Ser garota no Brasil é mais difícil que no Iraque, afirma estudo

Sabia que ocupamos o 4º lugar dentre os países com mais crianças casadas?

Em 2011, foi estipulado pelas Nações Unidas que todo 11 de outubro seria comemorado o Dia Internacional da Menina. A intenção é reconhecer os direitos e os desafios que as garotas enfrentam em todos os países. “Se efetivamente apoiadas durante a adolescência, meninas têm o potencial de mudar o mundo – tanto como meninas empoderadas de hoje quanto como futuras trabalhadoras, mães, empreendedoras, mentoras, chefes de família e líderes políticas”, destaca o site da ONU.

O tema de 2016 para celebrar a data é Progresso das Meninas = Progresso dos Objetivos: O Que Importa para as Meninas. Ele foi escolhido com base nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, conta que eles pretendem acabar com a discriminação e a violência contra garotas, investindo em diversas áreas, além de diminuir práticas prejudiciais como o casamento infantil.

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Ele também acredita que é extremamente importante que dados sejam bem coletados pelo mundo para que a ONU tenha certeza do que ainda precisa de mais atenção. Percebe como a qualidade de vida para meninas é um problema global? E se durante as aulas de geografia você aprendeu sobre a Índia e a pobreza que o país enfrenta, ou sobre as guerras que o Iraque atravessa, talvez tenha pensado que a condição das meninas deve ser muito difícil por lá. Mas, acredite: no Brasil é ainda mais.

Considerando o Dia Internacional da Menina, a ONG Save The Children divulgou um relatório sobre a qualidade de vida das meninas por todo o mundo. Dos 144 países que constam no documento, o Brasil ocupa a 102ª posição. Além de Índia e Iraque, outros países que enfrentam extrema pobreza ou conflitos de diversos tipos como Namíbia, Timor Leste, Paquistão, Síria, Nepal e Ucrânia, por exemplo, também ficaram melhor colocados do que o nosso país. Surpresa?

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Os fatores levados em conta para montar o ranking foram casamento infantil, gravidez na adolescência, mortalidade materna, número de mulheres na política (comparado ao dos homens) e chances de completar o ensino fundamental. Os dois primeiros são os principais responsáveis por deixar a colocação do Brasil tão para baixo. Sabia que ocupamos o 4º lugar dentre os países com mais crianças casadas?

Alguns dados do relatório ainda chamaram atenção para o fato de ser um país rico e desenvolvido não necessariamente significa qualidade de vida – pelo menos, não para meninas. Os Estados Unidos, considerados potência econômica mundial, ficaram em 32º lugar. Isso porque a mortalidade materna e a gravidez na adolescência são altas lá, enquanto a representatividade feminina na política é baixa. Ou seja, fica claro as melhorias nas condições das meninas são necessárias em diversas esferas, né?!

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A ONU reconhece que os principais investimentos, por ora, devem ser para: melhorar a educação; evitar casamento infantil; levar informações e serviços sobre a puberdade e idade reprodutiva; e proteger as meninas de gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis e violência baseada em diferenças de gênero. Com mudanças nessas áreas, certamente o Brasil melhoraria sua posição no relatório da Save The Children.

E aí você pensa em todas as meninas que dizem que a gente, aqui no Brasil, não precisa do feminismo. Será, mesmo? Sem dúvidas, muitas das mudanças estão nas mãos, principalmente, dos Governos – o que implica um processo gradativo e extremamente lento. Então, a luta diária das mulheres por equidade, segurança, reconhecimento, além do fim da violência, impunidade e de qualquer discriminação por causa de gênero é, sim, importante. Os dados desse relatório deixam claro que essa não é uma causa apenas das meninas do Oriente Médio, por exemplo. É de todas nós ❤

Feliz dia, garota! Estamos todas juntas!

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  1. Kakal Laragnoit

    Amei e compartilhei o video!

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  2. Caroline Silva

    Na boa a ONU deveria fazer campanhas e ajudar as crianças sem essa de que garota sofre mais que o garoto aff

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  3. Caroline Silva

    Ao invés de só focar nas meninas por que não focar nas CRIANÇAS que sofrem por causa dessas malditas guerras.

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    1. É uma questão de pequenos passos. Garotos e garotas sofrem com muitos fatores diariamente, mas é comprovado que o número de violência contra meninas é muito maior. Fazer com que essa violência não exista é o real objetivo, mas se pudessem igualar isso sem distinção de gêneros, seria muito mais fácil reduzir de uma forma ainda mais significativa a violência infantil. Nos casamentos infantis, por exemplo, normalmente são homens muito mais velhos que se casam com as garotas, e quando um menino se casa, ele pode escolher querer casar ou não. As meninas não têm essa escolha, mesmo que o certo seja jamais ter que casar, ou fazer qualquer outra coisa, contra sua vontade, ainda mais numa idade em que você não deve se preocupar com coisa alguma, principalmente se isso vai ditar o rumo da sua vida inteira.

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  4. Karina Souza

    Também concordo que campanhas assim deveriam abranger os meninos também! Não é só menina que sofre, imagina quantos meninos estão sofrendo trabalho infantil, com guerras, etc, deveria abranger as crianças em geral, não so um único gênero.

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  5. David Matarolli

    Nossa gente eu não sabia que bater até a morte, jogar acido na cara, apedrejar até a morte, surrar, estuprar e condenar a estuprada, humilhar a considerar inferior aos mamíferos não era tão ruim quanto viver nesse pais onde o homem pode ser preso por assedio por assoviar, o patrão pode ser preso por assédio sexual somente por uma denúncia mesmo sem provas, o marido pode ser preso por espancamento, homens morrem para salvar mulheres é tão ruim.. me sinto mesmo um merda depois desse artigo e vou rever toda minha vida! Vocês são tão incríveis que vou ter um ataque de tanta incapacidade racional de viver em um universo paralelo que vocês existem…..

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    1. Geovanna Carolina

      Nossa que machista irônico! É por isso que o Brasil é uk dos países mais machistas do mundo por causa de pessoas com pensamentos assim que comparam o nosso sofrimento com o de outros países como se o nosso fosse tolerável por ser “menos pior”

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  6. Parem de reclamar por campanhas assim não abranger meninos também! A ONU com certeza tem capanhas para a proteção de crianças em geral, mas fizeram essa para lutar pelos problemas enfrentados exclusivamente pelas meninas. É claro que muitas criancas sofrem, sendo meninos ou meninas, mas a questão é que muitas sofrem apenas por serem meninas, pelo machismo te todo o dia, etc. O que eles querem mostrar é que isso não é um problema só em um local, é mundial. E não precisamos ir muito longe pra encontrar meninas sofrendo as consequências de ser menina em uma sociedade machista, no nosso próprio país acontece MUITO.

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