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Porque não podemos fazer a Ana Paula e desistir da luta por igualdade

O egoísmo disfarçado de 'é a minha opinião'.

Por Isabella Otto Atualizado em 17 ago 2016, 18h27 - Publicado em 24 jan 2016, 11h10

Durante um bate papo despretensioso no café da manhã, Ana Paula e Harumi, participantes do Big Brother Brasil 16 , tiveram um debate interessante na última quinta-feira, 21.

Ana Paula, de 34 anos, afirmou que se considera machista (sim, mulheres também podem ser machistas!). ” Feminista é quem quer revolução, direitos iguais. Não estou atrás disso, não”, disparou a participante.

Harumi, de 64 anos, ficou levemente incomodada com a afirmação da colega de confinamento. “Somos diferentes, com direitos iguais”, pontuou a jornalista.

É interessante ver esse contraste. Harumi representa a geração dos anos 60 e 70, que lutou contra a repressão, nos mais diferentes sentidos da palavra, a favor da liberdade, da luta por direitos e igualdade. Ana Paula, por outro lado, representa aquela parcela da população feminina que afirma não precisar do feminismo. ” A mulherada está muito pra frente e deixando os homens cada vez mais bobos “, argumentou. Ei, meninos, vocês concordam com isso?

Duas jornalistas. Duas gerações. Dois modos de pensar. Duas mulheres. Não há nada de errado em levar café da manhã na cama para um homem ou receber um mimo do tipo do namorado, de vez em quando, como Ana questionou. Mas não é justo tratar o movimento com egoísmo.

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Quando Ana Paula diz que não está atrás de direitos iguais, ela se esquece de que não está sozinha no mundo . Talvez, ela não precise de uma revolução em sua vida, mas inúmeras outras mulheres ao redor do mundo precisam. E ao opinar sobre o feminismo levando em conta apenas a sua vida e o seu lado da moeda, ela descarta a luta das outras mulheres.

Falar que um cara “tem que fazer o seu papel de homem, de provedor” também é problemático. Mesmo que inconscientemente, isso contribui para que caras e mais caras por aí errem grotescamente e até cometam crimes ao tentar dar uma de machão alfa . Ao mesmo tempo, tal afirmação empodera a objetificação feminina. E não é isso que deve ser empoderado.

Não devemos confundir o simples fato de expressarmos nossa opinião com um ato de injustiça. Porque é como o Ronan, que também estava no meio da conversa, disse: “todo mundo é igual, e igual na diferença”. Ninguém é menos mulher, menos romântica ou menos desejável por ser feminista, Ana Paula. Muito pelo contrário!

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