Porque o filme Podres de Ricos não é só mais uma comédia romântica

O filme estreou ontem nos cinemas, e seu elenco é composto majoritariamente por asiáticos e descendentes.

Por Melissa Ery - Atualizado em 26 out 2018, 17h33 - Publicado em 26 out 2018, 17h31

Sempre fui a maior fã de filmes clichês e comédias românticas. Sou o tipo de pessoa que se envolve muito fácil com os personagens, mas confesso que sempre foi muito difícil eu me identificar 100% ou me sentir representada com as atrizes que interpretavam papéis principais nesse gênero nos cinemas. Não é novidade para ninguém que produções hollywoodianas que consumimos são, na maioria das vezes, protagonizados por atrizes e atores brancos. Por isso, quando vemos um personagem asiático não estereotipado, como Lara Jean, em Para Todos os Garotos que já Amei, é uma grande pequena vitória. E, cá entre nós, é bem difícil lembrar alguma trama que seja realmente representativa para as minorias.

Por isso, Podres de Ricos é o longa que precisávamos. A comédia romântica baseada no best-seller Crazy Rich Asians, de Kevin Kwan, estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 25, e abriu espaço para mostrar o protagonismo asiático nas telonas. Sabe por que isso é tão importante? Porque faz 25 anos desde que O clube da felicidade e da sorte estreou com um elenco majoritariamente asiático. Faz tempo, né?

O filme conta a história de Rachel Chu (Constance Wu), uma asiática-americana que vai à Singapura com o namorado, Nick Young (Henry Golding), para o casamento do seu melhor amigo. Nesse meio tempo, ela acaba descobrindo que ele é simplesmente um dos caras mais ricos e cobiçados da Ásia! Nisso, começam os desafios de Rachel com a mãe de Nick, que desaprova o namoro.

Tudo no filme é grandioso! Os cenários, as praias, as mansões luxuosas, os prédios exuberantes, as roupas e os acessórios de grife parecem ser só futilidade e glamour, mas, em meio a isso tudo, eles também nos apresentam um pouco da cultura, de algumas tradições familiares e nos mostra alguns valores diferente dos nossos brasileiros.

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Moms are often the best critic but also the biggest supporters. #CrazyRichAsians

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Ah, e a trilha sonora também é ótima, sério! Eu chorei muito em dois momentos especiais do filme: um deles enquanto ouvia a música Yellow, do Coldplay, em uma versão em chinês cantado pela Katherine Ho, e outro enquanto ouvia Can’t Help Falling In Love, de Elvis Presley na voz de Kina Grannis. Talvez eu tenha chorado com Yellow porque sabia a sua história para estar no filme. O diretor Jon M.Chu enviou uma carta emocionante ao Coldplay pedindo os direitos da música dizendo que “a palavra amarelo sempre teve uma conotação negativa, mas, ao ouvir sua música e assistir ao clipe com a cena do sol nascente tirou o seu fôlego e imediatamente a música se tornou um hino para ele e os amigos, dando um novo senso de orgulho que ele nunca havia sentido antes.”

A trama ainda traz muitas personagens como figuras femininas fortes, que mostram muito girl power, como Rachel e sua mãe, a mãe de Nick e Astrid. O que é bem legal, tendo em vista que o filme se passa no leste da ásia, onde muitos países ainda possuem uma cultura mais conservadora e machista.

Todos os personagens são ótimos e quebram alguns estereótipos que estão quase enraizados em papéis para asiáticos. Além disso, os próprios atores estão sentindo na vida real a importância de uma produção como essa, como AWKWAFINA disse em entrevista à CAPRICHO: “ Podres de Ricos quebra estereótipos simplesmente por existir. Quando temos mais vozes asiáticas-americanas juntas, cada um desses personagens ganha mais dimensão.”

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Coloquei muitas expectativas no filme, afinal, infelizmente ainda não é todo dia que conseguimos nos identificar com tantos personagens no cinema, mas fico extremamente feliz que aos poucos este cenário parece estar mudando. Espero que “Podres de Ricos” tenha continuação, assim como nos livros.

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Se você ficou curiosa ou já assistiu o filme, me manda um e-mail no (melissa.sakaguchi@abril.com.br) para gente conversar, ou pode me mandar um oi nas redes sociais, @MelissaEry, vou adorar saber a sua opinião.

Um beijo,
Melissa Ery

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