‘Como descobri que era negra e que meu cabelo era lindo!’

No Dia da Consciência Negra, a Chris, que já trabalhou na CAPRICHO, conta um pouco sobre a sua história!

Por Da Redação Atualizado em 28 jul 2016, 17h44 - Publicado em 19 nov 2015, 17h22

Hoje, quando olho no espelho, vejo uma menina negra, bonita, de olhar marcante, com lindos cabelos cacheados e volumosos, de sorriso largo e com muito estilo (risos) . Como você pode ver, não tenho problemas com minha auto-estima. Porém, se me perguntassem o que eu via no mesmo espelho há 10 anos atrás, não diria nem que eu era bonita, muito menos que meus cabelos eram lindos e, pasmem, também não diria que eu era negra.

É claro que a adolescência não foi fácil pra mim, não é para ninguém. Seu corpo muda, sua cara muda, sua voz, seu cabelo, sua atitude, suas ideias. Imagine então o que era ser uma adolescente negra: as pessoas dizem que seu cabelo é ruim ou que está sempre desarrumado; a menina mais bonita e popular da escola é completamente diferente de você (o que claramente quer dizer que você é feia); não existem meninas parecidas com você na maioria dos anúncios, novelas, revistas, etc (e quando existem, nunca em papéis de destaque, sempre empregadas domésticas ou supersexualizadas); você não acha produtos para sua pele, cabelo e por aí vai. Basicamente você está perdida e sozinha, sem nenhuma referência e sem ter a mínima ideia de pra onde ir.

Foi preciso conhecer outras meninas parecidas comigo, entrar na faculdade e estudar um pouco mais o assunto para perceber que muitas dúvidas e complexos que se passavam pela minha cabeça nessa época não existiam apenas pelo simples fato de eu ser uma adolescente, mas também porque eu era negra.

Eu e meu irmão sempre achamos engraçado como, em todos os lugares que frequentamos, todo mundo sabe quem somos. Mesmo aqueles que não conhecemos sabem nosso nome. Até que um dia entendi que esse fato não era engraçado, mas triste. É claro que seremos notados em ambientes predominantemente brancos, nos destacamos porque somos os únicos negros ali. Foi nesse momento que deixei de ser morena para me tornar negra. Como diz o Emicida, “cansei de só os ternos serem pretos nos lugares chiques”.

Agora, conversando com outras meninas negras ativistas, vejo que cada uma tem uma história: algumas, como eu, eram as únicas meninas negras em suas escolas, faculdades, festas, círculo de amigos; algumas tinham pais que também não sabiam como cuidar dos seus cabelos, por exemplo, enquanto outras vieram de famílias com pais militantes e conscientizados, que falavam sobre a beleza e história de seus cabelos e tom de pele. Porém uma coisa temos em comum: já tivemos muitos problemas com nossa auto-estima e aceitação, muitas tivemos vontade de ter o cabelo liso ou a pele mais clara.

Por isso hoje fico muito feliz com o trabalho de várias Youtubers (como a Xan Ravelli e a Maraísa Fidelis ), de mulheres empreendedoras (como as donas das marcas Xongani e África Plus Size ) e com a nova geração de meninas negras (como a MC Soffia ) ajudando a inspirar e empoderar outras meninas, dizendo que elas são lindas, fortes e que devem fazer de sua presença uma forma de ativismo.

Nesse Dia da Consciência Negra, pense no que você pode fazer para mudar um pouquinho esse cenário de desigualdade no nosso país, não importa qual é a cor da sua pele . Seja empoderando uma menina negra, se perguntando se você já fez algum comentário preconceituoso ou denunciando qualquer ato racista que você tenha sofrido ou presenciado. Lembre-se de que racismo é crime! #NaoSouObrigada

E se precisar de ajuda, conte comigo ( me manda um alô lá no Insta! ). Estamos todos juntos nessa luta! Beijos,

Chris!

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