Racismo, depressão e por que a 2ª temporada de Degrassi: Next Class merece uma maratona

Todos deveriam assistir ao seriado.

Por Isabella Otto - Atualizado em 24 ago 2016, 11h40 - Publicado em 7 ago 2016, 11h00

A adaptação de Degrassi produzida pela Netflix, que ganhou o nome de Next Class, causa um verdadeiro quentinho no coração. Apesar de ser um seriado teen, os temas discutidos não fazem apenas parte do universo adolescente, mas do mundo no geral – e que os jovens deveriam, sim, discutir mais.

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A primeira temporada de Degrassi: Next Class aborda temas como feminismo, dependência química e sexualidade. A segunda temporada, que chegou recentemente à Netflix, dá continuidade a esses e outros assuntos importantes para se debater em sociedade e fazer do mundo (que anda precisando) um lugar melhor e mais tolerante para se viver.

ATENÇÃO: ESTA MATÉRIA CONTÉM PEQUENOS SPOILERS. Eles não vão tirar a graça do seriado, e só vão te deixar com ainda mais vontade de assisti-lo, mas vale a pena alertar.

1. RacismoNo primeiro episódio, “#SquadGoals”, Frankie (Sara Waisglass) retrata uma jogadora negra do time de vôlei da escola oponente como um macaco em um desenho. Para ela, isso era uma simples brincadeira. Durante toda a temporada, as problematizações em cima da atitude da personagem são exploradas. A série explica, por exemplo, por que Frankie ter retratado a estudante negra como um macaco é algo racista por várias razões, muitas explicadas historicamente. Não há o que discutir.

2. AprendizadoApesar de relutar muito em tomar consciência de sua atitude racista, Frankie acaba percebendo que errou rude, errou feio. Com isso, Degrassi mostra que todo mundo é capaz de evoluir, se livrar de preconceitos e aprender com os próprios erros. Entretanto, isso não apaga a atitude racista que ela teve – e que nunca deveria ter tido.

3. PerdãoO erro de Frankie acaba afetando não só ela mesma, mas suas amigas, Shay Powers (Raiya Downs) e Lola Pacini (Amanda Arcuri), e todo o seu time de vôlei. Shay, que é negra, apesar de sempre ter acreditado que a amiga não é racista – apenas teve uma atitude racista -, começa a se questionar sobre o ocorrido. As reviravoltas são muitas, mas, no final, a série ensina que segundas chances podem sem dadas.

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4. ProtestosÉ incrível como Degrassi retrata temas atuais. Apesar de protestos acontecerem desde sempre, ultimamente tem rolado um “boom” e as pessoas têm ido mais às ruas. No episódio “#ThrowBackThursday”, Lola lidera o seu primeiro protesto, após Tiny Bell (Richard Walters) ter recebido uma suspensão duvidosa do diretor da escola. Tal momento da história mostra como é importante que nós lutemos pelo que achamos certo, manifestemos nossas vontades pacificamente e acreditemos até o fim que estamos fazendo a diferença.

5. VirgindadePara Tristan Milligan (Lyle Lettau), a primeira vez é algo especial, mas para Miles Hollingsworth (Eric Osborne), seu até então namorado, sexo é algo natural do ser humano e não deve ser fantasiado. As opiniões divergentes são discutidas no episódio “#RiseAndGrind” e mostram que a questão da virgindade é encarada de diversas formas – mas que é uma discussão comum entre os jovens – e que relação sexual, só com as devidas proteções!

6. DepressãoAo final da primeira temporada, nos perguntamos: “Será que os problemas emocionais de Hunter Hollingsworth (Spencer MacPherson) são causados pelo videogame?”. Até estranhamos o fato de o seriado ter, eventualmente, cometido o erro de associar jogos violentos a comportamentos violentos. Mas na segunda temporada descobrimos que as crises do gamer tem outra causa: depressão. A doença, que, de acordo com um relatório divulgado em 2014 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é a principal doença da adolescência, é também tratada por Degrassi e mostra como é possível vencê-la.

7. AutomutilaçãoNunca foi fácil ser Zoë Rivas (Ana Golja), mas, nesta temporada, a estudante do Degrassi enfrenta um problema seríssimo. A crise de identidade faz com que a personagem comece a se automutilar e a postar as fotos online, sempre com legendas bastante tristes. A atitude começa a preocupar os amigos, mas Zoë afirma para todos – e para si mesma – que não precisa de ajuda. Aí fica aquela questão: como ajudar alguém que não quer ser ajudada?

8. AceitaçãoUm dos motivos pelos quais Zoë está se automutilando é o fato de a adolescente não aceitar a própria orientação sexual. A jovem insiste em dizer que “só quer ser normal”, que não é lésbica, que gosta de meninos… E o fato de negar quem realmente é só a deixa mais e mais deprimida. A lição que tiramos acompanhando a história da estudante é que devemos aceitar quem somos e sentir muito orgulho de nós mesmos! 

Alguém mais é fã de Degrassi: Next Class? O que vocês mais curtem no seriado?

 

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