Bruna Linzmeyer faz desabafo sobre depilação: ‘achava que era obrigatório’

Atriz usou o Instagram para contar que começou a se depilar bem novinha porque achava que as mulheres eram obrigadas a arrancar os pelos.

Por Isabella Otto 7 jan 2019, 16h24

Por que você se livra dos seus pelos? Essa é uma pergunta simples, mas que faz toda diferença. Desde muito cedo, meninas são estimuladas por familiares e amigos a arrancarem seus pelos. Muitas vezes, elas nem se sentem incomodadas, mas por uma pressão social, entendem que precisam tirá-los dali. Falta de higiene e a promoção da “pele macia de bebê” são dois dos principais fatores que fazem uma mulher procurar um procedimento estético para eliminar os pelos corporais: lâmina, cera, creme, laser… Mas, novamente, por que você se livra dos seus pelos?

Reprodução/Reprodução

Essa foi a reflexão que a atriz Bruna Linzmeyer promoveu no Instagram nesta segunda-feira, 7, ao postar uma foto mostrando as axilas peludas. Nossa, a expressão “axilas peludas” por si só já parece um crime, né?! Você já parou para se perguntar por que isso incomoda tanto quando está relacionado a uma mulher? Porque, definitivamente, quando se tratando de um homem, a expressão “axila peluda” nem parece assim tão cabeluda…

  • Como muitas garotas, Bruna começou a se depilar muito novinha. “Achava que era obrigatório mulher arrancar os pelos”, escreveu. Com o tempo, a atriz foi notando que tirava os pelos muito mais por causa dos outros que por ela mesma. “Comecei a olhar para os homens e achar estranha essa diferença só por uma questão de serem homens x mulheres, e continuei me perguntando, feliz com meu poder de me perguntar: ‘o que eu quero? o que eu gosto?’. Um dia, essa resposta foi diferente. Fiquei com vontade de experimentar tê-los. Vê-los em mim. Tocá-los enquanto passo creme no corpo. Não ter mais que lidar com aquela dor insuportável, nem com o preço da depilação, nem com o tempo gasto nisso, nem com aqueles chatíssimos pelos encravados. E de um jeito que eu não esperava comecei a achar muito bonito pelos em mim também”, contou.

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    comecei a fazer depilação com cera muito novinha. sempre doeu muito. mas sempre achei que aquilo era o certo e o belo a ser feito. nos últimos anos, entendendo a construção dessa visão me esforcei pra ver os pêlos de outros jeitos possíveis. comecei não julgando as mulheres que tinham pêlos, entendendo que cada uma faz o que tem vontade com seu próprio corpo. depois, aos poucos, comecei a achar libertadora essa vontade e atitude delas. e me perguntar o que eu realmente queria no meu corpo, nunca antes eu tinha me feito essa pergunta. por algumas vezes, respondi a mim mesma que preferia raspar. estava feliz com minha escolha. mas mais ainda, estava feliz em poder escolher raspar. porque, durante todos aqueles anos eu não escolhia, eu só raspava, achava que era obrigatório mulher arrancar os pêlos. comecei então a achar mais que libertador, a achar bonito, outras mulheres com pêlos. comecei a olhar para os homens e achar estranha essa diferença só por uma questão de serem homens x mulheres. e continuei me perguntando, feliz com meu poder de me perguntar: o que eu quero? o que eu gosto? um dia essa resposta foi diferente. fiquei com vontade de experimentar ter eles. ver eles em mim. tocar neles enquanto passo creme no corpo. não ter mais que lidar com aquela dor insuportável, nem com o preço da depilação, nem com o tempo gasto nisso, nem com aqueles chatíssimos pelos encravados. e de um jeito que eu não esperava comecei a achar muito bonito pêlos em mim também. aprendi que liberdade e amor é respeitar a escolha das outras pessoas, quando essas escolhas não violentam ninguém. e poder acessar meu coração e responder sem amarras: o que eu quero? o que eu gosto? de que jeito me sinto bem? ♡ #livresim

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    É claro que o desabafo despertou a indignação de muitas pessoas, homens e mulheres, que se sentiram incomodados ao verem a foto de uma mulher com as axilas não depiladas e até mesmo questionaram mais uma vez o fato de as feministas insistirem nessa história de ter o “sovaco cabeludo”.

    É preciso, então, esclarecer algumas coisas (mais uma vez e de novo e de novo…):
    1. seres humanos são mamíferos. Wow! Sim, pode acreditar! Assim como a maioria dos mamíferos, possuem pelos corporais, cujas principais funções são proteger e aquecer o corpo. Como é uma característica natural do ser vivo, em nenhum momento ele é anti-higiênico por si só. Não é sujeira, não é desleixo, não é falta de cuidado ou banho. Aliás, uma pessoa depilada pode ser tão anti-higiênica ou até mais anti-higiênica quanto uma pessoa com pelos.

    2. nem toda feminista é peluda e nem toda mulher peluda é feminista. O que acontece é que o movimento feminista prega, entre tantos outros pontos, a liberdade de expressão feminina e o direito de a mulher tomar suas próprias decisões baseadas em si mesma e não conduzidas por um homem ou por um padrão social. Logo, se a mulher quiser ter pelos, é um direito dela. Ela é livre para fazer essa escolha.

    3. por que pelos são socialmente e esteticamente mais aceitos em homens que em mulheres?

    A aceitação dos pelos corporais é uma processo, às vezes, demorado, e não significa que você deva passar por ele. A liberdade também está em perceber que se sente melhor depilada e sem pelos. Reprodução/Reprodução

    Linzmeyer finalizou seu desabafo resumindo todas essas questões de uma forma bastante prática: “aprendi que liberdade e amor é respeitar a escolha das outras pessoas, quando essas escolhas não violentam ninguém. E poder acessar meu coração e responder sem amarras: o que eu quero? o que eu gosto? de que jeito me sinto bem?”.

    No mais, nosso muito obrigada, Bruna.

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