O caso Julien Blanc e o que ele tem a ver com você

Entenda por que muita gente não quer que o suiço venha com seus cursos que desrespeitam as mulheres para o Brasil

Por Isabella Otto Atualizado em 17 ago 2016, 15h04 - Publicado em 13 nov 2014, 17h30

Você deve ter visto a petição na sua timeline. Mulheres que fazem parte de movimentos feministas brasileiros se organizaram para pedir que o Governo proibisse a entrada do suíço Julien Blanc no país. Deportado da Austrália na semana passada, o cara é famoso por dar cursos a outros homens sobre como conquistar mulheres desrespeitando e usando violência física. Sim, infelizmente, foi exatamente isso que você leu. Julien chegaria ao Brasil em janeiro, para dar palestras em Florianópolis e no Rio de Janeiro.

Julien vestindo uma camiseta cuja estampa diz: “Zoe as gordas. Coma as gostosas.” Blanc, ao apresentar tais conselhos machistas, acaba estimulando também o preconceito.

A petição online “Polícia Federal Brasileira e Itamaraty: Neguem a entrada de Julien Blanc no Brasil” já teve mais de 250 mil assinaturas (até agora) e fez com que o Itamaraty, órgão do governo que concede visto e passaportes pra estrangeiros, sinalizasse com a possível proibição. A gente ainda espera uma posição oficial da diplomacia nacional.

MAS QUAL É A DO CURSO?

Julien tem 25 anos e trabalha na empresa Real Social Dynamics . Ele se vende como um “artista da sedução”, tipo aquele personagem do Will Smith no filme Hitch, O Conselheiro Amoroso . Só que em uma versão do mal. Na página pessoal dele, Julien explica, com uma chocante falta de constrangimento, como funcionam suas táticas que ele mesmo chama de “inapropriadas, ofensivas, mas efetivas”. É horrível.

O “artista da sedução” (em inglês, “pick up artist” ou PUA) ensinando sua tática do “sufocamento”, em que aborda a garota pelo pescoço e depois a leva para o “cantinho do sexo”, um lugar calmo, livre da agitação da pista de dança, por exemplo.

Dentre as dicas, Julien defende beijar garotas a força, obrigá-las a fazer sexo oral, diminuir a autoestima das vítimas, tudo para “despertar a prostituta que existe dentro delas”. Sim, ele usa essas palavras. No Brasil, os cursos custariam mais de R$ 6 mil e seriam dados em locais sigilosos.

“Cara, eu vou te ensinar a ultrapassar a falta de consetimento da garota. Pague-me e estupre todas eles”, diz o PUA no primeiro tweet. No segundo, ele ensina a “quebrar” todas os limites e insistir até que a menina ceda. Não há jogo perdido para ele.

A REDAÇÃO NAS REDES

Muitas garotas reagiram a notícia da vinda de Julien ao Brasil e ao absurdo que é o tal curso que ele ministra. Qual é a sua opinião sobre o debate?

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