O ator, que interpretou Jude em "Across the Universe", fala sobre "Quebrando a banca", filme que sexta, dia 4, no Brasil. Confira!

Até ele interpretar clássicas canções dos Beatles no musical "Across the Universe", no ano passado, Jim Sturgess era mais um ator inglês que apenas sonhava com a "dolce vita" de Hollywood. Mas bastou o moreno de 26 anos soltar a voz nos hits "Girl", "All My Loving", "Something" e "All You Need is Love" para ele ganhar projeção internacional, além de uma legião de fãs sempre disposta a gritar o seu nome por onde ele passa. "Não entendo o fascínio que passei a exercer sobre as garotas. Deve ser a magia do cinema", diz Jim, que transmite muita doçura com seu belo par de olhos negros.
Ele fala com a simplicidade de quem não pretende deixar o sucesso subir à cabeça – apesar de já desfrutar do status de protagonista, como ocorre em "Quebrando a Banca", produzido e co-estrelado por Kevin Spacey. Nesse drama, que estréia nas telas brasileiras no dia 4 de abril, seu personagem é um gênio da matemática que ganha uma fortuna nos cassinos de Las Vegas ao usar cálculo estatístico no jogo 21 (ou blackjack).
Está se acostumando à fama?
Tento não pensar nisso, mas reconheço que tudo aconteceu muito rapidamente, o que é um pouco assustador. No momento quero continuar tocando a minha vida em Londres. Não penso em me mudar para Los Angeles ou fazer qualquer outra mudança drástica. Cresci num subúrbio de Londres, onde as pessoas são simples e próximas umas das outras. Não entendo bem como funciona essa coisa de celebridade.
É estranho perceber como, do dia para a noite, as pessoas começam a ver você de forma diferente? Principalmente as garotas?
Muito. Durante toda a minha vida nunca fui popular com o sexo oposto. Pelo contrário. E hoje, curiosamente, meninas que eu nunca vi antes fazem o maior alvoroço quando eu passo. Mas não me iludo. Sei que elas estão apaixonadas pelo personagem que fiz em “Across the Universe’’ e não por mim. Qualquer um fica bonito quando é filmado por um excelente diretor de fotografia. Ainda mais quando tem a chance de cantar alguma música dos Beatles, que sempre derrete o coração das mulheres (risos).
Qual o seu tipo de garota?
Gosto de meninas descoladas e criativas, que sejam acima de tudo autênticas. Como gosto muito de criar, não consigo me ver com alguém que não tenha a mesma sensibilidade artística.
Como os seus amigos reagem ao seu sucesso-relâmpago?
É difícil manter as amizades à distância. Quando filmei “Across the Universe’’, passei muito tempo longe dos meus amigos, trabalhando em Nova York. Por conta de tantas experiências novas, fui totalmente absorvido por um outro mundo. Nem tinha vontade de voltar para casa. Quando finalmente retornei, nove meses depois, meus amigos pareciam desinteressantes, pelo fato de não terem mudado. Mas o curioso foi que, após algum tempo, isso foi a melhor coisa do mundo porque eu ainda me sentia em casa, totalmente seguro. Eles me receberam de braços abertos e tudo estava como era antes. No início, não conseguia parar de falar de Nova York. Só que acabei percebendo que, no fundo, eu parecia aquele chato que chega de férias e quer que todo mundo veja as fotos que ele tirou. O cara não percebe que isso só tem graça para quem esteve lá.
Os tablóides ingleses costumam ser bastante agressivos. Eles já começaram a perseguir você?
Não. Já me avisaram que eles podem me associar com qualquer garota que for vista ao meu lado. Mas, por enquanto, nada de fofoca. Não sou muito festeiro mesmo. Quando não estou trabalhando, gosto de passar tempo com os meus amigos tocando, jogando bilhar, jogando dardo e ficando bêbado (risos).
E se eles procurarem alguma ex-namorada para falar a seu respeito?
Aí talvez seja uma boa idéia eu me adiantar e sair pedindo desculpas a algumas delas (risos). Não. É brincadeira. Sempre fui um cara legal.
Como se sente carregando um filme pela primeira vez nas costas? Você aparece praticamente em todas as cenas de "Quebrando a Banca"...
Procurei não pensar nessa responsabilidade. Mas é verdade que, por estar em quase todas as cenas, o resto do elenco até fazia piada a respeito. Eles diziam: "Você está em todas as cenas, exceto naquela em que Laurence Fishburne está te olhando no monitor e falando de você" (risos).
Já conhecia o universo dos cassinos?
Não sabia absolutamente nada. Sequer tinha pisado em Las Vegas antes. Por ser um mundo tão estranho para mim, a diversão foi ainda maior. Nas duas semanas que antecederam as filmagens, nós passamos o tempo todo jogando em Vegas. Só para ganhar familiaridade com a rotinha dos cassinos.
Ficou tão fascinado pelos jogos quanto o seu personagem?
Não. Confesso não achar nada saudável jogar e muito menos perder dinheiro em jogo (risos).
Mas você se identifica com o personagem de alguma forma? Pelo menos no sentido de que ele descobre o poder ao vencer no jogo, algo que você pode conquistar com a fama?
Não. O fato de eu me tornar conhecido não me dá qualquer sensação de poder. Talvez seja melhor assim, não? Do contrário, correria o risco de me tornar um grande idiota.
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