Apaixonadas por HQs, garotas unem força em site: ‘acham que é coisa de criança’

História em quadrinhos não é só para o seu namorado.

Por Isabella Otto 18 mar 2016, 20h03
Qual foi a primeira história em quadrinhos que você leu? Turma da Mônica? Garfield? Inuyasha? Homem-Aranha? Há quem diga que elas são infantis e feitas para meninos. Besteira! E para provar justamente o contrário, 19 mulheres se uniram ao projeto Lady’s Comics, produzindo conteúdo para o site e enaltecendo as garotas dentro do universo dos quadrinhos.
 
O Lady’s Comics existe desde 2010, como conta Mariamma Fonseca, uma das idealizadoras: “ele nasceu como um blog, mas agora é um site de um coletivo que atua na visibilidade das autoras e na promoção da leitura”. Dentro do site, você ainda encontra outros projetos interligados, como o BAMQ! (Banco de Dados de Mulheres Quadrinistas) e a Risca!, uma revista que traz temas relacionados às mulheres e aos quadrinhos.
 

Em 2015, rolou o 1º Encontro Lady’s Comics, em Belo Horizonte, que reuniu cerca de 250 pessoas, entre quadrinistas, estudantes, pesquisadoras e admiradoras da arte. Mariamma conta que a experiência foi incrível, mas que também foi bastante estranho perceber que nunca antes na América Latina havia rolado um evento do tipo, organizado por mulheres e para mulheres.
 
Com o projeto, as envolvidas tentam desconstruir essa falsa ideia de que só garotos curtem HQs. “Dizem que quadrinhos feitos por mulheres são fofinhos, mas nem sempre. Há uma diversidade muito grande”, explica Mariamma. Samara Horta, outra idealizadora e colaboradora do Lady’s, completa: “por muito tempo, a maioria das personagens femininas foi criada sob o olhar de um homem. Em grande parte, de forma objetificada e sexualizada. Apesar de o cenário estar melhorando, as quadrinistas ainda não têm a visibilidade que merecem. São minoria e buscam respeito e tratamento equivalentes aos dados a autores do sexo masculinos“, confessa.
 

Se você gosta de desenhar e sonha em ser ilustradora e/ou quadrinista, Mariamma e Samara dão alguns conselhos: acredite no seu talento, leia muito, pratique ainda mais e publique suas criações na internet, pois assim elas alcançarão outras pessoas. Entretanto, as meninas afirmam que apesar de o meio online contribuir para a divulgação dos trabalhos, muitas quadrinistas ainda não recebem convites de editoras por serem… Meninas! “Um erro comum é achar que uma mulher faz um trabalho inferior a um homem. Quanto mais trabalhos feitos por mulheres tivermos, mais leitoras de HQs e, consequentemente, mais mulheres trabalhando na área“, alerta Samara.
 
Gabriela Masson, Lu Cafaggi, Ana Luiza Koehler e Rebeca Prado são alguns dos principais nomes dos quadrinos no Brasil. O mercado vem crescendo e, em 2016, na áera Artist’s Alley, na COMIC CON EXPERIENCE, estima-se que mais artistas representarão todas as garotas que amam consumir histórias em quadrinhos, dos mais diferentes temas e estilos. E saiba que só por isso, você já é uma super-heroína – mesmo não sendo Jessica Jones.
 

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