Enem 2021 tem escândalos de censura e assédio; entenda a crise atual

Há menos de uma semana do primeiro dia de prova, o clima é de descredibilidade, insegurança e comicidade com um assunto sério

Por Isabella Otto Atualizado em 16 nov 2021, 10h37 - Publicado em 16 nov 2021, 10h27

Na última semana, há poucos dias do Enem 2021, marcado para acontecer em 21 e 28 de novembro, rolou uma demissão em massa no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, conhecido como Inep, que coordena o exame. 37 servidores públicos deixaram seus cargos alegando assédio moral de Danilo Dupas, atual presidente do órgão, e outras polêmicas, como tentativas de interferência no conteúdo das provas, despreparo por parte do líder, desmonte nas diretorias, sobrecarga de trabalho e funções, e desconsideração dos aspectos técnicos para a tomada de decisão.

Fotos de dois cadernos do Enem, um azul e outro amarelo. À direita, a foto de Bolsonaro erguendo uma caneta azul na mão, como se tivesse feito algumas anotações
Inep/Jair Bolsonaro/Divulgação

Como era de se esperar, Dupas negou todas as acusações e afirmou categoricamente que o Enem continua garantido: “Aproveito esta oportunidade para tranquilizar os estudantes brasileiros”, falou. Tranquilizar talvez não tenha sido a melhor escolha de palavra, uma vez que os escândalos envolvendo uma das principais portas de entrada para faculdades brasileiras vêm se tornando cada vez mais frequentes. Teria o Enem virado bagunça?

+: Atualidades que podem ser cobradas na prova e na redação do Enem 2021

Não é o que defende Maria Inês Fini, ex-presidente do órgão. Em entrevista a CNN, ela disse que “o Inep se aprimorou nesses últimos 30 anos, tanto nas estatísticas, como na avaliação, de maneira essencialmente técnica. Liderar essas equipes pressupõe um envolvimento de conhecimento”, apontando uma possível falha de administração, mas não de credibilidade. Maria Inês, contudo, foi categórica ao afirmar que a crise atual precisa ser resolvida às pressas.

Em entrevista a GloboNews nesta terça-feira, 16, Dorinha Rezende, presidente da Comissão de Educação da Câmara, informou que Milton Ribeiro, ministro da Educação, será oficialmente convocado para falar sobre os últimos acontecimentos envolvendo o exame. “Precisamos responsabilizá-lo pela sua relação direta com essas questões. Ele nunca se negou a vir, mas agora a situação é urgente e talvez precise de algum tipo de ação diretamente do instituto”, pontuou.

Desde 2009, o que ocorre é uma sucessão de atrapalhadas envolvendo o Exame Nacional do Ensino Médio: furto das provas, erros de impressão, vazamentos de informações… Neste ano, por exemplo, o Enem teve o menor índice de inscritos em mais de uma década, o que reflete as desigualdades educacionais brasileiras, mas não apenas isso. Com o “bônus” de, em 2021, a coisa terem ido muito além!

Em meio há tantas polêmicas, Jair Bolsonaro fez questão de dar uma declaração que deixou as pessoas ainda mais desconfiadas: “Começaram agora a ter a cara do governo as questões da prova no Enem”, falou. A afirmação foi dada dias após divulgarem que havia a presença de um policial federal no local onde são elaboradas as provas, algo inédito e que pode indicar uma forma de censura por parte do governo. A própria Maria Inês assume que algumas questões podem mesmo ter sido retiradas (e, segundo fontes, realmente foram), mas tentou tranquilizar mais uma vez os candidatos, falando que outras foram adicionadas – o que era óbvio. Estudantes já reagem nas redes sociais:

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