O que são as chamadas “fake news” e como identificá-las em ano de eleição

4 em cada 10 adolescentes brasileiras não sabem como identificar as notícias falsas.

Por Amanda Oliveira, Andréa Martinelli Atualizado em 28 abr 2022, 09h17 - Publicado em 28 abr 2022, 06h00
Às vezes, você pode nem perceber a presença delas, mas as fake news estão cada vez mais comuns.
Às vezes, você pode nem perceber a presença delas, mas as fake news estão cada vez mais comuns. Getty Images/Getty Images

Você provavelmente já deve ter visto algumas notícias suspeitas sendo compartilhadas nas redes sociais e até em grupos do WhatsApp. Na maioria das vezes, elas sempre têm um tom político ou que instiga o emocional. Às vezes, você pode nem perceber a presença delas, mas as fake news estão cada vez mais comuns na internet.

No projeto editorial #CHnaEleição, já te contamos como o seu repost no Instagram pode eleger um presidente e demos dicas para que você use as redes sociais com consciência. Mas agora, neste texto, vamos te explicar que as notícias falsas que circulam não são tão fáceis assim de identificar, ainda mais em ano eleitoral.

Isso acontece, de modo geral, porque muita gente não confirma a veracidade da informação antes de passá-la adiante e quem produz informação falsa está cada vez mais profissional.

 

Pesquisa recente, realizada pela Plan International, aponta que entre ao menos quatro de cada dez adolescentes brasileiras não sabem ao certo como identificar as notícias falsas nas redes sociais, aplicativos de celular e sites. Destas, 6% não sabem diferenciar uma notícia falsa de uma verdadeira e 56% dizem que conseguem identificar quando se deparam com desinformação online.

De acordo com um levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas compartilham notícias falsas somente nas redes sociais. É muita gente e, por isso, importante tomar cuidado e não cair em armadilhas.

A Capricho reuniu 5 pontos importantes para você entender melhor o tema – e aprender a fugir de notícias falsas.

1. O que são as fake news?

A tradução para fake news é literalmente “notícias falsas”. Elas são informações noticiosas que não representam a realidade, por mais que tentem fingir que sim. Elas são compartilhadas na internet, principalmente pelas redes sociais.

O objetivo de uma fake news costuma seguir o seguinte roteiro: criar uma polêmica em torno de uma situação ou pessoa; utilizar um teor extremamente dramático, apelativo e polêmico; atrair atenção das massas, principalmente em grupos considerados mais vulneráveis ou desprovidos de senso crítico.

Assim, os conteúdos falsos podem servir como uma ferramenta tanto para ajudar a imagem de alguém ou prejudicar. É isso que costuma acontecer em contextos eleitorais. Notícias falsas são usadas para melhorar ou piorar a reputação de determinado candidato, influenciando potenciais eleitores.

2. Mas, como identificá-las?

A primeira coisa que você deve fazer quando encontrar uma notícia suspeita na internet é checar as fontes. Antes de acreditar totalmente na informação, faça algumas perguntas:

Esse texto tem uma fonte confiável?

A informação contida nele está sendo reproduzida por outros veículos sérios?

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O que as ferramentas de busca estão me dizendo sobre isso?

Se a resposta não for satisfatória, significa que tem algo errado.

É preciso ter um senso crítico quando qualquer tipo de conteúdo chegar até você. Pode parecer difícil identificar fake news, mas seguindo alguns passos básicos fica fácil saber se a informação analisada é verdadeira ou não: desconfie, seja cética e pesquise. Nada de compartilhar sem checar antes, ok?

3. Compartilhar fake news é crime?

Produzir fake news já pode ser considerado crime contra a honra, mas compartilhar, ainda não.

Existem alguns projetos de em tramitação no Congresso para punir tanto quem produz as notícias falsas quanto quem as compartilha, mesmo sem intenção. Isso porque, mesmo sem querer, compartilhar estas informações indiscriminadamente pode prejudicar pessoas públicas e ou anônimas, a saúde e segurança pública e também processos eleitorais.

Há também um esforço para que provedores de internet, ferramentas de busca e de serviços e aplicativos de mensagens sejam capazes de cumprir determinações da Justiça. Ou seja, possam ser punidos, notificados por autoridades brasileiras caso alguma irregularidade seja identificada.

Além disso, parlamentares e entidades da sociedade civil pressionam por uma responsabilização das plataformas de compartilhamento de conteúdo, ou seja, as redes sociais. Afinal, é nelas que grande parte das notícias falsas circulam.

Já deu pra perceber que a discussão sobre o tema é longa, né?

4. Onde elas são mais compartilhadas?

Os principais meios para cair nas fake news são as redes sociais, como WhatsApp e Facebook, onde, em média, um terço dos latino-americanos confiam nessas plataformas online para se informarem, segundo levantamento do software Karspersky.

Sites de mídia tradicional – como Veja, Folha de S. Paulo e Estadão – , por sua vez, são utilizados por apenas 17%. Nesse aspecto, os brasileiros (33%) ficam em segundo lugar no ranking regional elaborado pela pesquisa.

5. O que as redes sociais tem a ver com isso?

Talvez você não se lembre, mas em 2018, a internet e as fake news tiveram um papel muito importante nas eleições presidenciais – e não de uma forma positiva, mas no sentido de influenciar muitos eleitores e gerar uma bipolaridade política (a famosa divisão “esquerda” e “direita”) muito maior do que antes.

Fora que essas plataformas trabalham em cima dos famigerados algoritmos, aqueles códigos que a gente não entende super bem, mas que definem o que vai aparecer no nosso feed e os tipos de conteúdos que as próprias plataformas vão sugerir para a gente, em uma tentativa de nos manter lá dentro por mais tempo.

Entender como elas funcionam – e que, sim, elas têm interesses econômicos – faz parte do processo de bom uso das redes e fuga das fake news e dos conteúdos polêmicos. Entre diminuir o alcance de conteúdos políticos como um todo (e não barrar as fake news, especificamente) e estimular um alto número de cliques e engajamentos, elas quase que colaboram para um sistema nocivo e coloca a gente cada vez mais distante da política de verdade e mais perto das brigas e discussões rasas e que não chegam a lugar nenhum.

6. Devo desconfiar dos candidatos, então?

Sim. A maneira como os políticos e candidatos usam as redes sociais para disseminar informações importa – e muito. Porque é nelas que a gente passa boa parte dos nossos dias, onde a gente se informa sobre o mundo, acompanha os acontecimentos globais e até locais, do nosso entorno. E ficar refém de informações que não são confiáveis é muito mais fácil do que parece e este engajamento pode eleger alguém, como já te explicamos.

7. Como consumir informação de qualidade, então?

A dica principal é se fazer uma pergunta fundamental: qual é a fonte dessa informação? Esse conteúdo está me ensinando algo de útil ou gerando uma polêmica? Se for o segundo caso, faça como no Tinder e dê um bom “swipe left” – é bem provável que esse conteúdo só queira cliques e engajamento, sem qualquer desejo genuíno de gerar consciência política nos usuários da rede em questão. Mas também é importante ler todo o conteúdo, verificar a origem, pesquisar os autores do texto ou postagem, pesquisar por outras fontes de informação e ah, confira sempre a data de publicação da notícia.

Ah, e se você ver alguém compartilhando fake news, avise e compartilhe links confiáveis. Nada de propagá-las por aí, hein?

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