Deputado diz que assédio massageia o ego, critica feminismo e “Não é Não”

Jessé Lopes aproveitou a proximidade do Carnaval para militar (errado?) contra campanha "Não é Não", criada por coletivos feministas contra o assédio.

Por Isabella Otto - Atualizado em 14 jan 2020, 12h00 - Publicado em 14 jan 2020, 11h00

No último dia 11, o deputado Jessé Lopes, eleito pelo estado de Santa Catarina e que se intitula “pai de família, dentista, conservador, faixa preta de Jiu-jitsu e marrom de Karatê” nas redes sociais, usou o Facebook e o Instagram para fazer campanha contra o movimento “Não é Não”, criado e incentivado por coletivos feministas, e lembrado com ênfase durante o Carnaval, quando os casos de assédio em blocos de rua e festas sobem consideravelmente. “Não use a tatuagem”, pede o político, fazendo referência às tattoos compartilhadas durante o feriado com a frase que dá nome à campanha. Jessé ainda completa: “não sejamos hipócritas! Quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser ‘assediado(a)’? Massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude“.

Reprodução/Reprodução

Na mesma postagem, o deputador garante que toda mulher sabe lidar com o assédio, mas acha que o próprio movimento feminista distorce a palavra. “Obviamente, estou falando do assédio no sentido que o próprio movimento generaliza (dar em cima), e não dos atos agressivos e perturbantes(…) Crime não se previne nem se combate com tatuagens. Neste Carnaval, não colabore com este movimento segregador”.

Jessé ainda usou as plataformas para criticar o feminismo e dar a seguinte declaração: “após as mulheres já terem conquistado todos os direitos necessários, inclusive tendo até, muitas vezes, mais direitos que os homens, hoje as pautas feministas visam em seus atos mais extremistas tirar direitos. Como, por exemplo, essa em questão, o direito da mulher poder ser ‘assediada’ (ser paquerada, procurada, elogiada…). Parece até inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil“.

 

Continua após a publicidade

A postagem viralizou e o deputado, na última segunda-feira, 13, voltou ao Facebook para reiterar tudo o que disse e atacar mais uma vez o feminismo: “o movimento conseguiu a proeza de transformar as coisas mais naturais e saudáveis das relações humanas em problemas. Namoro, paquera, cantadas. Tudo isso virou ‘assédio'”. O político deu a entender também que, para ele, “estupro” é a mesma coisa que um “rapaz tomar a iniciativa”, e ainda relacionou o movimento à política de Esquerda, como se o feminismo usasse a luta em prol da igualdade de gênero para politicagens. “Feministas defensoras de estupradores”, escreveu no texto.

Dentre comentários aplaudindo as falas do deputado e indo contra o que ele disse, cabe à nós dizer uma palavrinha que significa muito (ou, se preferir, três, que, juntas dizem mais ainda): não e/ou “Não é Não”. 😉

Publicidade