Não tenho preconceito, mas… Filho de duas mães, garoto dá altos ensinamentos no Altas Horas

'Normal' é algo bastante relativo. O que é normal para você?

Por Isabella Otto Atualizado em 17 ago 2016, 19h07 - Publicado em 4 abr 2016, 14h10

André Lodi, de 14 anos, nunca havia sofrido preconceito por ser filho de duas mães… Até um garoto na plateia do Altas Horas falar que isso não é normal. A gente podia resumir o que aconteceu durante o programa exibido pela Rede Globo no último sábado, 2, dessa maneira, mas você, provavelmente, já conhece essa história.

“Desculpa. É que eu vejo hoje normal uma mãe e um pai. Não que eu tenha algum preconceito, porque eu não tenho, só que, na minha visão, é normal ter uma mãe e um pai“, falou um garoto na plateia, depois de perguntar para André se não havia sido estranho descobrir que tinha duas mães, e não uma mãe e um pai, como a maioria das pessoas.

 

Esse é o discurso que, infelizmente, ainda escutamos mais do que gostaríamos. É aquela coisa de “não tenho preconceito, mas…”. Às vezes, principalmente quando somos a pessoa questionada, tentamos desenvolver uma resposta longa e explicativa, para mostrar como aquele discurso é cheinho de preconceito – mesmo que a pessoa que esteja reproduzindo-o não enxergue isso. André, entretanto, mostrou que responder uma pergunta com outra pergunta, e deixar a pessoa tirar suas próprias conclusões e perceber o erro, não é burrice. Muito pelo contrário! 

Quando você percebeu que tinha um pai e uma mãe?“, perguntou André para o garoto, levando a plateia à loucura. Bruno, o menino que tinha questionado se não havia sido estranho perceber que tinha duas mães, pareceu entender, na mesma hora, que a sua pergunta não era errada, mas a forma como ele a havia elaborado e como ele havia chegado até ela, sim. 

Tenha certeza de que estará resolvido dentro da sua cabeça“, pontuou Ana Lúcia, mãe de André Lodi, em determinado momento da discussão. E é isso! Simples assim. Na descrição do Instagram do André, encontramos a palavra “maktub”. A banda Oriente, na introdução da música Vida Longa, Mundo Pequeno, dá uma breve explicação do que significa a expressão: “particípio passado do verbo Kitab. É a expressão característica do fatalismo muçulmano. Maktub significa: ‘estava escrito’; ou melhor, ‘tinha que acontecer”‘. Na vida, algumas coisas têm que acontecer… Tipo o André Lodi aparecer em um programa de televisão, assistido por milhões de pessoas, se deparar com um discuso cheio de preconceito, que muita gente reproduz sem perceber e que vem disfarçado como uma simples dúvida, e ensinar a todos que as coisas, na verdade, são tão mais simples do que imaginamos… Maktub, André, Ana Lúcia e Isabel! 

 

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