BBB20: Gizelly compara maquiagem de Thelma a barro e é acusada de racismo

A advogada questionou a amiga depois de ver que a base da médica havia manchado o travesseiro

Por Izabel Gimenez - Atualizado em 27 abr 2020, 15h33 - Publicado em 3 abr 2020, 18h42

O racismo foi pauta recorrente na 20º edição do Big Brother Brasil, e diversos episódios considerados preconceituosos rolaram dentro da casa. Tivemos Manu Gavassi dizendo que Daniel e Marcela formavam um casal bonito pelas “cores de ambos combinarem”, depois os risos sobre o pente para cabelo crespo do Babu. Agora, foi a vez de Gizelly se envolver em uma polêmica ao fazer um comentário questionando se Thelma passava “barro” no rosto, se referindo à maquiagem da sister. 

Tudo rolou no quarto céu, na quinta-feira (2/4), quando Gizelly percebeu que o lençol da cama da sister estava manchado. “Gente, eu não sei o que a Thelminha passa na cara. É barro?”, a advogada questionou rindo. Thelma tentou explicar: “É a minha base”. Mas a colega de confinamento continuou rindo. “Isso é barro, porquinha”, complementou.

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A equipe de Thelma chegou a fazer um comunicado oficial nas redes da jogadora dizendo que o objetivo não era passar pano pra ninguém.Precisamos lutar, antes de tudo, para que toda a sociedade conheça o problema que é o racismo. É importante conhecer o racismo em detalhes, saber onde ele está, como atua e seus efeitos sobre as pessoas. Foi nítido o constrangimento da Thelma com a fala. Assim como condenamos falas racistas de outros participantes, não estamos deixando passar a fala da Gizelly, mesmo as duas sendo amigas lá dentro. Nosso posicionamento sempre será ir contra e repudiar qualquer fala, ato e pessoas com esse tipo de pensamento”, esclareceram. 

Gizelly e Thelma no BBB Reprodução/Instagram

Márcia Machado, mãe de Gizelly, defendeu a filha em uma entrevista à QUEM e disse que tem certeza de que o comentário dela não teve nenhuma intenção maldosa. “Ela não é racista, muito pelo contrário!”, garantiu. “Aqui em Iúna [interior do Espírito Santo], onde ela foi criada, é costume falar que as mulheres vão ao salão para fazer um reboco na cara. Reboco não é barro. Se chamar alguém de ‘preto’ perto dela, ela briga. A Gizelly sempre defende os marginalizados. E ela ama a Thelminha, é amiga da Thelminha. Ela falou assim porque é costume dizer isso no interior”, explicou.

Apesar disso, não precisou de muito tempo para o vídeo viralizar nas redes sociais e levantar um debate sobre o assunto. No Twitter, as hashtags #Barro e #ForaGizelly ficaram entre os dez assuntos mais comentados no mundo. 

Para nos ajudar a entender melhor os problemas de uma fala como essa, conversamos com a jornalista Ana Carolina Pinheiro, que colaborava com a seção O Nosso Lado da História, aqui na CH. “Com certeza esta edição do Big Brother Brasil cria conexões diárias. Algumas enchem nosso coração de esperança e deixam aquela sensação de que nem tudo está perdido. Já outras nos mostram o lado mais sombrio aqui de fora, jogando na cara que muita coisa ainda precisa ser mudada”, disse ela.

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Essa certamente bateu lá no fundo da alma de pessoas negras, inclusive na minha“, completou Carol. “Na hora que assisti à cena, veio à minha mente a técnica que criei para abraçar as pessoas e não encostar a bochecha em suas roupas para evitar sujá-las. Nem sempre dava certo. O constrangimento aparecia sem nem apontarem o dedo para mim. Agora, imagina só escutar isso de uma amiga sua, e em tom de chacota. Aquela amiga que você sabe que tem acesso à informação, passa bom senso em algumas conversas… Ou seja, não é ‘só o comentário sobre uma base’, é algo que dói ainda mais”.

A jornalista também destacou que o episódio escancara um outro problema que as mulheres negras enfrentam: a dificuldade de achar produtos que se adequem ao seu tom de pele. “É uma caça ao tesouro encontrar uma base e um pó que você sabe que não vão te deixar na mão. Primeiro, precisamos achar o tom que não ficará cinza, branco ou avermelhado demais. Achou? Então bora encontrar um produto em que a transferência seja a menor possível… Descobriu que esse combo perfeito existe? Então corre na farmácia, loja de maquiagem, entra no site de vendas e torce para ele não ter esgotado. Esses exemplos foram baseados em fato reais da última vez que tentei repor a minha base que tinha acabado”, contou.

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Thelma, Gizelly e Marcela Reprodução/Instagram

Para finalizar, ela propõe uma reflexão. “Se gente racista, seja por falar ou por ficar quieta ao escutar tudo isso, existisse só dentro da ‘casa mais vigiada do Brasil’, teríamos menos trabalho. Só que sabemos que tudo isso é um micro e triste retrato do que acontece todos os dias mundo afora. Mas, se podemos tirar algo bom disso tudo, é a oportunidade para aprender com os erros dos outros. Será que você, branca, já constrangeu alguma amiga negra sem nem ter percebido? Vou te falar que há chances disso ter acontecido. Por isso, busque o máximo de informação para entender a realidade em que você não vive e transforme esse aprendizado em atitudes para impedir que situações como essa aconteçam de novo.”

Bora aprender e não deixar com que coisas assim se repitam? <3

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