de Luta, Dias de Glória?

O musical culminou com um trabalho que eu já estava fazendo há dois anos, pois eu já vinha com um tributo ao Charlie Brown Jr. com a minha banda, então na parte musical eu já estava bem amaciado, vamos dizer assim, eu já estava bem afinado, bem certinho, mas é claro que teve toda uma preparação para o lado ator, a parte de atuar passou por um processo de aprendizado, com coaching de interpretação. E teve também o filho do Chorão [Alexandre], que participou bastante da construção do personagem e foi indicando para onde ele deveria ir, pelo fato de ter tido uma relação mais próxima com o pai dele, tudo ajudou bastante. E foi isso, tivemos toda a base preparatória para chegar lá e fazer. Tenho certeza que se o filho do Chorão aprovou o personagem é porque a gente chegou onde queria chegar.

Qual a participação da família do Chorão, principalmente do Alexandre, na montagem e roteiro do Dias de Luta, Dias de Glória ?

A participação da família foi basicamente através do Xande [filho do Chorão]. Eu tive contato com outras pessoas, o que me serviu também de escola, mas para o musical, o principal ali, ditando o caminho que a gente poderia tratar o personagem, foi mais pelo filho dele mesmo, ele que foi lá mais vezes, assistiu alguns ensaios e participou da escolha do casting para o elenco. Ele acabou ficando mais em cima para que tudo andasse como era pra ser.

Parte da família criticou o roteiro do musical quando ele estreou. O que você acha disso? Chegou a falar com a “parte descontente”?

Quanto a esse lance da família, de alguma parte ter falado, provavelmente foi por desinformação, porque o musical se baseia em uma história que todos conhecem. É uma história pública do Charlie Brown Jr., todos os fatos ali são públicos, o musical não está trazendo nada de muito novo, tentando mostrar uma coisa que ninguém sabia da vida do Chorão. Ele é baseado na história que todos sabem, então se é assim eu acho que não tem porque ter críticas. Isso é uma homenagem e quando se presta uma homenagem a alguém tão querido, como a gente faz, que é muito de coração, acho que fica irrelevante isso tudo. O importante é a homenagem estar rolando e a gente estar feliz pra caramba de fazer, independente das divergências, porque assim como a vida do Chorão foi divergente e conturbada com relação à família, da mesma forma o musical está sendo, mas isso estamos fazendo de coração, com a nossa verdade.

Você tem recebido resposta dos fãs da banda? O que eles te falam quando assistem ao musical?

Sim, eu ando recebendo respostas dos fãs, mas isso vem desde a época do tributo com a minha banda, porque já tem um tempo que a gente vem trazendo essa fidelidade, com certeza a galera e os fãs percebem que é uma coisa real, até porque eu vivo da música, eu corro atrás de viver dela há bastante tempo e sei como são as dificuldades, sou também líder de uma vertente musical que é suburbana, faço rap há 15 anos, então todas essas dificuldades eu também tenho e tive. Acho que as pessoas percebem isso, veem no olho que o cara não está ali só copiando alguém que eles gostam. Então, a resposta que eu tenho dos fãs é a melhor possível, em todos os sentidos… Dificilmente algum fã ataca ou acha que não é verdadeiro. Ou que não chegou no nível profissional que o Chorão levava. Estamos tendo uma resposta bem legal dos fãs, bem legal mesmo.

Hoje, dia 9 de abril, Chorão estaria completando 45 anos. Vai rolar alguma homenagem especial pela data? O que ela representa pra você?

A produção do musical preparou algumas ações comemorativas, uma delas acontece na sessão de sexta [10 de abril). Quem doar 2kg de alimento para a instituição Santa Fé, ganha um ingresso. O Chorão era um cara de coração bom, ajudava muita gente e a iniciativa é especial. Mas a minha homenagem pra ele foi e é toda a dedicação, caráter e responsabilidade com o personagem, para deixar agradável aos fãs. Hoje o que eu lembro do Chorão são coisas boas. A que é difícil ficar pensando só nas ruins diante de um legado gigante que ele deixou, eu sempre vou lembrar com felicidade desse cara que se foi do planeta Terra, mas me deixou uma oportunidade de crescimento, não só profissionalmente, mas também moralmente, culturalmente e musicalmente. Todo esse legado do Chorão me deixa tão feliz que eu acabo me esquecendo que ele partiu, porque tudo que ainda tem dele aqui na terra é tão valioso, tão palpável, que parece que ele não foi embora, e de uma forma ou de outra ele não foi mesmo, o legado dele é a prova da vida dele.

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