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23/07/2008 12:47

A incrível história da menina que quase foi morta pelo ex-namorado

Beatriz Pimentel jamais imaginou que uma surpresa no Dia dos Namorados poderia se transformar numa grande cilada

Texto: Isis Olívia | Foto: Pedro Meyer

Beatriz Pimentel jamais imaginou que uma surpresa no Dia dos Namorados poderia se transformar numa grande cilada 


"Senti meu ar ir embora. Achei que ia morrer"

Na noite de 4 de junho do ano passado, Beatriz Pimentel, 17 anos, chegou ao hospital sem os movimentos do pescoço pra baixo e sem conseguir falar. Ela acabara de ser agredida por uma pessoa que, até então, considerava especial: o ex-namorado.

Aos 13 anos, Beatriz conheceu João*. Na época, ele tinha 17 anos. Logo surgiram afinidades e eles começaram a namorar. O relacionamento durou quase três anos e eles terminaram quando a garota descobriu que o namorado a traía. “Me contaram em uma festa, quando estávamos dando um tempo. Eu já desconfiava, mas ele negava. Não foi a primeira vez que a gente se separou. Mas, dessa vez, decidi não voltar mais”, lembra. João ficou desesperado. Só que a garota não queria saber mais dele. Foi só depois de muita insistência que eles conversaram e ficaram amigos.

Foi pouco depois de uma semana que o “amigo” mostrou suas verdadeiras intenções. Eles tinham combinado de se encontrar em uma lan house. Como estava próximo ao Dia dos Namorados e eles haviam terminado havia pouco tempo, João disse que já tinha comprado um presente. Mas Beatriz teria que pegar o pacote na casa dele. Afinal, era um urso enorme e ele estava com vergonha de ser visto com o brinquedo na rua. Ele implorou e a garota, meio a contragosto, aceitou.

Quando chegaram, Beatriz disse que preferia esperar na porta, mas o ex a puxou para dentro de casa. Ele levou a garota para um quarto escuro e trancou a porta. “Perguntei onde estava o presente e ele disse que queria conversar comigo antes de me dar.” João começou a falar o quanto Beatriz tinha feito mal a ele. Falava como tinha sido um namorado perfeito e perguntou se ela ainda o amava. A garota respondeu que não e implorou pra ir embora. Ele disse que ela não sairia dali e Beatriz começou a gritar. Foi o que bastou para o ex-namorado se descontrolar e tampar a boca da menina com força. Como ela usava aparelho nos dentes, os lábios começaram a sangrar. Beatriz gritava cada vez mais alto e ele começou a apertar seu pescoço. “Ele me olhava trincando os dentes e me mandava calar a boca. Eu tentava bater nele, mas não conseguia. Desmaiei”, conta.

A garota acordou no colo do ex. Beatriz tentou ficar calma. Mas, quando percebeu que não seria solta, voltou a gritar. Novamente, o ex-namorado a enforcou, mas agora com mais força. “Senti meu ar ir embora. Achei que eu ia morrer.”

Quando Beatriz acordou, estava dentro de um carro, indo para o hospital. Tentava falar ou se mexer, mas não conseguia. “Na hora eu pensei: ‘Putz, tô aleijada. O que esse desgraçado me fez?`” Ela tentou ficar acordada, mas não conseguiu.

Ao despertar, Bea viu que João estava deitado em uma cama perto dela. O que rolou é que, para tentar se inocentar do crime, ele pegou uma faca, fez cortes superficiais nos pulsos e fingiu estar desmaiado. Com isso, todos achavam que João também era vítima de algum assaltante e o socorreram também. Em pânico e com muita dificuldade, a primeira atitude da garota foi dizer as seguintes palavras ao médico: “Tira o João daqui. Foi ele que fez isso comigo”. Ela foi medicada e, logo depois, voltou ao normal.

No dia seguinte, Beatriz denunciou o ex à polícia. Ele foi intimado a comparecer à delegacia e confirmou a versão da garota. O processo ainda está em andamento e, por ser maior de idade (hoje ele tem 22 anos), João pode ser preso. Beatriz se recupera com a ajuda de psicólogos. O trauma que passou fez com que lidasse com os namoros de forma mais reservada. “Criei um escudo.” Ela vê o seu agressor todos os dias: além de morarem próximos, ele trabalha em uma loja perto da escola de Bea. “Tenho medo de ele se vingar. O que me deixa tranqüila é que na delegacia me garantiram que qualquer coisa que acontecer comigo ele é preso. Só lembrando disso consigo dormir”, desabafa.

* Nome modificado a pedido da entrevistada.