“Relações heterossexuais ainda tendem a ser vistas como mais válidas”

A ex-integrante da Galera CAPRICHO, Isa Bruder, lança seu primeiro single, "Close To Her", sobre entender seus sentimentos por uma menina

Por Isabella Otto - Atualizado em 31 jul 2020, 16h41 - Publicado em 2 ago 2020, 10h08

Faz cinco anos que a Isa Bruder participou da websérie Galera CAPRICHO: A Seleção e levou o 1º lugar na categoria “Música”. Hoje, aos 21 anos e estudando em Nova York, ela realiza o sonho de lançar seu primeiro single de trabalho, Close To Her. Em entrevista para a CAPRICHO, a cantora, apaixonada pela Katy Perry, fala sobre suas principais referências e como foi o processo de produção da música.

Divulgação/Barbara Marcantonio/CAPRICHO

“Ela foi escrita de uma forma bem orgânica. Eu estava com minha amiga no quarto, falando sobre meus sentimentos, e a letra veio das imagens e experiencias que eu descrevi“, explica Isa, que sempre dançou ballet e acredita que, mesmo que inconscientemente, tenha se inspirado na primeira cena de O Quebra-Nozes.

O maior desejo da artista era que a canção fosse honesta e autêntica, sem perder a qualidade pop. Close To Her também é uma espécie de desabafo e ajudou a cantora a entender seus sentimentos por uma menina. “Durante a conversa com minha amiga, falei que me sentia como se todo mundo estivesse numa festa e eu estivesse olhando de fora, pela janela. Sinto que relações heterossexuais ainda tendem a ser vistas como mais válidas, enquanto às pessoas LGBTQIA+ não é dado o espaço para viver o amor sem serem questionadas ou diminuídas. Por isso, a imagem de estar trancada para fora”, explica.

A recepção da música foi incrível, principalmente em Nova York, onde Isa acredita que as pessoas sejam mais confortáveis em ter conversas sobre sexualidade. “Acho que ela foi recebida de forma mais aberta e direta(…) Como uma artista independente, sem uma gravadora ou um time de pessoas ajudando com o lançamento, são muitas coisas para planejar e executar ‘sozinha’. Digo sozinha entre aspas, porque, mesmo sendo a idealizadora do projeto, meus amigos me ajudaram escrevendo e produzindo a música, com o vídeo e no geral. De qualquer forma, sou eu quem cria o conceito, dirige o branding, o plano de roll-out, do lançamento da música e tudo mais! É complicado mas divertido ao mesmo tempo”, garante a jovem.

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A “cidade que nunca dorme”, cenário icônico de filmes e séries, como Gossip Girl, teve um papel importante na descoberta de Isa Bruder como uma mulher lésbica. “Acho que faz parte de ter 21 anos questionar seus pensamentos e sua identidade, independentemente de onde você mora. Mas estar em NY, que é uma cidade tão diversa e cheia de oportunidades, tem certamente ajudado a expandir minha visão, tanto de mim mesma quanto do mundo ao meu redor. Acredito que eu esteja no caminho para me tornar quem eu quero ser, e também superanimada para continuar essa evolução pessoal e musical“, conta.

Hoje, a jovem cantora conta que a 1ª vez em que se sentiu como uma profissional foi participando da websérie da CH. “Eu lembro até hoje de entrar naquele auditório nervosa mas feliz de finalmente ter uma oportunidade de fazer o que eu sempre quis. Participar da websérie também abriu várias outras portas para mim”, garante a brasileira, que vê a música como uma espécie de terapia. “Ela sempre foi uma parte essencial da minha vida e da minha saúde mental. Acho importante lembrar que períodos de descanso são necessários. A música faz parte do meu dia a dia mesmo quando estou só escutando uma playlist“, afirma.

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Nos últimos tempos, Isa Bruder tem ouvido muitos artistas queer, que serviram de inspiração para Close To Her. “Minha intenção com meu single é que, ao me expressar de uma forma honesta e vulnerável, eu possa inspirar e encorajar outras pessoas a se sentirem confortáveis em fazer o mesmo. Escutar músicas de artistas queer foi um fator extremamente importante no processo de me entender e aceitar. Close To Her fala sobre a experiencia comum de se sentir distante de quem você ama. Apesar dessa qualidade universal da música, eu espero muito que ela encontre seu caminho até meninas que estão questionando ou descobrindo sua sexualidade. Eu sei que não é fácil, mas quero que elas saibam que tem muito amor, liberdade e felicidade esperando elas quando elas estiverem prontas“, celebra.

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