13
08/2010
Eu fiz plástica
Categorias: corpo - Por Marina Bessa às 17:48 Comentários 125

A A.L. está muito incomodada com o tamanho e a forma do seu nari e pergunta se poderia ser o caso de fazer uma plástica. A.L. eu tenho uma opinião bem particular sobre essa questão. Para explicar, queria repetir a história que contei na Capricho, de janeiro de 2007:
“Quando eu era criança, olhava no espelho e não gostava. Alguma coisa me incomodava muito, mas eu não sabia direito o que era. Até que um dia minha mãe me aprontou para um desfile de 7 de setembro e prendeu todo meu cabelo com umas flores de plástico. Ela achou lindo. Eu achei horrível. E dessa vez entendi por que: eram as minhas orelhas. De abano. Gigantes. Saltando do meu rosto como um corpo estranho. As orelhas de abano viraram uma tortura na minha vida. Passei a ter pavor de cabeleireiros, não quis entrar no balé, fugia da piscina com todas as desculpas possíveis – tudo para não ter que mostrar as malditas.
Demorou um tempo pra minha mãe perceber que o que para ela era uma bobagem estava me impedindo de fazer muitas coisas, interferia na minha auto-estima e na forma de me relacionar com as pessoas.
- Te incomoda muito, minha filha?
- Arran…
- Você tem vontade de fazer uma cirurgia pra consertar a orelhinha (orelhinha?)?
- Arran!
E foi assim que, com 12 anos, eu me transformei. As primeiras coisas que eu fiz depois da cirurgia foram repicar o cabelo, comprar umas tiaras e entrar em um curso de teatro. Alguém percebeu que eu tinha ajeitado minhas orelhas? Não. Alguém percebeu que eu tinha mudado? Todo mundo.
Claro, eu tinha entrado no círculo virtuoso da auto-estima: me senti mais bonita e, por isso, mais confiante. E por me sentir confiante passei a me sentir mais bonita.
Não acho que a plástica seja solução para tudo. Adoro a onda beleza natural: é muito legal que as mulheres estejam percebendo que pra ser bonita não é preciso ser perfeita. Só que, ao mesmo tempo, eu sei o quanto foi importante mudar o que me incomodava. Existe muita diferença entre perseguir a perfeição e corrigir alguma coisa que atrapalha a sua vida. A equação do bom-senso é simples. Pergunte a si mesma: vou ser mais feliz com a mudança ou só vou ser feliz com ela? Se a primeira frase faz mais sentido pra você, a plástica pode ser, sim, um caminho.”
O passo seguinte, claro, é conversar com os seus pais e procurar o médico para saber os prós e os contras de uma intervenção como essa, que, como toda cirurgia, tem seus riscos.
Depois me conta!
Um beijo!
Comente!125









