O que mudou (ou não) depois de 130 anos da abolição da escravidão?

Neste domingo (13/5), a abolição da escravatura no Brasil completa 130 anos e nossa colunista Ana Carolina Pinheiro fala sobre a importância da data

Por Ana Carolina Pinheiro - Atualizado em 14 Maio 2018, 17h10 - Publicado em 13 Maio 2018, 18h11

Foram quase 400 anos de escravidão no Brasil. Muita coisa, né? Pessoas negras e indígenas escravizadas ficaram todo esse tempo sendo tratadas como mercadoria. Elas eram vendidas, trocadas, torturadas e não possuíam nenhum tipo de direito ou oportunidades básicas, como estudar, comprar uma casa e andar por onde quisessem.

No dia 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, que decretou, na teoria, o fim da escravidão no Brasil, foi assinada pela princesa Isabel. Segundo historiadores, a pressão da Inglaterra e dos donos das fazendas de café, que enxergavam mais lucro na mão de obra assalariada do que na escravidão, ajudaram na decisão de assinar a lei.

iStock/Reprodução

Mas, antes desse dia, a luta de mulheres e homens negros já acontecia há muito tempo. No estado do Alagoas, por exemplo, formou-se o principal lugar de refúgio para escravos, o Quilombo dos Palmares. Dandara e Zumbi, líderes importantes da história da população negra, foram responsáveis por organizar esse espaço de resistência, que surgiu em outros lugares do país.

Movimentações na Bahia, como a fuga dos escravos do Engenho Santana e a Revolta dos Malês, reivindicavam melhorias durante a escravidão. Além disso, o conjunto de leis abolicionistas, que vieram antes da Lei Áurea, também intensificou as manifestações dos negros escravizados que pediam liberdade.

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Como a gente viu até agora, a abolição da escravidão veio depois de muita luta dos afrodescentes escravizados, né? Inclusive, o Brasil foi o último país das Américas a acabar com a escravatura. Mas e agora, depois de 130 anos do fim deste período, o que mudou (ou ainda precisa mudar) no país em relação aos negros?

Conseguimos cotas raciais

Em agosto de 2012, o Supremo Tribunal Federal aprovou a Lei de Cotas brasileira. Com ela, as instituições públicas reservam metade das vagas para estudantes de escola pública com baixa renda (1,5 salário mínimo por pessoa) e que se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas.

Negro ainda é minoria no ensino superior

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Segundo dados do IBGE de 2015, entre os jovens negros de 18 a 24 anos, apenas 12,8% conseguiu entrar na universidade. O percentual dobrou em 10 anos, já que em 2005 só 5,5% desse grupo de jovens estavam no ensino superior, mas, infelizmente, o número ainda é muito baixo.

Giphy/Reprodução

Genocídio negro

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A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil, de acordo com informações da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens. Esse tipo de dado nos assusta e mostra como ainda precisamos de avanços para acabar com a violência contra os jovens negros.

Sexualização da mulher negra

Desde o período da escravidão, o corpo da mulher negra foi hipersexualizado, o que causou diversos tipos de violência para as escravas na época. Nos dias de hoje, ainda é frequente escutar frases que objetificam as características dos nossos corpos.

Representatividade importa, sim

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Atrizes, modelos, youtubers e digitais influencers estão mostrando que nós, mulheres negras, somos plurais e podemos ocupar o espaço que quisermos, mesmo que no dia a dia ainda aconteçam algumas dificuldades. É essencial que sejamos vistas e ouvidas, seja por meninas negras, que precisam de representatividade, ou por qualquer pessoa, para que a nossa voz tenha alcance. Esse foi um ponto muito importante no qual evoluímos!

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Oportunidade de trabalho

Com o fim da escravidão, não houve um processo de inclusão dos escravos recém-libertos na nossa sociedade, causando ainda mais exclusão dos negros e nos afastando ainda mais das oportunidades. Mesmo 130 anos depois da assinatura da Lei Áurea, as pessoas negras ainda têm dificuldade para encontrar empregos que não sejam braçais e mal remunerados. Segundo o Ministério Público do Trabalho, negros também estão mais expostos ao assédio moral dentro do trabalho.

Racismo virou crime

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Há 28 anos, a lei que define racismo como crime entrou em vigor. Com ela, atos que discriminam negros podem acabar até em reclusão. A medida é uma forma de nos proteger e mostrar que racismo é crime e não uma “brincadeira”.

+Leia: 6 conselhos para ter mais empatia e não ser racista em 2018

E vocês, o que acham desses 130 anos da abolição da escravatura? Estamos evoluindo ou ainda temos coisas para melhorar? Conta aqui nos comentários ou manda um e-mail para anacarolipa16@gmail.com.

Beijo!

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@anacarolipa

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