Alisha Boe e racismo: “Diziam que eu era bonita demais pra uma negra”

Por muito tempo, a atriz de 13 Reasons Why se perguntou se suas características caucasianas eram suas únicas "qualidades"

Por Izabel Gimenez Atualizado em 14 jul 2020, 16h28 - Publicado em 10 jul 2020, 13h35

Alisha Boe, que interpreta Jéssica na série de sucesso da Netflix 13 Reasons Why, cresceu parte da sua infância em Oslo, na Noruega, e só aos 7 anos começou sua vida americana. Foi em Los Angeles, Estados Unidos, quando passou a morar em um bairro majoritariamente branco, que começou a entender que existia uma segregação por causa da sua pele. Encontrar pessoas para se inspirar e se espelhar era uma tarefa quase impossível e essa falta de representatividade afetou diretamente o processo de desenvolvimento de sua autoestima. 

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Alisha Boe em 13 Reasons Why Divulgação/Netflix

Filha de pai negro e mãe branca, a atriz relembrou como foi difícil até conseguir aceitar sua pele e seus traços em entrevista à Vogue. Eu não tinha ninguém com quem me identificar. Eu não sentia que meu cabelo era bonito. Eu sempre quis alisar, porque todos os meus amigos brancos tinham cabelos lisos. Eu tive que lidar com os garotos da minha escola e com todos fazendo comentários racistas improvisados. Eles diziam que eu era bonita demais para uma garota negra, eu pensava que eles não achavam que as pessoas negras eram bonitas e que eu era a exceção porque tenho características caucasianas.” 

Anos depois, sendo estrela de um dos grandes sucessos da Netflix, Alisha sabe que é inspiração para várias garotas que, assim como ela, precisam enfrentar o racismo. “Isso foi muito positivo em 13 Reasons Why! Tem meninas com características semelhantes às minhas que me mandam cartas ou me param na rua pra expressar sua gratidão por poder ver alguém como eu sendo a  garota legal, popular, bonita, que não tem medo de usar sua voz e expressar suas opiniões no meio de vários alunos brancos“, disse orgulhosa. 

  • Não foi fácil, mas hoje Alisha consegue olhar pra trás e sentir orgulho de tudo que viveu. “Foi um processo de desaprender tantas coisas e depois encontrar pessoas que são parecidas comigo pra aprender mais sobre minha cultura como mulher africana, aprendendo sobre a beleza dela. Se você é uma minoria crescendo em um lugar onde ninguém se parece com você, há tantas diferenças culturais que você precisa aprender consigo mesmo, o que é difícil; é uma experiência de aprendizado constante”, finalizou.

    Que demais, né? <3

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