CH Entrevista: Lagum joga Quem É Mais Provável e fala sobre novo álbum

A banda revelou suas músicas preferidas de "Memórias (de onde eu nunca fui)" e comentou homenagem feita a Tio Wilson

Por Sofia Duarte Atualizado em 30 jan 2022, 18h02 - Publicado em 30 jan 2022, 18h01

Memórias (de onde eu nunca fui), novo álbum da banda mineira Lagum, traz 10 músicas cheias de energia e maturidade que abordam temas diferentes, como a celebração da vida, sonhos e relacionamentos amorosos. No disco, Pedro, Jorge, Zani e Chico também prestam uma linda homenagem ao baterista Tio Wilson (Breno Braga), que morreu em 2020, em especial no clipe da música Ninguém Me Ensinou. Além disso, a banda está ansiosa para sua próxima turnê, que vai rodar o Brasil e ainda terá shows em Portugal e na Inglaterra.

A CAPRICHO conversou com eles sobre esse lançamento tão aguardado pelos fãs. Confira:

CH: Quais mudanças vocês fizeram no álbum desde 2019, quando começaram a gravá-lo?

Pedro: O processo foi muito longo, porque, em 2019, a gente tinha uma mentalidade para a construção estética e para a sonoridade dele, e muita coisa aconteceu. Primeiro a pandemia, depois o falecimento do Tio. E, em meio a esses grandes acontecimentos na nossa vida pessoal e na nossa carreira, a gente não lançava um álbum por não ter uma turnê para fazer. Então, isso deu muita liberdade pra gente ficar mexendo em várias coisas. Parecia um processo interminável, mas, quando vemos agora, foi muito importante, necessário e sem arrependimentos. As músicas estão prontas há muito tempo, temos composições de 2017 e 2018, as produções mais recentes de 2019 e 2020. Tivemos a oportunidade de testar produtores diferentes, de refletir sobre o processo como um todo, e entramos nesse projeto com uma cabeça, com um nível de maturidade e estamos saindo de outro jeito. Mas não foi um processo fácil. Foi um processo maluco em tempos incertos e que sempre deixam inseguranças na gente como artista sobre a volta do contato com o público. E nós somos artistas que dependemos muito disso, porque viemos disso. A nossa primeira aparição como banda foi fazendo um show, e a gente manteve isso. A nossa maior fonte de trabalho é o ao vivo. Então, passamos esse tempo pensando: ‘O que a gente é? O que a gente faz para se manter?’. E isso impactou no nosso som no estúdio.

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CH: Por que você escolheram o título Memórias (de onde eu nunca fui)?

Jorge: Não só o título, mas a construção visual do álbum, começou no primeiro single, Ninguém Me Ensinou, que teve a construção a partir da pintura do Tio. E eu acredito que esse nome remete a esse sentimento que a pandemia trouxe para todo mundo de um tempo deslocado, de não saber ao certo em que ano estamos. A gente vinha de um 2019 forte de shows e, de repente, tudo isso foi interrompido. E o principal que a gente acreditava, obviamente num contexto sem pandemia, era vir com esse lançamento que já estava programado e continuar essa progressão cada vez mais forte, com álbum e shows, mas não foi essa a realidade. Houve um momento de incerteza e de questionamento do passado. E acho que o título abraça todas essas questões e tudo o que a gente passou nesse contexto, não só da pandemia, mas da morte do Tio, de como a gente encarou isso, como tivemos esses sonhos “interrompidos” nesse período e como a gente anceia viver os frutos que esse trabalho vai proporcionar. O título vem para amarrar isso tudo.

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CH: Como vocês pensaram em incluir uma homenagem ao Tio Wilson de alguma forma no álbum?

Zani: É uma coisa que ele fez parte. Nada mais justo do que ele estar aqui junto com a gente, sendo representado nesse álbum. Todas as baterias são dele. Algumas a gente produziu depois que ele morreu: Eu e Minhas Paranoias, Veja Baby e Playground. E ele está ali, então é uma coisa que faz muito sentido pra gente.

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CH: Se fossem escolher uma música preferida do álbum, qual seria?

Chico: Eu Não Vou Falar de Amor é a música que eu mais gosto, tem um flow bem legal, o final dela sobe… É a minha preferida!
Pedro: Eu fico em dúvida, é difícil você perguntar para os seus pais quem é o melhor filho (risos). Gosto muito de Eu Te Amo, Playground e Festa Jovem. Eu acho que vou falar Eu Te Amo.
Jorge: A minha é Não Vou Falar de Amor, e eu fiquei ainda mais feliz com ela porque a versão que estamos preparando para tocar ao vivo está destruidora. Então, pra mim, o que era bom ficou melhor ainda (risos).
Zani: A minha preferida é Festa Jovem, mas depende muito de onde você está, o que você está fazendo… Tipo, pra cozinhar, Festa Jovem é boa, já testei. Mas, ao vivo, que é uma coisa diferente, Eita Menina é uma das que me surpreendeu muito.

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CH: Como foi fazer as parcerias do álbum com Emicida em Descobridor e L7NNON e Mart’nália em Eita Menina?

Pedro: Foi bem natural o processo, no sentido de que, quando a gente viu, já tinham pessoas na música. Com o Emicida, a música já estava pronta, e talvez seja a composição mais antiga do álbum. Sempre que a gente ouvia o álbum inteiro, parecia que essa música faltava alguma coisa, e, quando eu vi, a nossa equipe estava em conversa com a do Emicida, e ele colocou um verso na música. A gente mandou o álbum inteiro pra ele, ele e a equipe dele escolheram essa música e ele canetou nela. Então, foi muito legal, porque a gente já tinha esse sentimento de: ‘E essa música aqui? Que estranha’, é a música mais diferente do disco, e, quando entrou o Emicida, falamos: ‘Era isso que estava faltando no nosso destino’. E, com a Mart’nália, eu não me imaginava cantando o refrão que ela canta, e eu pensava: ‘Não sou eu cantando isso, é alguém. Talvez alguém do samba, alguém clássico do samba’. Aí, surgiu a ideia da Mart’nália, e ela topou na hora. E, quando fomos produzir a música no estúdio, o Papatinho deu a sugestão de colocar L7NNON na música e deu certo. Então, parece que essas parcerias foram coisas mágicas do destino que foram brotando.

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CH: O que vocês esperam da volta dos shows e da próxima turnê que vão fazer no Brasil e em alguns países da Europa?

Jorge: O que a gente mais espera é realmente poder voltar no melhor momento, num momento de certeza maior, isso é uma das principais questões. Mas, musicalmente, acredito que é mostrar as músicas novas, ter a oportunidade de tocá-las ao vivo e mostrar como estão os arranjos. Músicas antigas tiveram algumas alterações na forma de tocar, na conexão que fazemos entre elas. E está rolando um trabalho muito grande em relação à luz e aos efeitos, que fazem toda a diferença, enriquecem o show e entregam uma experiência completamente diferente do que já entregamos até hoje. Então, essa é a principal força que a gente tem e queremos mostrar para o mundo, que é esse espetáculo todo. Tanto as músicas, como o visual, o LED, tudo, e entregar uma coisa muito consistente, poder rodar com isso e chamar isso de nova turnê, a turnê que honra o Tio e esse álbum.

Agora, aproveite para assistir ao jogo “Quem É Mais Provável” que a CH fez com a Lagum:

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