Carol Trentini: “Meu estrogonofe é ótimo”

Carolina é uma menina bem difícil de esquecer. Anda bonito e tem um brilho no olhar. Tem sardas (e espinhas!) no rosto. E um cabelo loiro de fundo escuro bem ralinho.

Carol Trentini não é um sucesso porque é a mais bonita entre as modelos. Como ela, você está cansada de ver, há muitas. Até mais bonitas você encontra por aí. Carol é poderosa porque leva a sério seu trabalho como ninguém. É tão profissional – e famosa por seu profissionalismo – que caiu nas graças do povo importante da moda em Nova York e na Europa. O fotógrafo Steven Meisel e a editora de moda da Vogue America, Anna Wintour, sempre incluem a Carol em castings importantes. Daí a pegar as campanhas que pagam bem é um pulo. Olha lá a Carol rolando no feno para Dolce & Gabanna, que luxo!

Até em casa a Carol é superorganizada. “Ela não sai de casa se não estiver tudo no lugar”, conta Cinthia Dicker, modelo e room mate da Carol em Nova York. Se dão muito bem e vivem fazendo jantarzinhos para as amigas Bruna Erhardt e Ana Bela. Advinhe quem cozinha? Carol. “Meu estrogonofe é ótimo”, conta. Ela aprendeu a cozinhar ainda menina, em Panambi (no interior do Rio Grande do Sul), já que a mãe trabalhava fora e ela preparava o almoço da irmã Francielle, que mora em Florianópolis. A mãe da Carol deve morrer de saudade das meninas: uma nos Estados Unidos, uma em Santa Catarina e ainda tem a Ellen, que mora no Espírito Santo. Sua mãe, ela diz, é seu exemplo de determinação.

Carol perdeu o pai quando tinha 1 ano. Vai ver é por isso que ficou madura tão cedo. Enquanto as meninas estão se jogando na balada, Carol fica em casa. “Sou profissional, sou muito crítica e exigente.” “Sou observadora, o que não sei eu aprendo olhando. Já treinei muito no espelho.” “Competição tem sim, mas sou muito focada.” “Eu sei que tem muita menina ralando, então só de estar lá (em NY) é muito gratificante.” Gratificante?! É, a Carol fala assim, toda séria, o tempo todo. E namorado, tem? “O trabalho…”. Pô, Carol, outras meninas também dão duro e conseguem um tempinho para namorar, não é? “Eu já beijei…”, conta ela, sem entregar mais nada.

Quando encontrei-a no camarim do desfile da Triton, em janeiro, ela usava a sandália mais bacana que já vi: rasteirinha de couro, com uma pedra enorme, verde, no peito do pé. Tinha jeito de sapato gostoso, que dá pra sair ou ficar em casa. “Usei em um desfile da Miu Miu e gostei tanto que comprei”, conta. Ela diz que só usa roupa confortável. Já a Cinthia contou que em Nova York a Carol sai de minissaia e polaina! Chique que só.

Carol começou aos 14 anos, seguindo o percurso que já se tornou normal entre as meninas do Sul: pelo curso de Dilson Stein. Aos 16, começou a se dar bem. E se dar bem, no caso, também quer dizer dar adeus à família, aos amigos, ao time de vôlei e ir morar longe. Desde então ela não pára, sempre em ritmo alucinado. Pegou 31 desfiles na São Paulo Fashion Week e voou direto para Nova York fotografar mais um (lindo!) editorial de moda para a Vogue. De lá, sem descanso, trabalhou nas semanas de moda de NY, Milão e Paris. Enquanto você curtia o fim das férias, o começo das aulas, pulava Carnaval, Carol estava lá provando roupas, ensaiando os penteados, entregando a pele a camadas e camadas de base, pó, rímel, blush. Em um frio de lascar. “Tem de ter muita energia para agüentar – principalmente energia emocional”, explica Zeca de Abreu, dono da Marylin, a agência da Carol. Isso ela tem de sobra. A atitude madura e a personalidade doce e disponível fazem seu sucesso. O rostinho perfeito parece ser só um detalhe.

Beleza da vez

Em cada temporada de moda há um bombardeio de rostos novos. E, a cada temporada, os rostos novos são diferentes dos da temporada anterior. Quer ver? Há cinco anos, o look supersexy da Gisele Bündchen era o modelo de beleza que imperava. Hoje, seios fartos e bocas carnudas não pegam mais. A beleza do momento é um mix de ingenuidade, pureza e estranheza. Tudo começou quando a russa Natalia Vodianova deixou seu emprego numa barraca de hortaliças e mudou-se para Paris como top. Compare Gisele com Natalia: enquanto Gisele é mulherão, a russa tem ares de menina inexperiente. É como se ela estivesse fazendo (sempre) o seu primeiro ensaio fotográfico. Seu rosto é como o de uma garotinha: formato ovalado, testa grande e olhos amendoados enormes. O nariz, pequeno e arredondado, a pele alva e os lábios rosa. E olha que essa “boneca” tem 21 anos, é casada e tem um filho. Na avalanche de modelos com aparência infantil, Carol Trentini foi a brasileira que mais se destacou. Seu nariz arrebitado, as sardas e o cabelo loiro estão nas campanhas mais legais. Já a australiana Gemma Ward, descrita por aí como “um rosto de outra dimensão” – isso é para ser um elogio! – é a musa do grupo. Mas a moda é mesmo engraçada. Enquanto clones de Gemmas e Carols são reproduzidos, outro tipo físico já vem fazendo barulho. Traços fortes, olhos expressivos e a atitude moderna da romena Irina e da italiana Maria Carla estão conquistando editores e estilistas. Resta esperar para ver se a aposta vai vingar.

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