‘Sou mulher, trans e desfigurada’: o relato que emocionou a web

Ao falar sobre sua condição de mulher trans com Síndrome de Crouzon, a britânica Mike encoraja e inspira milhares de pessoas.

Por Isabella Otto Atualizado em 25 jun 2018, 19h44 - Publicado em 3 abr 2018, 12h40

Um relato em especial chamou a atenção no Dia Internacional da Visibilidade Trans, que aconteceu no último domingo, 31. Aos 27 anos, Mike abriu o coração no Twitter e contou mais sobre sua vivência como uma mulher transexual. “Eu sou uma mulher. Eu sou uma mulher trans. Eu sou uma mulher trans desfigurada“, escreveu na rede social.

Reprodução/Reprodução

Quando criança, a britânica foi diagnosticada com Síndrome de Crouzon, uma rara doença que causa deformidades no crânio e nos olhos, e pode causar problemas de audição, dificuldade de aprendizagem e alterações comportamentais. Não há um tratamento específico para a síndrome de herança genética, mas é possível se submeter a procedimentos cirúrgicos e fazer acompanhamentos médicos, como com um fonoaudiólogo, por exemplo, caso a fala seja afetada. O bullying talvez seja o maior obstáculo dessas pessoas, agora tente se imaginar, por um segundo que seja, na pele de Mike quando adolescente.

  • “Minha maior vocação é o ativismo em prol de quem tem alguma deformidade”, contou a jovem, que ainda hoje precisa lidar com olhares e comentários maldosos. “Estou aqui para ser um modelo de sobrevivência“, afirma.

    A britânica estuda música e atualmente está escrevendo a trilha sonora para um musical de teatro. Nas horas vagas, ela gosta de jogar video games, ler, comer e viajar. Mike também conta que é uma mulher trans de gênero não completamente binário. Ou seja, ela não liga de ser chamado por “o” ou por “a”.

    O depoimento da britânica emocionou justamente por sua simplicidade. Apesar das inúmeras dificuldades e do preconceito diário que Mike enfrenta, ela não desanima nem trata sua síndrome como algo que a torna menor como pessoa. “E vocês querem saber de uma coisa, haters? Eu tenho uma namorada que me ama como mulher trans desfigurada e que tira fotos que mostram o quão bonita eu sou ao seus olhos”, escreveu no Twitter.

    Instagram/@guysmiley22/Reprodução

    O relato de Mike serviu de inspiração para que outras pessoas começassem a contar suas histórias na rede social, que se transformou em um verdadeiro banco de desabafos motivacionais. Mike, além de inspirar inúmeras pessoas, mostrou que a internet pode ser, sim, um espaço de representatividade e tolerância.

    Que bom seria se fosse sempre assim, não?

    Continua após a publicidade
    Publicidade