Mais uma influenciadora é morta na Rússia; marido é principal suspeito

Mulheres lutam no país pela aprovação de uma lei chamada "violência real online", por crimes de feminicídio na internet

Por Isabella Otto 7 Maio 2021, 12h08

Uma criadora de conteúdo de beleza chamada Kristina Zhuravleva, de 28 anos, foi encontrada morta em uma floresta, na última quinta-feira, 6, após ficar 11 dias desaparecida. O crime ocorreu em Ecaterimburgo, na Rússia. O principal suspeito é o marido, identificado como Dmitry.

A influenciadora posa ao lado do marido no McDonald's. Eles vestem looks combinando, com a estampa
Kris Zhuravleva posando ao lado de Dmitry em um McDonald’s, vestindo camisetas combinando com os dizeres “melhor casal” Instagram/@kris_zhuravleva/Reprodução

Apesar do corpo da vítima não apresentar sinais de morte violenta, a polícia acredita que Kristina tenha sido dopada e assassinada pelo companheiro. Dmitry foi quem ligou para as autoridades, para relatar o desaparecimento da influenciadora. Contudo, essa ligação não foi tão rápida quanto o esperado. Além disso, ele falou para alguns amigos que Zhuravleva tinha se separado dele, pois queria ficar sozinha.

Enquanto a polícia segue investigando mais esse provável crime de femínício na Rússia, é importante ressaltar que muitas mulheres lutam no país para que um lei contra “violência real online” seja criada. Em dezembro de 2020, um YouTuber russo chamado Stas Reshetnikov, de 30 anos, matou a namorada grávida e mostrou o corpo em uma transmissão ao vivo. Recentemente, ele foi condenado e admitiu que, além de ter torturado com frequência a vítima, recebeu dinheiro para fazer a live. Um pouco antes, em outubro de 2020, Andrey Burim, mais um influenciador russo seguido por milhares de pessoas, agrediu uma mulher em uma festa dada durante a pandemia de coronavírus, também durante transmissão online. Nas suas redes sociais, ele aparece ostentando carrões e tudo indica que ofereça dinheiro para tais “missões” contra mulheres.

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    A Rússia faz parte do ranking de países mais machistas do globo. A cultura do país é marcada por um livro do século XVI, chamado Domostroy, que dita como é a “mulher perfeita“, que deve ser boa, trabalhado e silenciosa, “como uma coroa para o seu marido”. O que também preocupa é a falta de números oficiais sobre crimes de ódio contra a mulher. De acordo com a ANNA, uma ONG russa em prol das lutas femininas, a cada 40 minutos uma mulher morre de violência doméstica do país, que apenas em 2017 incluiu no Código Penal algo sobre a questão. Ainda assim, “violência doméstica que não acarrete lesões corporais ou invalidez é considerada infração administrativa e não crime mesmo em caso de reincidência”, como pontua artigo do jornal Estado de Minas.

    A mulher russa não é defendida completamente. Por exemplo, quando a mulher russa se divorcia, não tem regras oficiais do governo para defender esta mulher. Pode se separar, mas pode ser que tenha complicações depois”, contou Ksenia Motina, moradora de Moscou, em entrevista para Débora Pradella e Alice Bastos Neves, publicada no portal GaúchaZH, em 2018. Apesar dos dados assustadores, no ranking de países mais machistas do mundo, cujo machismo faz mais vítimas, o Brasil ainda aparece antes na lista. 

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