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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte VII

Na semana do Dia das Mães, as meninas e meninos do Tudo de Blog contaram várias histórias sobre a delicada relação com suas mães. Até amanhã, 11 de maio, você vai conferir aqui os depoimentos de gente que, como todo mundo, no Brasil ou no Japão, já sentiu as dores e delícias de ser filho de quem é.

Hoje, acompanhe a história de saudade de Roberta Calabre, que aprendeu com a mãe (ou não) a ser gente grande.

* Na foto, Roberta e sua mãe. Arquivo pessoal.

Para ela, tudo
Roberta Calabre - http://betajackson.blogspot.com

"Nunca entendi minha mãe. Sempre amei-a, é claro, mas nunca a entendi. Já se foram cinco anos desde que ela deixou este mundo, e até hoje não consigo entendê-la. Na minha cabeça, nós éramos melhores amigas e, embora eu tivesse que lidar com a maioria das minhas dúvidas sozinha, acho que ela estava lá. O fato é que não consigo me lembrar como era nossa relação, ou melhor, acho que nunca parei para refletir sobre isso. Ela morreu quando eu estava começando a parar de questionar o mundo para tentar entendê-lo, e o fato é que me faltou tempo para tentar entendê-la. Ela foi mãe muito tarde, não tinha muita paciência para as minhas bobeiras (que para mim não eram bobeiras). Além de tudo ela era professora, e acho que já estava de saco cheio de crianças quando chegava em casa (e eu e meu irmão não éramos mole!). Ela dizia que eu era muito mais apegada ao meu pai, mas não sabia que eu chorava todas as noites com medo de perdê-la e acordava sorrindo todos os dias por saber que ela ainda estava lá. Eu a acusava de preferir meu irmão, o filho pródigo, e ela dizia que era assim porque eu sabia me virar. Até hoje acho que isso não é motivo para prescindir de mãe. Tudo o que sou hoje não sei se devo a ela ou a mim mesma. Ela sempre disse que eu era muito independente, mas eu carecia demais do seu afeto. Não que ela não me desse carinho, deu-me tudo o que uma menina precisa para ser feliz. Ela era especial, e fez de tudo para que eu e meu irmão nos tornássemos pessoas críticas, independentes, felizes. Por causa dela, vi o Coelhinho da Páscoa numa fazenda no interior e Papai Noel atravessando a Lua num trenó (juro que vi!). 

Nathalia Duprat  -  10/05/2008 20:14:23

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