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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte final
Durante uma semana, as meninas do Tudo de Blog contaram como é a relação com suas mães. Hoje, 11 de maio, acompanhem a parte final dessas tantas histórias que, cada uma a sua maneira, encantaram, emocionaram e fizeram a gente pensar como seria nossas vidas sem elas, nossas mães.

* Na foto, dona Clara, a mãe "rock n roll" de Claudia de Oliveira. :)

Mãedonna, Mãerylin, mãe-tudo
Cláudia de Oliveira - http://desiluminancia.wordpress.com

"Tá aqui na minha agenda imaginária: escrever post sobre mamãe. Dia das mães, claro que eu vou ter que escrever sobre mamãe. E, pófalar?, é muito difícil. Até uma carta suicida deve ser mais fácil, porque afinal de contas, ninguém vai te criticar depois, falar que aquela vírgula tava no lugar errado, que jorrar tem dois érres. Claro. Um bilhete de amor também não sofre críticas: qualquer coisa que rime e tenha is com pingos em forma de coração vai ser bem-aceita pela sociedade. Mas escrever sobre a mãe, e ainda no próprio blog!, ah, é de uma dificuldade ímpar. Minha mãe é única e igual a todas. Brava, calma, doce, amarga, só muda o endereço e, às vezes, o nome: quantas Claras Helenas você conhece? Ok, há mais diferenças: enquanto o mundo inteiro está satisfeito com seus olhos castanhos, dona Clarinha ostenta um par cor-de-mel único, exclusivo, feito à mão, sabe-se lá por qual mão. Filha, mãe, quer ser avó logo (e quanto a isso, nada mais comento). Até teria idade – e filhas com idade supostamente suficiente – pra isso, mas seu sorriso e espírito juvenis não denunciam. Mamãe é simpática com todos, mas guarda alguns sorrisos pra ocasiões especiais. Também separa algumas broncas mais caprichadas, caprichadas meeesmo, pra hora do vâmo-vê. Ninguém disse que ter três meninas ia ser fácil, dona Clarinha. Mas ela segue mesmo assim. Preocupada, nervosa, amada, fofa. Ainda se vê pedacinhos daquela moça bonita e sorridente do dia do seu casamento, os dentes retinhos separados por uma fresta à lá Madonna, ou da menininha que subiu na mesa e fingiu que era Marilyn. O cabelo ondula menos e anda mais branco. Ela não veste mais 36, não faz hipismo ou sobe em mesas. As voltas que a vida dá. Mas os olhos continuam lá, cor-de-mel, únicos, iguais, mas diferentes. E, ah!, a frestinha dos dentes também existe. Acho que vou lá cantar Ray of Light pra ela. De novo."
Nathalia Duprat  -  11/05/2008 12:17:25
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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte VII
Na semana do Dia das Mães, as meninas e meninos do Tudo de Blog contaram várias histórias sobre a delicada relação com suas mães. Até amanhã, 11 de maio, você vai conferir aqui os depoimentos de gente que, como todo mundo, no Brasil ou no Japão, já sentiu as dores e delícias de ser filho de quem é.

Hoje, acompanhe a história de saudade de Roberta Calabre, que aprendeu com a mãe (ou não) a ser gente grande.

* Na foto, Roberta e sua mãe. Arquivo pessoal.

Para ela, tudo
Roberta Calabre - http://betajackson.blogspot.com

"Nunca entendi minha mãe. Sempre amei-a, é claro, mas nunca a entendi. Já se foram cinco anos desde que ela deixou este mundo, e até hoje não consigo entendê-la. Na minha cabeça, nós éramos melhores amigas e, embora eu tivesse que lidar com a maioria das minhas dúvidas sozinha, acho que ela estava lá. O fato é que não consigo me lembrar como era nossa relação, ou melhor, acho que nunca parei para refletir sobre isso. Ela morreu quando eu estava começando a parar de questionar o mundo para tentar entendê-lo, e o fato é que me faltou tempo para tentar entendê-la. Ela foi mãe muito tarde, não tinha muita paciência para as minhas bobeiras (que para mim não eram bobeiras). Além de tudo ela era professora, e acho que já estava de saco cheio de crianças quando chegava em casa (e eu e meu irmão não éramos mole!). Ela dizia que eu era muito mais apegada ao meu pai, mas não sabia que eu chorava todas as noites com medo de perdê-la e acordava sorrindo todos os dias por saber que ela ainda estava lá. Eu a acusava de preferir meu irmão, o filho pródigo, e ela dizia que era assim porque eu sabia me virar. Até hoje acho que isso não é motivo para prescindir de mãe. Tudo o que sou hoje não sei se devo a ela ou a mim mesma. Ela sempre disse que eu era muito independente, mas eu carecia demais do seu afeto. Não que ela não me desse carinho, deu-me tudo o que uma menina precisa para ser feliz. Ela era especial, e fez de tudo para que eu e meu irmão nos tornássemos pessoas críticas, independentes, felizes. Por causa dela, vi o Coelhinho da Páscoa numa fazenda no interior e Papai Noel atravessando a Lua num trenó (juro que vi!). 
Nathalia Duprat  -  10/05/2008 20:14:23
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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte VI
Na semana do Dia das Mães, as meninas e meninos do Tudo de Blog contaram várias histórias sobre a delicada relação com suas mães. Até domingo, 11 de maio, você vai conferir aqui os depoimentos de gente que, como todo mundo, no Brasil ou no Japão, já sentiu as dores e delícias de ser filho de quem é.

Hoje, na penúltima história da série, Marília Gehrke conta como é a relação com uma mãe ausente (mas, de alguma forma, também muito presente).

* Na foto, a mãe de Marília. Arquivo pessoal.

Mãe e filha: convivência limitada que pode dar certo
Marília Gehrke - http://ironiacensurada.blogspot.com/

Mãe por perto não é sinônimo de mãe presente. Minha mãe trabalha fora desde que me conheço por gente. Pode-se dizer que, várias vezes, ela foi apenas uma coadjuvante na minha vida mas, apesar de tudo, sempre tentou fazer o melhor que pôde. E conseguiu. Entre umas e outras rugas, o que passou foi o tempo, mas não a força de vontade e a dedicação de proporcionar uma vida melhor para família. Mamãe detona! Ela repete trinta vezes a mesma coisa e liga várias vezes ao dia, alegando preocupação. Filha, pega um casaco. Filha, não esquece do guarda-chuva. Irritante, confesso. Aprendi a tolerar ou pelo menos tentar tolerar as preocupações da minha mãe. Afinal, ela tolera minhas burradas, algumas palavras ditas sem serem pensadas e, principalmente, os roncos do meu pai. Mesmo que ela faça uns ruídos estressantes enquanto toma chimarrão e se espreguice estrondosamente todas as manhãs, me fazendo acordar no susto, eu a amo.
Nathalia Duprat  -  09/05/2008 22:18:20
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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte V
Na semana do Dia das Mães, as meninas e meninos do Tudo de Blog contaram várias histórias sobre a delicada relação com suas mães. Até domingo, 11 de maio, você vai conferir aqui os depoimentos de gente que, como todo mundo, no Brasil ou no Japão, já sentiu as dores e delícias de ser filho de quem é.

Hoje quem conta a história de sua mãe é Natália Moneda. Para ela, a relação "mãe e filha" envolve muitos porquês.

* Na foto, a mãe de Natália. Arquivo pessoal.

O mais amável mistério
Natália Moneda - http://www.sobenaminhamoto.blogspot.com/

Mãe, por que és tão fria, tão manipuladora e tão sem compaixão? Por que não és minha amiga, não me tens em seus braços e não me deixas repousar em teu colo? Por que só me puseste no mundo e esqueceste as funções maternas? Por que pensas que de ti só quero o dinheiro e nada mais? Maldito dinheiro, mãe! Se tu não fosses tão amante desse câncer maligno, seríamos tão próximas... Ah mãe, porque me impõe mil preceitos sem fundamentos, mil ordenadas, mil caraminholas, todas já muito ultrapassadas? Mãe, por que não me dá um pouco de carinho, um pouco de compaixão e o colo do útero novamente? Ah mãe minha, sinto tanto tua falta, mesmo você estando próxima de mim. Mas mesmo que padeça por teu abandono, ainda assim estarei te amando. Apesar de a raiva, às vezes, superar o amor.
Nathalia Duprat  -  08/05/2008 23:44:49
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Mães e filhas: uma delicada relação - Parte IV
Como é a minha relação com a minha mãe?
Thaís Aragão - http://tlics.blogger.com.br/

Eu bem que gostaria de saber, pelo menos, fisicamente. Aquelas trocas de abraços e olhares só ficam na minha imaginação. Faz seis anos que ela mora em outro país e quatro anos que não a vejo. Mas se tem uma coisa boa no meio dessa coisa ruim é a cumplicidade que conquistamos mesmo com um oceano nos separando. Consigo falar de todos os assuntos com ela, desde os mais banais até os mais profundos como sexo. E, vejam que curioso, se ela estivesse apenas no quarto ao lado, acho que não conseguiria ir até ela pra falar dessas coisas. Eu acabei o colégio, entrei e saí da faculdade e ela não estava presente. Nesses e em outros momentos importantes da minha vida, só o pensamento dela estava comigo. E enquanto a gente não pode ficar juntas, só nos resta viver essa relação doída e cheia de saudades do que não existiu.
Nathalia Duprat  -  07/05/2008 20:30:01
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